segunda-feira, 8 de junho de 2009
UM IMENSO ADEUS
Vieram logo as cartas - longas e minuciosas. Diariamente. Ela escrevia também. O que era o espírito de caserna? E todos os dias nos jornais procurava os mortos em combate, não para saber se ele tinha morrido, porque as cartas chegavam rápidas e os comunicados oficiais dos mortos não, mas para saber notícias dele e dos terrenos. A guerra não teria fim, «minha querida Ana», só tinha aquela vantagem de transformar pessoas em heróis - a longa distância - em poetas - o amor em palavras. Era outro António Augusto, eles estavam os dois dentro dum livro, dentro dum filme. A guerra era justa? - Era injusta. A guerra tinha fim? - Não tinha fim. A guerra era natural? - Era cruel.
Ela sabia: os aviões bombardeavam com napalm as populações, os homens vivendo entre homens - Missão de Soberania - ficavam gélidos e repugnantes.
NOTÍCIAS DA PIOLHEIRA
O ESSENCIAL

A vida não está fácil para os condóminos do edifício 'Heron-Castilho'.
Agora, depois da fraca exibição do ponta de lança Vital e com a pesada derrota da última jornada, já só falta a chicotada psicológica ao treinador do S. Bento Futebol Clube.
(Os sócios do tercceiro anel já acenam com os lenços brancos).
domingo, 7 de junho de 2009
UM IMENSO ADEUS

«L'idée du bonheur est le type même du malentendu. Pourquoi le bonheur? Pourquoi faudrait-il que nous soyons heureux? De quoi pourrait bien se nourrir un sentiment si général, si abstrait, et pourtant si lié à la vie quotidienne? Quelle que soit l'idée qu'on s'en fait, le bonheur est simplement un accord entre le monde et l'homme; il est une incarnation. Une civilisation qui fait du bonheur sa quête principale est vouée à l'échec et aux belles paroles. Il n'y a rien qui justifie un bonheur idéal, comme il n'y a rien qui justifie un amour parfait, absolu, ou un sentiment de foi totale, ou un état de santé perpétuelle. L'absolu n'est pas réalisable: cette mythologie ne résiste pas à la lucidité. La seule vérité est d'être vivant, le seul bonheur est de savoir qu'on est vivant.»
sábado, 6 de junho de 2009
PONTOS DE VISTA
sexta-feira, 5 de junho de 2009
UM IMENSO ADEUS
Fiz da vida um jogo de uma periculosidade tão íntima, tão cordata, que a minha morte ainda que lenta, natural, não poderá ser mais que um assassinato inscientemente premeditado, de que vos ilibo. Ah, o ar da colina planando alto não tem generosidade, respirai compassadamente a escassez, a orla do íngreme.
ESTADOS E ESTADOS

Num clepto-estado europeu, os eleitores podem optar pelas roubalheiras de uns e as roubalheiras de outros.
Num narco-estado africano, os eleitores podem optar pelas rajadas de metralhadora de uns e as rajadas de metralhadora de outros.
Convenhamos que a civilização e a barbárie têm as suas diferenças.
(E se há por aí alguém a pensar que me refiro a Portugal e à Guiné-Bissau, eu nego).
VITALIDADES (FIM)
quinta-feira, 4 de junho de 2009
NOTÍCIAS DA PIOLHEIRA

