"No “Observador”. Ali, onde se juntam a extrema-direita do PSD e a extrema-direita do CDS, aliando, à Bolsonaro, o populismo neoliberal ao ultraconservadorismo beato, está a ser formado uma espécie de Tea Party português."
Daniel Oliveira
Expresso
(Passo a passo, timidamente, eufemisticamente, vai sendo reconhecido o que há muito venho assinalando: o 'Observador' é um jornal javardo-fascistóide.)
quarta-feira, 6 de março de 2019
HÁ HORAS DE SORTE
Neto de Moura pondera exigir até 100 mil euros a quem o "ofendeu"
RAP e Bruno Nogueira, João Quadros e Diogo Batáguas, Mariana Mortágua e Joana Amaral Dias. O juiz vai interpor ações contra todos eles. E pedir indemnizações entre 10 mil e 100 mil euros. Quanto às custas judiciais, não é claro se o o juiz pode beneficiar de isenção nas ações em causa: Associação Sindical de Juízes diz que não.(DN)
A TAL "ESCOLA DE CIDADANIA AVANÇADA" (SEGUNDO O ALEGRE POETA)
Coronel que liderou Regimento dos Comandos é arguido por falsificação de provas
Processo instaurado no Ministério Público junto do Tribunal da Relação de Lisboa, em Junho de 2017, está relacionado com o curso em que morreram os instruendos Hugo Abreu e Dylan da Silva.
Público
terça-feira, 5 de março de 2019
O DESEMBARGADOR AMADO
Sustentado pela vasta influência da parentela, fora com efeito levado, sem abalos nem choques, numa ascensão gradual e confortável, até à sua poltrona de damasco vermelho da Relação de Lisboa. Aí se deixara cair com o peso da sua obesidade, e cruzando as mãos sobre o estômago, começara a ruminar regaladamente. Que de modo nenhum se creia que eu queira diminuir com azedume os méritos deste varão obeso: quero somente mostrar a natureza, toda de indolência e de egoísmo, do Desembargador Amado, ocupado em se nutrir com abundância, atento exclusivamente ao jogo das suas funções, assustado se a bexiga, ou o baço, ou o fígado denunciavam alterações, sem ter coragem de se mexer do sofá durante noites inteiras, completamente desinteressado dos homens – e mesmo de Deus.
O nosso imortal José Estêvão, vendo-o um dia entrar numa recepção em casa do chorado duque de Saldanha, exclamou, designando-o com um verso conhecido de Juvenal:
– Aquele ventre que ali vem, é o Amado!
Era com efeito um ventre, que em certos dias da semana punha sonolentamente os óculos, e assinava com a mão papuda, onde os colegas lhe indicavam com o dedo; da sua ciência jurídica, nada direi, para não envergonhar as paredes e os móveis deste quarto onde escrevo; da sua honestidade, sei que a sua grande fortuna e as suas propriedades de Azeitão o tornavam indiferente às tentações do dinheiro: mas condenaria Jesus e absolveria o mau ladrão, se o peitassem com um casal de patos bem gordos ou com um salmão fresco do rio Minho.
Fazia, ao comer a sopa, um glou-glou nojento e repelente, e atirava para o soalho os escarros que merecia na face.
Eça de Queiroz
In 'O Conde de Abranhos'
A CARTILHA DOS NETOS DA MOURAMA
UMA VEZ POR OUTRA DAR UMA SURRA NA MULHER É ALGO SAUDÁVEL: TU PODES NÃO SABER POR QUE ESTÁS BATENDO, MAS ELA SEMPRE SABE POR QUE ESTÁ APANHANDO.
Provérbio árabe
segunda-feira, 4 de março de 2019
Carta ao sr. Neto de Moura
Senhor Neto de Moura. Não nos conhecemos, felizmente. Digo felizmente porque, embora o jornalismo me obrigue, de quando em vez, a contactar com as catacumbas da sociedade, prefiro, como dizia o famoso Bartleby do Herman Melville, não o fazer.
A verdade é que gostaria de o processar. Não tenho muita paciência para tribunais e os juízes metem-me algum horror, porque já vi em acção alguns exemplares como o senhor. Também não tenho muito tempo livre e a justiça é lenta. Depois, é verdade que não tenho muito dinheiro e, já se sabe, a justiça é cara.
