quinta-feira, 29 de setembro de 2016

DE OUTROS

As patologias do poder podem conduzir aos mais terríveis descalabros morais. Infelizmente, Portugal tem sido alvo de oligarquias que gravitam, impunemente, no universo da Imprensa, quando a Imprensa perde a sua peculiar dignidade. 
Estamos num tempo desses, ou num tempo afim. Vozes dignas, jornalistas honrados, têm sido enxovalhados ou postos de parte por uma clique desaforada que as circunstâncias colocaram no poder. Este epifenómeno acontece quando as sociedades se deixaram conduzir pela mediocridade de um mando abusivo mas poderoso. Há anos que, em Portugal, o episódio renasceu, quando um indivíduo inescrupuloso e desprovido de qualquer centelha de talento foi colocado na direcção de um importante semanário. Sobre ser um medíocre, que as circunstâncias colocaram no poder, e o alvoroço desses tempos admitiu sem prudência, o indivíduo prosseguiu uma carreira, no equilíbrio comum a qualquer bandalho. 
A força de alguns jornalistas que se lhe opuseram e, cedo, foram marginalizados não constituiu obstáculo suficientemente forte para se opor ao descalabro. O semanário no qual o indivíduo mandava mantinha-se numa estabilidade que as circunstâncias propiciavam. Depois, fundou um outro jornal do mesmo tipo, desequilibrado e coxo de ideias. Uma desgraça apenas suportada pela finança exterior. 
É neste horizonte manhoso e infeliz que pode realmente não soçobrar um jornal de tal jaez, e a ascensão de um indivíduo desapossado do mínimo resquício de talento. As perseguições a quem lhe desagrada e os afastamentos progressivos de profissionais competentes marcam o drama. Drama que se reflecte pela Imprensa, com maior ou menor zelo. Com as raras excepções que se conhecem, e que enfrentam, com orgulho e tenacidade, as várias tecnologias de um poder vário, disseminado e muitíssimo perigoso - porque dispõe de dinheiro e de momentânea força.

Baptista-Bastos
CM

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