Incréu impenitente, assumido contumaz a fugir de confessionários, virgem em matéria de água benta, alérgico a hóstias por questões digestivas, e, finalmente convertido, eis-me, Jesus, a teu lado na cruzada contra o apóstolo dissidente, o luso patrioteiro que aceita o cargo de embaixador informal do regime carniceiro da Arábia Saudita, o nababo Cristiano Aveiro que, como todos os nababos, não entrará no Reino de Deus (Mateus 19:23-25). (Um pequeno esclarecimento, Jesus: este Mateus aqui citado não foi guarda-redes do Sporting de Braga, a cidade santa da revolução, segundo um hortelão muito católico que oficiou no Mosteiro de São Bento da Saúde, durante quarenta anos).
E agora, mesmo sem intermediação de padreca, vou confessar-te, Jesus: apesar dos fortes pontapés com que a cada momento tratas a Gramática, apesar das tuas frequentes demonstrações de olímpica e orgulhosa ignorância em tudo o que fica à margem do eixo bola-redonda-botas-de-pitons, apesar dos quatro campeonatos que perdeste, nos sete anos que passaste na Catedral da Luz, estás perdoado!

