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Não tenho, por ladrões e aparentados, grande consideração. Já tive a casa assaltada e sei quanto isso é desagradável. À saudade dos objectos perdidos para sempre, alguns de valor apenas sentimental e, justamente por isso, incalculável, junta-se o desconforto da privacidade devassada e logo se instala a necessidade de mudança.
Apesar disso, fico indignado com notícias como esta: «Uma criança de 11 anos foi ontem mortalmente atingida por uma bala disparada por um agente da GNR, após uma tentativa de assalto a uma vacaria em Loures. O rapaz foi atingido no interior de um veículo com o qual o grupo de alegados assaltantes se pôs em fuga».
Esperemos, agora, que o ministro da administração interna, com aquela cara de fuínha deslumbrada pelas luzes da ribalta, não nos venha com desculpas esfarrapadas. É que não há propriedade privada, por mais valiosa, que valha a vida de uma criança de onze anos.
PM
terça-feira, 12 de agosto de 2008
domingo, 10 de agosto de 2008
PRÉMIO LITERÁRIO
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Na Austrália, foi criado um prémio literário, o 'Australian Prime Minister's Literacy Awards' cujo júri é presidido pelo próprio primeiro-ministro australiano, Kevin Rudd.
É natural que quem já quis importar o modelo de desenvolvimento irlandês, o modelo de ensino finlandês, queira, mais dia, menos dia, importar o modelo australiano de prémios literários. É natural.
Assim, e numa atitude construtiva, aqui me ofereço para colaborar com o chefe da 'direcção comercial de luxo' (é assim que o inenarrável ministro Pinho designa o governo a que pertence) que será, naturalmente, o presidente do júri do putativo concurso e que tem muito mais que fazer do que preocupar-se com leituras.
Sugiro:
Nome do Prémio (em inglês técnico) - Portuguese Prime Minister's Literacy Awards.
Livros Nomeados e Classificação Final:
1º - «JOSÉ SÓCRATES, O MENINO DE OIRO DO PS»
Eduarda Maio
2º - «OLHEM PARA MIM»
Fernanda Câncio
3º - «OS MALES DA EXISTÊNCIA - Crónicas de um Reaccionário Minhoto»
António Sousa Homem
4º - «A QUEDA DE UM ANJO»
Camilo Castelo Branco
5º - «PURGA EM ANGOLA»
Dalila Mateus, Álvaro Mateus
E pronto. Agora já não podem dizer que sou um neopessimista e que não faço nada de construtivo.
PM
Na Austrália, foi criado um prémio literário, o 'Australian Prime Minister's Literacy Awards' cujo júri é presidido pelo próprio primeiro-ministro australiano, Kevin Rudd.
É natural que quem já quis importar o modelo de desenvolvimento irlandês, o modelo de ensino finlandês, queira, mais dia, menos dia, importar o modelo australiano de prémios literários. É natural.
Assim, e numa atitude construtiva, aqui me ofereço para colaborar com o chefe da 'direcção comercial de luxo' (é assim que o inenarrável ministro Pinho designa o governo a que pertence) que será, naturalmente, o presidente do júri do putativo concurso e que tem muito mais que fazer do que preocupar-se com leituras.
Sugiro:
Nome do Prémio (em inglês técnico) - Portuguese Prime Minister's Literacy Awards.
Livros Nomeados e Classificação Final:
1º - «JOSÉ SÓCRATES, O MENINO DE OIRO DO PS»
Eduarda Maio
2º - «OLHEM PARA MIM»
Fernanda Câncio
3º - «OS MALES DA EXISTÊNCIA - Crónicas de um Reaccionário Minhoto»
António Sousa Homem
4º - «A QUEDA DE UM ANJO»
Camilo Castelo Branco
5º - «PURGA EM ANGOLA»
Dalila Mateus, Álvaro Mateus
E pronto. Agora já não podem dizer que sou um neopessimista e que não faço nada de construtivo.
PM
sábado, 9 de agosto de 2008
MAIS PALAVRAS PARA QUÊ?
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Em véspera de eleições em Angola, uma voz amiga que de lá chega traz-me a análise da situação política, social, económica do país feita por um menino de rua de Luanda:
«Desconseguimos de avançar e adiantámos de atrasar»
Simplesmente portentoso.
PM
Em véspera de eleições em Angola, uma voz amiga que de lá chega traz-me a análise da situação política, social, económica do país feita por um menino de rua de Luanda:
«Desconseguimos de avançar e adiantámos de atrasar»
Simplesmente portentoso.
PM
TELEGRAMA PARA O INFERNO
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SILVA PAIS REGRESSA URGENTE STOP PINTOS SOUSAS EM EXERCÍCIO PERDOAM STOP TRAZ ROSA CASACO TIENZA TINOCO BARBIERI E MAIS RAPAZIADA VELHA GUARDA STOP MUITO TRABALHINHO STOP ASAE INSPECÇÃO FINANÇAS STOP VIGILÂNCIA MÁXIMA CASAMENTOS STOP INTERROGATÓRIOS LONGOS STOP NÚMERO CONVIDADOS STOP FORNECEDORES DOCES SALGADOS FLORES STOP MÚSICOS FOTÓGRAFO VESTIDO CUECAS NOIVA STOP. DEPRESSA PORRA STOP
PM
SILVA PAIS REGRESSA URGENTE STOP PINTOS SOUSAS EM EXERCÍCIO PERDOAM STOP TRAZ ROSA CASACO TIENZA TINOCO BARBIERI E MAIS RAPAZIADA VELHA GUARDA STOP MUITO TRABALHINHO STOP ASAE INSPECÇÃO FINANÇAS STOP VIGILÂNCIA MÁXIMA CASAMENTOS STOP INTERROGATÓRIOS LONGOS STOP NÚMERO CONVIDADOS STOP FORNECEDORES DOCES SALGADOS FLORES STOP MÚSICOS FOTÓGRAFO VESTIDO CUECAS NOIVA STOP. DEPRESSA PORRA STOP
PM
JÚNIORES E SÉNIORES
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As juventudes partidárias são organizações que não tenho em muito bom conceito. Acho que funcionam um pouco como fábricas de moldes para monstros que, mais tarde, se sentam à mesa do orçamento, colados como lapas, e se banqueteiam de forma obscena até ao fim da vida, obrigando-nos a suportar uma carga fiscal, igualmente obscena (estou a referir-me, sobretudo, aos trabalhadores por conta de outrém), para garantirem despensa bem recheada e mesa posta. Enfim, a velha história do «Fartai, vilanagem».
