


Eram estes os clubes lá de casa. Para além do vermelho das camisolas, não tinham mais nada em comum. Nem as razões da simpatia que eram variadas, como aqui explico:
O Desportivo de Beja era o clube da terra, fruto da fusão do Luso e do União, onde a geração anterior tinha mostrado as suas aptidões para o futebol e triplo salto.
O Despertar era o único clube federado do mundo que tinha um guarda-redes zarolho. Era o Libânio, filho da tia Zefa, tio do Zeca Vaca Peidosa e vizinho lá do bairro (e até defendia bem, desde que as bolas aparecessem do lado do olho que via).
O Salgueiros tinha emprestado o campo Vidal Pinheiro para um comício do general Norton de Matos e essas coisas, ao tempo, tinham a sua importância para o chefe da tribo.
O Benfica tinha por lema «Um por todos, todos por um» (em latim, para dar, talvez, um toque erudito) o que, trocado por miúdos, significava solidariedade, sentimento que, ainda hoje, se cultiva na família, apesar da moda neoliberal do «salve-se quem puder».
Ora bem, tantos anos depois, mantenho as minhas opções clubísticas, apesar de os três primeiros militarem humilde mas honradamente nos campeonatos distritais e o Benfica, a passos lentos mas firmes, se preparar para lhes fazer companhia (basta que continuem as contratações a peso de ouro de craques para jogarem 'playstation' na enfermaria, superiormente orientados por 'mister' Quique).
Juro: aconteça o que acontecer, continuarei no meu posto a gritar vivas ao 'Desportivo', ao 'Despertar', ao 'Salgueiros', ao 'Benfica' porque é na desgraça que a solidariedade mais se justifica.
Sou solidário!. Disse.
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PM