domingo, 21 de agosto de 2016

NÃO MATEM A COTOVIA


Um editor de frente e de perfil


André Jorge, o editor da Cotovia, que morreu esta sexta-feira, foi uma figura marcante na história recente da edição em Portugal. A editora que ele criou com o seu irmão atravessou, com um programa que revela uma enorme resistência e teimosia, as dificuldades e contingências da vida editorial.
Público

1 comentário:

Daniel Nobre Mendes disse...

Cotovia- Manuel Bandeira

- Alô, cotovia!
Aonde voaste,
Por onde andaste,
Que saudades me deixaste?
- Andei onde deu o vento.
Onde foi meu pensamento
Em sítios, que nunca viste,
De um país que não existe . . .
Voltei, te trouxe a alegria.
- Muito contas, cotovia!
E que outras terras distantes
Visitaste? Dize ao triste.
- Líbia ardente, Cítia fria,
Europa, França, Bahia . . .

- E esqueceste Pernambuco,
Distraída?

- Voei ao Recife, no Cais
Pousei na Rua da Aurora.

- Aurora da minha vida
Que os anos não trazem mais!

- Os anos não, nem os dias,
Que isso cabe às cotovias.
Meu bico é bem pequenino
Para o bem que é deste mundo:
Se enche com uma gota de água.
Mas sei torcer o destino,
Sei no espaço de um segundo
Limpar o pesar mais fundo.
Voei ao Recife, e dos longes
Das distâncias, aonde alcança
Só a asa da cotovia,
- Do mais remoto e perempto
Dos teus dias de criança
Te trouxe a extinta esperança,
Trouxe a perdida alegria.