Apesar disso, foi com alguma satisfação que vi o novo líder da Juventude Socialista ser caracterizado como 'hiperdinâmico', 'inteligente', 'respeitador', 'trabalhador', 'arrojado', 'sério', 'intelectualmente honesto', 'ponderado' e 'com bom senso' e apenas com um pequeno defeito: ser sportinguista fanático. Gostei do que disse: «Gostava que Sócrates tivesse uma atitude mais enérgica em relação aos problemas mundiais, à desregulamentação dos mercados de capitais, ao aumento do preço do petróleo, à especulação financeira, às taxas de juro do Banco Central Europeu, a este Pacto de Estabilidade e Crescimento que estrangula o nosso modelo económico».
Eis senão quando o sénior do PS, Laurentino Dias, responsável, no governo, pela prestigiante pasta do futebol nacional, vem deitar água na fervura dos ingénuos, apontando um defeito ao jovem líder: «Confia muito nas pessoas», mas logo sossega os paroquianos acrescentando que esse defeito «a vida o vai ajudar a corrigir», como quem diz: 'Isso que dizem dele é muito bonito, mas com a idade passa-lhe'. Brilhante, enternecedor.
São estes laurentinos (louros, segundo o dicionário da 'Academia', qualificativo tão injustamente utilizado só para exemplares do belo sexo com meninges gripadas, quando, como se vê, a estupidez não tem sexo) que farão de mim, mais dia, menos dia, um sócio do Porto, do Boavista, do Penafiel e, já agora, do Leiria.
PM
As juventudes partidárias são organizações que não tenho em muito bom conceito. Acho que funcionam um pouco como fábricas de moldes para monstros que, mais tarde, se sentam à mesa do orçamento, colados como lapas, e se banqueteiam de forma obscena até ao fim da vida, obrigando-nos a suportar uma carga fiscal, igualmente obscena (estou a referir-me, sobretudo, aos trabalhadores por conta de outrém), para garantirem despensa bem recheada e mesa posta. Enfim, a velha história do «Fartai, vilanagem».
Apesar disso, foi com alguma satisfação que vi o novo líder da Juventude Socialista ser caracterizado como 'hiperdinâmico', 'inteligente', 'respeitador', 'trabalhador', 'arrojado', 'sério', 'intelectualmente honesto', 'ponderado' e 'com bom senso' e apenas com um pequeno defeito: ser sportinguista fanático. Gostei do que disse: «Gostava que Sócrates tivesse uma atitude mais enérgica em relação aos problemas mundiais, à desregulamentação dos mercados de capitais, ao aumento do preço do petróleo, à especulação financeira, às taxas de juro do Banco Central Europeu, a este Pacto de Estabilidade e Crescimento que estrangula o nosso modelo económico».
Eis senão quando o sénior do PS, Laurentino Dias, responsável, no governo, pela prestigiante pasta do futebol nacional, vem deitar água na fervura dos ingénuos, apontando um defeito ao jovem líder: «Confia muito nas pessoas», mas logo sossega os paroquianos acrescentando que esse defeito «a vida o vai ajudar a corrigir», como quem diz: 'Isso que dizem dele é muito bonito, mas com a idade passa-lhe'. Brilhante, enternecedor.
São estes laurentinos (louros, segundo o dicionário da 'Academia', qualificativo tão injustamente utilizado só para exemplares do belo sexo com meninges gripadas, quando, como se vê, a estupidez não tem sexo) que farão de mim, mais dia, menos dia, um sócio do Porto, do Boavista, do Penafiel e, já agora, do Leiria.
PM
quinta-feira, 7 de agosto de 2008
A ESCALADA DAS ARBITRARIEDADES
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Sempre disse - e a realidade confirma-o a cada dia - que os titulares de cargos públicos entram em órbita logo que tomam posse. Alguns já entram de pés no ar no salão onde vai decorrer o chamado solene acto.
Vejam só:
Sílvio Berlusconi, primeiro-ministro italiano, escolheu para decoração da sua residência oficial um quadro do pintor veneziano Gianbattista Tiepolo representando uma mulher chamada 'Verdade' que exibe um seio. Acontece que o desnudado seio aparecia frequentemente nas fotografias das conferências de imprensa do 'camarada' Sílvio e ele não gostava dessa exibição despudorada.
Solução? Mudar o local das conferências de imprensa? Trocar o quadro por outro? Não. Pura e simplesmente foi substituído por uma réplica com o seio da 'Verdade' tapado!
Por cá também há notícia. O Presidente da República, de férias na sua casa particular, em S. Rafael, Allgarve, (não sei se mantém o nome 'Mariani') mandou reservar o espaço aéreo de Albufeira.
E, agora que o senhor professor doutor Cavaco Silva está seguro e resguardado dos 'paparazzi', não podia ordenar a importação de mais esta tão salutar moda italiana e mandar pôr uma 'burka' no busto da 'República'? Não é por nada de especial. É só para não corrermos o risco de, um dia, vermos a 'República' a comer bolo-rei...
PM
Sempre disse - e a realidade confirma-o a cada dia - que os titulares de cargos públicos entram em órbita logo que tomam posse. Alguns já entram de pés no ar no salão onde vai decorrer o chamado solene acto.