«Em pleno ano de 2009, o governo de Portugal e instituições portuguesas como a Universidade de Coimbra, escolheram um caminho oposto ao descrito acima. No primeiro semestre desse ano essas instituições apoiaram a realização de um concurso para escolher as Sete Maravilhas Portuguesas no Mundo. Na lista das Sete Maravilhas a serem votadas pelo público na internet (http://www.7maravilhas.sapo.pt), constam não somente o Castelo São Jorge da Mina (Elmina), entreposto comercial fundado pelos portugueses em 1482, mas também a Cidade Velha (Ribeira Grande) na Ilha de Santiago em Cabo Verde, além de Luanda e da Ilha de Moçambique. Ao descrever esses sítios, a organização do concurso optou por omitir o uso desses lugares para o comércio de escravos. No texto descrevendo o Castelo São Jorge da Mina ou Elmina chegou-se ao cúmulo de afirmar que aquele local foi entreposto de escravos somente a partir da ocupação holandesa em 1637.
Para ser fiel à história e moralmente responsável, consideramos que a inclusão desses “monumentos” no dito concurso deveria ser acompanhada de informações completas sobre o papel deles no tráfico atlântico, assim como sobre seu uso atual.»
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(Texto completo e petição aqui: http://www.petitiononline.com/port2009/petition.html )
UM IMENSO ADEUS
«Os Alentejanos têm fama de ser um povo hospitaleiro, amigo do seu amigo. Adoptamos fraternalmente como nossos todos aqueles que aqui buscam forma de vida e connosco labutam. Tenho igualmente por certo que estes 'alentejanos novos' facilmente se reconhecem e interiorizam como gente deste sul. Mesmo aqueles que por breve aqui passam, encantados ficam com a magia desta terra transtagana e, na estatística da memória, é mais um alentejano da diáspora. Este sentimento é profundamente sentido pelos amigos que por este sul já andarilharam.»
VITALIDADES 11

«'Flexi-segurança' ou 'flexigurança'? Se quisermos seguir as versões dominantes em outras línguas ('flexicurity' em Inglês, 'flexicurité' em Francês, 'flexicuridad' em Espanhol), devemos optar pela segunda versão ('flexigurança'), a qual, além de mais curta e mais expressiva da ideia que quer veicular (fusão de flexibilidade com a segurança), tem a vantagem de evitar a cacofonia da primeira.»
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Vital Moreira, 'O Edite Estrela II'
Causa Nossa 17-9-2007
quarta-feira, 3 de junho de 2009
VITALIDADES 10
terça-feira, 2 de junho de 2009
GUERRILHA DE COMADRES

O Partido Socialista (versão socretina) que tanta indignação tem mostrado pelo aproveitamento político do 'caso Freeport', vem, agora e em plena campanha eleitoral, aproveitar-se do 'caso BPN' para atacar fortemente o PSD.
Edificante.
Para os distraídos e falhos de memória, aqui fica um pequeno lembrete: são estes os partidos que alternam em S. Bento, há mais de trinta anos.
Está tudo dito!
VITALIDADES 9
segunda-feira, 1 de junho de 2009
UM IMENSO ADEUS
«Ao mesmo tempo que nos envelhece, a vida vai-nos ensinando pequeninas e grandes coisas. Destas, uma delas é que certos homens como que têm o pudor de se revelarem tais quais são: exigem de nós outros que escavemos até encontrarmos a rocha dura em que assentam; outra, é que tal alicerce, se é rochoso, não pode ser senão a estrutura moral do indivíduo; e outra ainda é que não há vida moral autêntica sem a clara consciência dos valores positivos e dos negativos, sem aquilo a que se poderá chamar, em linguagem pretensiosa, mas precisa, a difícil dialéctica do bem e do mal.»
NUNCA FIANDO

Corre na net (e eu já assinei) uma petição de um grupo de cidadãos que, sobre o projecto para o Terreiro do Paço, pretende apenas isto: « Os abaixo-assinados solicitam à CML e ao Governo que procedam, quanto antes, à abertura de um período de discussão pública antes de se iniciar o projecto de execução ou (pelo menos) antes do concurso ser lançado.»
Verifico com estupefacção que vários subscritores mantêm o anonimato, o que me sugere uma pergunta que pode ser formulada de duas maneiras:
- Ainda? Trinta e cinco anos depois?
ou
- Já? Trinta e cinco anos depois?
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Nota: Quem quiser subscrever a petição, anonimamente ou não, pode utilizar o 'link' que está no 'post' «Terreiro do Paço», aqui mesmo em baixo.
VITALIDADES 8
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