sexta-feira, 19 de agosto de 2016

DE OUTROS

 Marques Mendes tem ar de poder servir, com a ajuda de uma cabeleira loura, de modelo para um anjo de Rubens – mas é mesmo só ar. De santinho ele nada tem, e para o caso de não terem reparado, o seu nome anda a fazer tangentes a episódios muito duvidosos. Na questão dos escândalos dos vistos gold – descrito pelo juiz Carlos Alexandre como “um lamaçal” –, o seu nome apareceu associado a vários arguidos, dos quais foi sócio na empresa JMF Projects & Business, implicada no caso.
Depois, descobriu-se que também tinha andado a pedir favores ao presidente do Instituto dos Registos e Notariado, António Figueiredo – cuja filha era sócia de Marques Mendes na empresa JMF –, para obter a nacionalidade portuguesa para dois cidadãos estrangeiros. Um deles a mulher de “um tipo de grande prestígio, talvez o maior empresário de Moçambique”. O outro a nora do fundador do grupo Pão de Açúcar: “É muito importante, porque eles vão investir muito dinheiro em Portugal”. Na entrevista ao Observador, Marques Mendes garantiu que era “jurista, sempre”, e não lobista, nem facilitador. Pois bem: não se nota. Digamos que é a sua queda para os eufemismos, que o levou a chamar “pecadilhos” às pressões que fez na RTP, tal como em tempos chamou “reencaminhamento de mails” a pressões junto da PT. Em 2007, a propósito de uma polémica envolvendo a Universidade Atlântica, o chefe de gabinete de Marques Mendes respondeu aos jornalistas com a seguinte frase: “Não se lembra de nada e o que sabe é que está tudo bem”. Essa frase merecia estar inscrita no seu cartão de visita. 
João Miguel Tavares
Público

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