Vejam só:
Sílvio Berlusconi, primeiro-ministro italiano, escolheu para decoração da sua residência oficial um quadro do pintor veneziano Gianbattista Tiepolo representando uma mulher chamada 'Verdade' que exibe um seio. Acontece que o desnudado seio aparecia frequentemente nas fotografias das conferências de imprensa do 'camarada' Sílvio e ele não gostava dessa exibição despudorada.
Solução? Mudar o local das conferências de imprensa? Trocar o quadro por outro? Não. Pura e simplesmente foi substituído por uma réplica com o seio da 'Verdade' tapado!
Por cá também há notícia. O Presidente da República, de férias na sua casa particular, em S. Rafael, Allgarve, (não sei se mantém o nome 'Mariani') mandou reservar o espaço aéreo de Albufeira.
E, agora que o senhor professor doutor Cavaco Silva está seguro e resguardado dos 'paparazzi', não podia ordenar a importação de mais esta tão salutar moda italiana e mandar pôr uma 'burka' no busto da 'República'? Não é por nada de especial. É só para não corrermos o risco de, um dia, vermos a 'República' a comer bolo-rei...
PM
VÁ LÁ, SEJAM AMIGOS
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A Câmara Municipal de Faro, agora presidida pelo socialista José Apolinário, atribuiu a medalha de ouro da cidade a José Sócrates pela «determinação na criação do ensino de medicina», na Universidade do Algarve e pela «concretização» do Hospital Central do Algarve.
José Vitorino, vereador do PSD, criticou a decisão e os socialistas aproveitaram para lhe avivar a memória: ele próprio, enquanto presidente da Câmara Municipal de Faro, atribuiu a medalha de ouro da cidade ao então primeiro-ministro, Pedro Santana Lopes, por ter criado o Ministério do Turismo e instalado na cidade a Secretaria de Estado.
Como se pode ver, a C.M.F. tem um critério pluripartidário, logo, democrático para a distribuição de medalhas de ouro.
Tanto as entrega ao «pior da herança guterrista» (disse Mário Soares) como ao pior da herança barrosista (digo eu que me lembro de ouvir Durão Barroso classificar Santana Lopes como um misto de professor Zandinga e de Gabriel Alves).
Vá lá, acabem com esses arrufos de namorados e deixem-se de cenas de ciúmes. Entendam-se, formem um blocozinho central (essa fonte inesgotável de seguros de vida) e votem em conjunto a atribuição de mais duas medalhinhas de ouro: uma para a jornalista Eduarda Maio, pela sua biografia do ‘menino de ouro do PS’ e outra para Dias Loureiro, político e empresário polivalente, entusiasmado apresentador da dita biografia e autor da letra do inesquecível hino ‘Menino Guerreiro’.
Sigam os bons exemplos e vejam como é fácil e reconfortante o encontro dos belos espíritos...
PM
A Câmara Municipal de Faro, agora presidida pelo socialista José Apolinário, atribuiu a medalha de ouro da cidade a José Sócrates pela «determinação na criação do ensino de medicina», na Universidade do Algarve e pela «concretização» do Hospital Central do Algarve.
José Vitorino, vereador do PSD, criticou a decisão e os socialistas aproveitaram para lhe avivar a memória: ele próprio, enquanto presidente da Câmara Municipal de Faro, atribuiu a medalha de ouro da cidade ao então primeiro-ministro, Pedro Santana Lopes, por ter criado o Ministério do Turismo e instalado na cidade a Secretaria de Estado.
Como se pode ver, a C.M.F. tem um critério pluripartidário, logo, democrático para a distribuição de medalhas de ouro.
Tanto as entrega ao «pior da herança guterrista» (disse Mário Soares) como ao pior da herança barrosista (digo eu que me lembro de ouvir Durão Barroso classificar Santana Lopes como um misto de professor Zandinga e de Gabriel Alves).
Vá lá, acabem com esses arrufos de namorados e deixem-se de cenas de ciúmes. Entendam-se, formem um blocozinho central (essa fonte inesgotável de seguros de vida) e votem em conjunto a atribuição de mais duas medalhinhas de ouro: uma para a jornalista Eduarda Maio, pela sua biografia do ‘menino de ouro do PS’ e outra para Dias Loureiro, político e empresário polivalente, entusiasmado apresentador da dita biografia e autor da letra do inesquecível hino ‘Menino Guerreiro’.
Sigam os bons exemplos e vejam como é fácil e reconfortante o encontro dos belos espíritos...
PM
terça-feira, 5 de agosto de 2008
DE OUTROS - 8
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«É um mundo estranho e de ilusões o que nasceu na Rússia nos anos 90. Somos uma república de eleições livres, com uma imprensa na aparência livre. Todavia, as personalidades mais corruptas mantiveram os seus lugares e é em vão que se procuram os assassinos. Por causa da cínica crueldade dos bandidos, o preço da vida humana está reduzido a um zero. É a oligarquia que governa e tanto lhe faz que o povo sobreviva ou não.»
ALEXANDRE SOLJENITSIN
(1998)
«É um mundo estranho e de ilusões o que nasceu na Rússia nos anos 90. Somos uma república de eleições livres, com uma imprensa na aparência livre. Todavia, as personalidades mais corruptas mantiveram os seus lugares e é em vão que se procuram os assassinos. Por causa da cínica crueldade dos bandidos, o preço da vida humana está reduzido a um zero. É a oligarquia que governa e tanto lhe faz que o povo sobreviva ou não.»
