sexta-feira, 19 de agosto de 2016
A GARGALHADA DO MILÉNIO
“Não devemos confundir os empresários com os supostos empresários que constituem ilicitamente as suas riquezas, recebendo comissões a troco de serviços que prestam ilegalmente a empresários estrangeiros desonestos, ou que façam essas fortunas à custa de bens desviados do Estado ou mesmo roubados".
José Eduardo dos Santos
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1 comentário:
COSTA ANDRADE É DEPUTADO PELO MPLA!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
IN "TODOS OS SONHOS, "Antologia da Poesia Moderna Angolana", União dos Escritores Angolanos, 2005
AUTOBIOGRAFIA
Não existe mais
a casa onde nasci
nem meu Pai
nem a mulambeira
da primeira sombra.
Não existe o pátio
o forno a lenha
nem os vasos e a casota do leão.
Nada existe
nem sequer ruínas
entulho de adobes e telhas
calcinadas.
Alguém varreu o fogo
a minha infância
e na fogueira arderam todos os ancestres.
CELA COMUM
I
É preciso estar-se convencido de estar vivo
para estar vivo
mesmo que as paredes falem,
embrutecido o olhar.
Mas quantos são
o que vivendo
sabem que viver
é ter presente a terra recusada?
Ladrões e assassinos
mendigos e drogados
um velho murmura as suas rezas
e o poeta jovem
preso no átrio da sua faculdade
canta as flores úmidas
das noites importadas;
não despertados ainda
não acordaram para a noite
que os domina.
II
Não há navios negreiros nas baías,
o mercado da venda dos escravos
é parte da estratégia nova
que o país inteiro já tem dono
bebe whisky e chama-se yanquee.
É GRATA
É grata esta certeza de encontrar
Após luas mais pesadas que cidades
Venceremos a palavra escrita em cada tronco do Maiombe.
Caia um braço as pernas fiquem pelas mulolas
Farrapos de pele nas espinheiras
Os olhos não!
Os olhos vejam
a ambicionada luz que se negara
antes de fevereiro
Teus lábios molhados de poesia
Condensada em gotas de cacimbo
cantam com os rios.
Túmidos estão os seios das mães e as folhas verdes
os mortos
agora já são vivos para sempre.
A FLOR DA CHUVA...
... e a flor da chuva no capim
tem mais perfume
abertas bem abertas estão as mãos
para abraçar esta manhã sem nuvens
ontem (ñ importa já o pôr-do-sol nas buganvílias)
ontem (murchas estão agora as flores
das coisas que eram coisas nada mais)
ontem havia medo até no caminhar das rolas sobre a areia.
A poesia de hoje é a voz do povo
todo o mundo o mundo até de algum silêncio persistente
quer romper a mancha que da noite inda nos fala.
Oh admirável sangue a pulsar em cada estrela
o sol é negro e ilumina
a imensidão deste perfume
que nos traz a flor da chuva
o sol é negro e brilha dos vulcões
de cada peito independente.
Madrugada de fevereiro.
Sou angolano!
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