ALEXANDRE SOLJENITSIN
(1998)
domingo, 3 de agosto de 2008
DE OUTROS - 7
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«Olhe, amigo: ou eu sou maluco ou o progresso depende sobretudo da comunicação das inteligências entre elas. No meu entender, o que há de pior na exploração económica e social do homem é que isso não foi possível sem a exploração de inteligências por outras inteligências. O marxismo pôs à vista alguns mecanismos opressores que andavam bem escondidos por baixo dos séculos.E mostrou que a opressão como que esvazia o homem de si mesmo, alienado fica ele, e metido num rebanho doutros que também perderam o instinto de levantar a cabeça e ver além do palmo de chão à frente. Bom. Mas então se a humanidade já chegou ao ponto de perceber estas coisas, não é pela repetição de erros que nos vamos safar. Quando se sabota a inteligência dum militante para que ele não levante problemas à Direcção, isso não é trabalho acertado para acabar com a exploração do homem pelo homem, é garantir o continuar da exploração doutra maneira.»
NUNO BRAGANÇA
«DIRECTA»
Moraes Editores (1977)
«Olhe, amigo: ou eu sou maluco ou o progresso depende sobretudo da comunicação das inteligências entre elas. No meu entender, o que há de pior na exploração económica e social do homem é que isso não foi possível sem a exploração de inteligências por outras inteligências. O marxismo pôs à vista alguns mecanismos opressores que andavam bem escondidos por baixo dos séculos.E mostrou que a opressão como que esvazia o homem de si mesmo, alienado fica ele, e metido num rebanho doutros que também perderam o instinto de levantar a cabeça e ver além do palmo de chão à frente. Bom. Mas então se a humanidade já chegou ao ponto de perceber estas coisas, não é pela repetição de erros que nos vamos safar. Quando se sabota a inteligência dum militante para que ele não levante problemas à Direcção, isso não é trabalho acertado para acabar com a exploração do homem pelo homem, é garantir o continuar da exploração doutra maneira.»
NUNO BRAGANÇA
«DIRECTA»
Moraes Editores (1977)
sábado, 2 de agosto de 2008
CUIDADO COM A LÍNGUA
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Disse e repito que o acordo ortográfico, recentemente ratificado pelos cinzentões do costume com assento na Assembleia da República e promulgado pelo Presidente da República, Aníbal Cavaco Silva, esse vulto incontornável da cultura portuguesa pelo simples facto de ter sido o primeiro-ministro do Governo que impediu que o livro de José Saramago «O Evangelho Segundo Jesus Cristo» se candidatasse ao Prémio Europeu de Literatura, o acordo ortográfico, dizia, não aquece nem arrefece muito a banalidade do meu dia-a-dia.
Como já não tenho idade para voltar à escola primária nem estou interessado em prestar provas de 'português técnico' em qualquer universidade independente que me possa aparecer pela frente, continuarei, impávido e sereno, a usar a ortografia a que estou habituado e talvez nem valha a pena comprar mais um dicionário para juntar aos meus 'Academia' e 'Houaiss'.
Não sei se a ratificação do acordo foi uma cedência ao emergente 'imperialismo' brasileiro. Mas sei que há por aí outros 'imperialismos' que, com acordo ou sem acordo, lá vão entrando pelo 'Allgarve' ou pela 'West Coast' e colonizando o português de Portugal e do Brasil.
João Ubaldo Ribeiro, escritor brasileiro e o mais recente 'Prémio Camões', em declarações à revista 'Visão', sobre os caminhos da língua portuguesa afirmou:
«Não estamos no bom caminho. Vocês em Portugal se comportam com mais dignidade. E se recusam a se curvar, da mesma forma subserviente que nós, à influência americana».
«O problema é que a nossa língua está indo embora, e com ela a nossa maneira de pensar e de ver o mundo. A língua portuguesa já começa a revelar-se insuficiente para atender às demandas tecnológicas e até filosóficas».
A propósito e para acabar: o 'Expresso' vai oferecer, nas próximas quatro semanas, quatro livros com o título (em letras garrafais) «TRAIN YOUR BRAIN» e, por baixo (em letras de contrato de seguradora) 'Exercite a Mente'.
Não seria adequada uma intervenção da Associação 'NÃO APAGUEM A MEMÓRIA' para evitar que a língua portuguesa tenha o mesmo destino da sede da pide?
PM
Disse e repito que o acordo ortográfico, recentemente ratificado pelos cinzentões do costume com assento na Assembleia da República e promulgado pelo Presidente da República, Aníbal Cavaco Silva, esse vulto incontornável da cultura portuguesa pelo simples facto de ter sido o primeiro-ministro do Governo que impediu que o livro de José Saramago «O Evangelho Segundo Jesus Cristo» se candidatasse ao Prémio Europeu de Literatura, o acordo ortográfico, dizia, não aquece nem arrefece muito a banalidade do meu dia-a-dia.
Como já não tenho idade para voltar à escola primária nem estou interessado em prestar provas de 'português técnico' em qualquer universidade independente que me possa aparecer pela frente, continuarei, impávido e sereno, a usar a ortografia a que estou habituado e talvez nem valha a pena comprar mais um dicionário para juntar aos meus 'Academia' e 'Houaiss'.
Não sei se a ratificação do acordo foi uma cedência ao emergente 'imperialismo' brasileiro. Mas sei que há por aí outros 'imperialismos' que, com acordo ou sem acordo, lá vão entrando pelo 'Allgarve' ou pela 'West Coast' e colonizando o português de Portugal e do Brasil.
João Ubaldo Ribeiro, escritor brasileiro e o mais recente 'Prémio Camões', em declarações à revista 'Visão', sobre os caminhos da língua portuguesa afirmou:
«Não estamos no bom caminho. Vocês em Portugal se comportam com mais dignidade. E se recusam a se curvar, da mesma forma subserviente que nós, à influência americana».
«O problema é que a nossa língua está indo embora, e com ela a nossa maneira de pensar e de ver o mundo. A língua portuguesa já começa a revelar-se insuficiente para atender às demandas tecnológicas e até filosóficas».
A propósito e para acabar: o 'Expresso' vai oferecer, nas próximas quatro semanas, quatro livros com o título (em letras garrafais) «TRAIN YOUR BRAIN» e, por baixo (em letras de contrato de seguradora) 'Exercite a Mente'.
Não seria adequada uma intervenção da Associação 'NÃO APAGUEM A MEMÓRIA' para evitar que a língua portuguesa tenha o mesmo destino da sede da pide?
PM
segunda-feira, 28 de julho de 2008
SOBRE CORRUPÇÕES
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Há evoluções positivas e negativas. Muito positivo é o facto de a modernização da administração pública, o Simplex, ter dado uma estrutura mais organizada e ter feito com que a corrupção burocrática e administrativa, a pequena corrupção, tenha diminuído com muito significado em alguns sectores, desde a administração fiscal, algumas câmaras municipais. Estamos a falar daquele dinheiro para fazer andar os pequenos processos mais depressa. Mas, na grande corrupção de Estado, toda a gente tem a sensação que estamos numa situação muito complicada e em crescendo.
Porque a grande corrupção considera-se impune e age em conformidade e atinge áreas de funcionamento do Estado, que afectam a ética pública.
Tenho notado que fazedores de opinião dos mais variados quadrantes escrevem, preto no branco, que chegámos a uma situação em que está em perigo a autoridade do Estado e a dedicação ao interesse público. E toda a gente aceita essas expressões, ninguém se ofende.
JOÃO CRAVINHO
'Público' (27 de Julho de 2008)
Há evoluções positivas e negativas. Muito positivo é o facto de a modernização da administração pública, o Simplex, ter dado uma estrutura mais organizada e ter feito com que a corrupção burocrática e administrativa, a pequena corrupção, tenha diminuído com muito significado em alguns sectores, desde a administração fiscal, algumas câmaras municipais. Estamos a falar daquele dinheiro para fazer andar os pequenos processos mais depressa. Mas, na grande corrupção de Estado, toda a gente tem a sensação que estamos numa situação muito complicada e em crescendo.
Porque a grande corrupção considera-se impune e age em conformidade e atinge áreas de funcionamento do Estado, que afectam a ética pública.
Tenho notado que fazedores de opinião dos mais variados quadrantes escrevem, preto no branco, que chegámos a uma situação em que está em perigo a autoridade do Estado e a dedicação ao interesse público. E toda a gente aceita essas expressões, ninguém se ofende.
JOÃO CRAVINHO
'Público' (27 de Julho de 2008)
sábado, 26 de julho de 2008
DE OUTROS - 6
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11 de Julho de 1942. Sábado às 11 horas da manhã.
Sobre as coisas derradeiras e sérias desta vida só se deve falar realmente quando as palavras brotam de ti tão simples e naturais como se fossem água de uma fonte.
E se Deus não me ajudar mais, nesse caso hei-de eu ajudar a Deus.
Pouco a pouco, a superfície da Terra vai sendo coberta por um grande campo de trabalho e quase ninguém conseguirá ficar de fora. Esta é uma fase que temos de atravessar. Os judeus aqui contam uns aos outros coisas muito agradáveis: que na Alemanha são emparedados ou exterminados com gases tóxicos. Não é lá grande esperteza contar este tipo de histórias mutuamente, e além disso: se de uma maneira ou de outra tudo isto acontece, pois bem, então não é sob a nossa responsabilidade?
ETTY HILLESUM
DIÁRIO (1941-1943)
Assírio e Alvim (2008)
Nota: Etty Hillesum, judia holandesa, morreu em Auschwitz, a 30 de Novembro de 1943
11 de Julho de 1942. Sábado às 11 horas da manhã.
Sobre as coisas derradeiras e sérias desta vida só se deve falar realmente quando as palavras brotam de ti tão simples e naturais como se fossem água de uma fonte.
E se Deus não me ajudar mais, nesse caso hei-de eu ajudar a Deus.
Pouco a pouco, a superfície da Terra vai sendo coberta por um grande campo de trabalho e quase ninguém conseguirá ficar de fora. Esta é uma fase que temos de atravessar. Os judeus aqui contam uns aos outros coisas muito agradáveis: que na Alemanha são emparedados ou exterminados com gases tóxicos. Não é lá grande esperteza contar este tipo de histórias mutuamente, e além disso: se de uma maneira ou de outra tudo isto acontece, pois bem, então não é sob a nossa responsabilidade?
ETTY HILLESUM
DIÁRIO (1941-1943)
Assírio e Alvim (2008)
Nota: Etty Hillesum, judia holandesa, morreu em Auschwitz, a 30 de Novembro de 1943
O ESTADO DA NAÇÃO
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1 - António Vitorino, ex-deputado do PS, ex-juíz do Tribunal Constitucional indicado pelo PS, ex-comissário europeu indigitado pelo PS, ex-ministro de governos PS, actual dirigente destacado do PS, comentador político oficioso do PS, eterno D. Sebastianito do PS, conselheiro do PS, jurista de bons pareceres e advogado de bons negócios, vai falar sobre a 'Europa no mundo' numa iniciativa partidária do...PPD-PSD, a Universidade de Verão, que assinala o arranque do novo ano político e, isto, a poucos meses da disputa eleitoral para as europeias.
2 - O 'Expresso' perguntou a Manuel Pinho - aquele ministro com ar inteligente de fuzileiro americano para quem a casa de Almeida Garrett não passava de um amontoado de tijolos e que inventou o Allgarve e a West Coast - se o ministro da economia era 'um director comercial de luxo'. E o senhor ministro respondeu: 'É isso mesmo' e acrescentou, incluindo o primeiro-ministro na definição (segundo o jornal): 'Uma direcção comercial de luxo, ao serviço do país'.
Primeiro, veio-me o vómito. Depois, a vontade (quase) irresistível de me entregar à bebida. Para esquecer.
PM
1 - António Vitorino, ex-deputado do PS, ex-juíz do Tribunal Constitucional indicado pelo PS, ex-comissário europeu indigitado pelo PS, ex-ministro de governos PS, actual dirigente destacado do PS, comentador político oficioso do PS, eterno D. Sebastianito do PS, conselheiro do PS, jurista de bons pareceres e advogado de bons negócios, vai falar sobre a 'Europa no mundo' numa iniciativa partidária do...PPD-PSD, a Universidade de Verão, que assinala o arranque do novo ano político e, isto, a poucos meses da disputa eleitoral para as europeias.
2 - O 'Expresso' perguntou a Manuel Pinho - aquele ministro com ar inteligente de fuzileiro americano para quem a casa de Almeida Garrett não passava de um amontoado de tijolos e que inventou o Allgarve e a West Coast - se o ministro da economia era 'um director comercial de luxo'. E o senhor ministro respondeu: 'É isso mesmo' e acrescentou, incluindo o primeiro-ministro na definição (segundo o jornal): 'Uma direcção comercial de luxo, ao serviço do país'.
Primeiro, veio-me o vómito. Depois, a vontade (quase) irresistível de me entregar à bebida. Para esquecer.
PM
sexta-feira, 25 de julho de 2008
O PETRÓLEO, SEMPRE O PETRÓLEO
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Há muitos anos, antes da chegada da electricidade à casa dos pobres, na minha terra, lá na Pátria alentejana, contava-se que uma certa mulher adúltera, ao aperceber-se que o marido acabava de entrar em casa - e para não ser apanhada em flagrante delito- lhe gritou do quarto onde 'pecava': «Zéi, não te descalces que tens de ir ao petróleo».
Lembrei-me desta estória a propósito de recentes viagens do 'nosso Primeiro' ao estrangeiro: Rússia, Venezuela, Angola, Líbia (esperemos que esteja para breve uma viagem de retribuição à Guiné Equatorial).
Sendo acontecimentos tão díspares, associei-os por terem duas coisas em comum: o petróleo e a infidelidade. Dela, ao marido; dele, a certos princípios.
PM
Há muitos anos, antes da chegada da electricidade à casa dos pobres, na minha terra, lá na Pátria alentejana, contava-se que uma certa mulher adúltera, ao aperceber-se que o marido acabava de entrar em casa - e para não ser apanhada em flagrante delito- lhe gritou do quarto onde 'pecava': «Zéi, não te descalces que tens de ir ao petróleo».
Lembrei-me desta estória a propósito de recentes viagens do 'nosso Primeiro' ao estrangeiro: Rússia, Venezuela, Angola, Líbia (esperemos que esteja para breve uma viagem de retribuição à Guiné Equatorial).
Sendo acontecimentos tão díspares, associei-os por terem duas coisas em comum: o petróleo e a infidelidade. Dela, ao marido; dele, a certos princípios.
PM
DE OUTROS - 5
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«Jusqu'en 1981, la gauche évoquait son histoire, l'enseignait, parfois s'en faisait gloire. À présent tous ces souvenirs la gênent, et surtout les plus forts. Pour être plus légère, la gauche se dandine nue.»
SERGE HALIMI
«QUAND LA GAUCHE ESSAYAIT»
ARLÉA
Até 1981, a esquerda evocava a sua história, ensinava-a, por vezes vangloriava-se dela. No presente todas estas recordações a incomodam, e sobretudo as mais fortes. Para ser mais ligeira, a esquerda bamboleia-se nua.
PM
«Jusqu'en 1981, la gauche évoquait son histoire, l'enseignait, parfois s'en faisait gloire. À présent tous ces souvenirs la gênent, et surtout les plus forts. Pour être plus légère, la gauche se dandine nue.»
SERGE HALIMI
«QUAND LA GAUCHE ESSAYAIT»
ARLÉA
Até 1981, a esquerda evocava a sua história, ensinava-a, por vezes vangloriava-se dela. No presente todas estas recordações a incomodam, e sobretudo as mais fortes. Para ser mais ligeira, a esquerda bamboleia-se nua.
PM
QUEM ME AJUDA?
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Recentemente, a nossa querida RTP lembrou-se de pôr no ar um programa, misto de entretenimento e concurso, destinado a 'eleger' a figura mais importante da História de Portugal . Nem mesmo a participação de pessoas inteligentes (por algumas delas tenho respeito intelectual) foi suficiente para me convencer a ver o programa, mas soube o resultado final: ganhou Salazar.
Pouco tempo depois, um grupo editorial, proprietário do «Correio da Manhã» e da «Sábado», lançou «Os Anos de Salazar», obra em trinta volumes a aparecer ao longo de outras tantas semanas. Os nomes dos colaboradores deram-me garantias quanto à qualidade do trabalho e aí estou eu a desembolsar oito euros todas as quintas-feiras.
Como não quero, em nenhuma circunstância, ser confundido com nenhum 'eleitor televisivo' de Salazar, quando peço o livro na tabacaria do meu bairro, acrescento sempre ao nome do ex-governante uma palavrinha 'simpática': ditador, fascista, manhoso, misógino, padreca, bota-de-elástico, farsante, papa-hóstias, colonialista, abjecto, hortelão, racista, homúnculo, torcionário, hipócrita, celerado, retrógrado, algoz, genocida, carrasco, facínora, necófrago.
Acontece que ainda faltam oito volumes e a minha memória vocabular já não é o que era. Não querendo utilizar a linguagem casernícola que aprendi nos anos da tropa, alguém por aí me arranja oito adjectivos dignos do 'Botas'?
PM
Recentemente, a nossa querida RTP lembrou-se de pôr no ar um programa, misto de entretenimento e concurso, destinado a 'eleger' a figura mais importante da História de Portugal . Nem mesmo a participação de pessoas inteligentes (por algumas delas tenho respeito intelectual) foi suficiente para me convencer a ver o programa, mas soube o resultado final: ganhou Salazar.
Pouco tempo depois, um grupo editorial, proprietário do «Correio da Manhã» e da «Sábado», lançou «Os Anos de Salazar», obra em trinta volumes a aparecer ao longo de outras tantas semanas. Os nomes dos colaboradores deram-me garantias quanto à qualidade do trabalho e aí estou eu a desembolsar oito euros todas as quintas-feiras.
Como não quero, em nenhuma circunstância, ser confundido com nenhum 'eleitor televisivo' de Salazar, quando peço o livro na tabacaria do meu bairro, acrescento sempre ao nome do ex-governante uma palavrinha 'simpática': ditador, fascista, manhoso, misógino, padreca, bota-de-elástico, farsante, papa-hóstias, colonialista, abjecto, hortelão, racista, homúnculo, torcionário, hipócrita, celerado, retrógrado, algoz, genocida, carrasco, facínora, necófrago.
Acontece que ainda faltam oito volumes e a minha memória vocabular já não é o que era. Não querendo utilizar a linguagem casernícola que aprendi nos anos da tropa, alguém por aí me arranja oito adjectivos dignos do 'Botas'?
PM
quarta-feira, 23 de julho de 2008
DE OUTROS - 4
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«On se trompe chaque fois que l'on veut expliquer quelque chose en opposant la Mafia à l'État: ils ne sont jamais en rivalité. La théorie vérifie avec facilité ce que toutes les rumeurs de la vie pratique avaient trop facilement montré. La Mafia n'est pas étrangère dans ce monde; elle y est parfaitement chez elle. Au moment du spectaculaire intégré, elle règne en fait comme le 'modèle' de toutes les entreprises commerciales avancées».
GUY DEBORD
«COMMENTAIRES SUR LA SOCIÉTÉ DU SPECTACLE»
FOLIO
Tradução (e desculpem qualquer coisinha):
Enganamo-nos sempre que queremos explicar qualquer coisa opondo a Máfia ao Estado: eles nunca rivalizam. A teoria verifica com facilidade o que todos os rumores da vida prática tinham muito facilmente mostrado. A Máfia não é uma estranha neste mundo; sente-se nele perfeitamente em casa. No momento do espectacular integrado, ela reina de facto como o 'modelo' de todas as empresas comerciais avançadas.
PM
«On se trompe chaque fois que l'on veut expliquer quelque chose en opposant la Mafia à l'État: ils ne sont jamais en rivalité. La théorie vérifie avec facilité ce que toutes les rumeurs de la vie pratique avaient trop facilement montré. La Mafia n'est pas étrangère dans ce monde; elle y est parfaitement chez elle. Au moment du spectaculaire intégré, elle règne en fait comme le 'modèle' de toutes les entreprises commerciales avancées».
GUY DEBORD
«COMMENTAIRES SUR LA SOCIÉTÉ DU SPECTACLE»
FOLIO
Tradução (e desculpem qualquer coisinha):
Enganamo-nos sempre que queremos explicar qualquer coisa opondo a Máfia ao Estado: eles nunca rivalizam. A teoria verifica com facilidade o que todos os rumores da vida prática tinham muito facilmente mostrado. A Máfia não é uma estranha neste mundo; sente-se nele perfeitamente em casa. No momento do espectacular integrado, ela reina de facto como o 'modelo' de todas as empresas comerciais avançadas.
PM
A GRAÇA DE SER POBRE
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A revista «Pública» é uma 'coisa' que serve, basicamente, para encarecer a edição de domingo do jornal «Público». Contudo, muito espaçadamente, lá vem uma crónica, um artigo, uma reportagem que merecem uma leitura atenta.
A edição do passado dia 6 de Julho 'aliciou-me' para as compras. Assim:
1 Bugatti Veyron - 1.000.000,00 de euros
1 relógio Chopard - 16.000.000,00 de euros
1 telemóvel Goldvism 'Le Million' - 1.000.000,00 de euros
1 cocktail Dazzle ( com opção azeitona ou anel de diamantes) - 32.500,00 euros
1 maço de cigarros Lucky Strike - 100.000,00 euros
1 biquini Susan Rosen - 19.000.000,00 de euros
1 noite no hotel Hugh Hefner Sky Villa - 26.000,00 euros
1 quilo de batatas La Bonnotte - 500,00 euros.
Eu, que «devo à Providência a graça de ser pobre» (tal como António Oliveira, o 'Botas', autor da frase), antes de me precipitar nas compras, 'aconselhei-me' com o horóscopo que a dita revista também publica e foi grande a minha decepção: «Apesar da influência tranquilizante do Papa, esta não é uma semana em que possa contar com facilidades. No plano material encontrará vários obstáculos a projectos e ideias».
Adiei as compras mas tomei uma decisão: em Dezembro, com o subsídio de Natal, vou comprar 100 gramas de batatas «La Bonnotte». E depois da ceia de Natal agradecerei à Providência a graça de ter comido uma rica batata.
PM
A revista «Pública» é uma 'coisa' que serve, basicamente, para encarecer a edição de domingo do jornal «Público». Contudo, muito espaçadamente, lá vem uma crónica, um artigo, uma reportagem que merecem uma leitura atenta.
A edição do passado dia 6 de Julho 'aliciou-me' para as compras. Assim:
1 Bugatti Veyron - 1.000.000,00 de euros
1 relógio Chopard - 16.000.000,00 de euros
1 telemóvel Goldvism 'Le Million' - 1.000.000,00 de euros
1 cocktail Dazzle ( com opção azeitona ou anel de diamantes) - 32.500,00 euros
1 maço de cigarros Lucky Strike - 100.000,00 euros
1 biquini Susan Rosen - 19.000.000,00 de euros
1 noite no hotel Hugh Hefner Sky Villa - 26.000,00 euros
1 quilo de batatas La Bonnotte - 500,00 euros.
Eu, que «devo à Providência a graça de ser pobre» (tal como António Oliveira, o 'Botas', autor da frase), antes de me precipitar nas compras, 'aconselhei-me' com o horóscopo que a dita revista também publica e foi grande a minha decepção: «Apesar da influência tranquilizante do Papa, esta não é uma semana em que possa contar com facilidades. No plano material encontrará vários obstáculos a projectos e ideias».
Adiei as compras mas tomei uma decisão: em Dezembro, com o subsídio de Natal, vou comprar 100 gramas de batatas «La Bonnotte». E depois da ceia de Natal agradecerei à Providência a graça de ter comido uma rica batata.
PM
LE FROMAGE LIMIÁNÔ
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Pelos vistos, continuam a correr bem as exportações portuguesas de queijo «Limiano» para França. Depois de Bernard Kurchner ter aceite o cargo de ministro dos Negócios Estrangeiros no governo do senhor Nicolas Sarkozy, é agora a vez de Jack Lang, destacado militante e reputado intelectual socialista, viabilizar com o seu voto na Assembleia Nacional a reforma das instituições francesas proposta pelo marido da cantora Carla Bruni e que visa reformar os poderes do parlamento e limitar a dois os mandatos do presidente da República.
«É uma grande vitória para a democracia», afirmou Nicolas.
«Traidor», disse Ségolène Royal, referindo-se ao ex-ministro da Cultura, Jack Lang.
«Viva o queijo «Limiano». Digo eu que sou um simplório mas gosto de ver os bons exemplos portugueses seguidos «lá fora».
PM
Pelos vistos, continuam a correr bem as exportações portuguesas de queijo «Limiano» para França. Depois de Bernard Kurchner ter aceite o cargo de ministro dos Negócios Estrangeiros no governo do senhor Nicolas Sarkozy, é agora a vez de Jack Lang, destacado militante e reputado intelectual socialista, viabilizar com o seu voto na Assembleia Nacional a reforma das instituições francesas proposta pelo marido da cantora Carla Bruni e que visa reformar os poderes do parlamento e limitar a dois os mandatos do presidente da República.
«É uma grande vitória para a democracia», afirmou Nicolas.
«Traidor», disse Ségolène Royal, referindo-se ao ex-ministro da Cultura, Jack Lang.
«Viva o queijo «Limiano». Digo eu que sou um simplório mas gosto de ver os bons exemplos portugueses seguidos «lá fora».
PM
segunda-feira, 21 de julho de 2008
FAITS DIVERS
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É sabido que as «Relações Internacionais» existem sem grandes preocupações éticas. Em muitos países (em Portugal, por exemplo) os ministérios que delas se encarregam são mesmo denominados de «Negócios Estrangeiros». E no mundo dos negócios a ética é um conceito de valor desprezível.
É corrente vermos um estadista impoluto (espécie em vias de extinção como o lince da malcata, mas da qual também existirão, em todo o mundo, meia-dúzia de exemplares) cumprimentar um cleptocrata, um «Prémio Nobel da Paz» cumprimentar um genocida. Umas palavrinhas de circunstância e já está.
Dizer: «Temos confiança no governo angolano e no trabalho que tem desenvolvido, o que tem permitido que Angola tenha hoje um prestígio internacional, que tenha subido na consciência internacional e que seja hoje um dos países mais falados e mais reputados» como disse, há dias, José Sócrates é ir muito para além das palavras de circunstância e atingir o elogio subserviente.
(Remorsos de ex-colonizador? Preço do barril de petróleo? Tudo junto e algo mais?).
Organizações como a Transparency International, Human Rights Watch, Amnistia Internacional consideram Angola um dos países mais corruptos do mundo e esta última, no seu relatório de Setembro de 2007, entre outras coisas pouco abonatórias das práticas do poder angolano, afirma: «Um facto que preocupa seriamente a Amnistia Internacional é que o poder legislativo não tenha adoptado legislação que proíba e penalize claramente a tortura, os maus tratos e outros tratos ou penas cruéis, desumanos ou degradantes».
Para um país «dos mais reputados» não está nada mal. Ou devemos considerar «faits divers» a corrupção e todo o tipo de atropelos aos direitos humanos e, então, perceber melhor as palavras do nosso (salvo seja) primeiro-ministro?
PM
É sabido que as «Relações Internacionais» existem sem grandes preocupações éticas. Em muitos países (em Portugal, por exemplo) os ministérios que delas se encarregam são mesmo denominados de «Negócios Estrangeiros». E no mundo dos negócios a ética é um conceito de valor desprezível.
É corrente vermos um estadista impoluto (espécie em vias de extinção como o lince da malcata, mas da qual também existirão, em todo o mundo, meia-dúzia de exemplares) cumprimentar um cleptocrata, um «Prémio Nobel da Paz» cumprimentar um genocida. Umas palavrinhas de circunstância e já está.
Dizer: «Temos confiança no governo angolano e no trabalho que tem desenvolvido, o que tem permitido que Angola tenha hoje um prestígio internacional, que tenha subido na consciência internacional e que seja hoje um dos países mais falados e mais reputados» como disse, há dias, José Sócrates é ir muito para além das palavras de circunstância e atingir o elogio subserviente.
(Remorsos de ex-colonizador? Preço do barril de petróleo? Tudo junto e algo mais?).
Organizações como a Transparency International, Human Rights Watch, Amnistia Internacional consideram Angola um dos países mais corruptos do mundo e esta última, no seu relatório de Setembro de 2007, entre outras coisas pouco abonatórias das práticas do poder angolano, afirma: «Um facto que preocupa seriamente a Amnistia Internacional é que o poder legislativo não tenha adoptado legislação que proíba e penalize claramente a tortura, os maus tratos e outros tratos ou penas cruéis, desumanos ou degradantes».
Para um país «dos mais reputados» não está nada mal. Ou devemos considerar «faits divers» a corrupção e todo o tipo de atropelos aos direitos humanos e, então, perceber melhor as palavras do nosso (salvo seja) primeiro-ministro?
PM
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