Eu tenho um problema de saúde: perante o asco, tenho vómitos. Às vezes também tonturas. As últimas decisões que tomou provocaram-me problemas de saúde. Talvez isso seja um motivo para o processar. Fico literalmente doente ao ver a sua, vá lá, doença com as mulheres. O prejuízo para a minha saúde dos seus acórdãos pode ser um motivo para um processo.
O meu problema com situações asquerosas é uma razão porque evitei, até este momento, escrever sobre o acórdão em que o senhor invocou a Bíblia e considerou exemplares – no sentido de lhe servirem de exemplo — as sociedades que apedrejam as mulheres adúlteras para “acentuar que o adultério da mulher é uma conduta que a sociedade sempre condenou e condena fortemente (e são as mulheres honestas as primeiras a estigmatizar as adúlteras)” e por isso a dita sociedade “vê com alguma compreensão a violência exercida pelo homem traído, vexado e humilhado pela mulher”. O senhor, vindo lá das cavernas de onde fala, está a infringir a Constituição, mas nem dá por isso – assim como os seus colegas que lhe aplicaram a advertência. Os senhores metem-me medo. E não há sociedade mais doente do que aquela que fica com medo da justiça.
Eu sinto-me humilhada, vexada pelo senhor e a sua repugnante ideia de “sociedade”, mulheres e adultério. Acho que o senhor não me respeita e ofende todas as mulheres deste país. O adultério não é crime, a não ser na sua cabeça que me abstenho de qualificar ainda mais. A questão é que o senhor é juiz e põe em causa a segurança das pessoas, desde que sejam mulheres. Isso ofende-me. A ideia de lhe dar um soco na cara até me pode passar, assim de repente, pela cabeça, mas não o farei. No meu quadro moral e seguindo os preceitos da lei e Constituição, acho que a violência física não é de todo desculpável – nem contra um juiz que a desculpa.
Ana Sá Lopes
Público
É CHATO SER SACO DE PANCADA
Associação de Juízes defende Neto de Moura: “Um juiz também tem direitos, não é apenas um saco de pancada”
Expresso
Tem toda a razão a Associação de Juízes. Acontece que as Associações de Mulheres (frequentadoras e não frequentadoras de workshops de maquilhagem) também dizem que as mulheres têm direitos e não são apenas sacos de pancada. Mas há juízes que não entendem as coisas bem assim.
OH MOURA DESEMBARGADOR, CÁ ESTÁ MAIS UMA A PEDIR CHAPADAS
Ciclista suíça obrigada a parar por se aproximar da prova dos homens
Nicole Hanselmann estava quase a apanhar os ciclistas que tinham partido 10 minutos antes.
Nicole Hanselmann estava a competir na Omloop Het Nieuwsblad, uma prova de ciclismo pela Bélgica que ocorreu este sábado, quando a organização a obrigou a parar por se estar a aproximar da competição masculina. Os ciclistas tinham saído 10 minutos antes da prova feminina arrancar.
CM
domingo, 3 de março de 2019
EU SOU JUDEU ALEMÃO, MULHER AGREDIDA, POLÍTICO E HUMORISTA!
Neto de Moura processa todos os que o criticaram
O QUE DISSERAM DELE
O QUE DISSERAM DELE
“Uma advertência destas faria sentido se for enrolada, enfiada no rabo do juiz. Pode parecer chocante, o juiz se calhar discorda, mas há um precedente bíblico. Em Levítico 3: 17, o Senhor disse a Moisés: e enrolarás a advertência e enfiá-la-ás no rabo do juiz”
Ricardo Araújo Pereira
“Gente que Não Sabe Estar”, 10 de fevereiro
“A presença de Neto de Moura nos tribunais é uma ameaça à segurança das mulheres”
Mariana Mortágua
Twitter, 25 de fevereiro
“Este magistrado do Tribunal da Relação do Porto é um perigo para a segurança pública”
Joana Amaral Dias
Facebook, 25 de fevereiro
“Como é que um animal irracional de um juiz destes anda à solta num tribunal? Precisa é de uma coleira e de uma trela e açaime”
Bruno Nogueira
“Tubo de Ensaio”, 27 de fevereiro
Do EXPRESSO
O EMBARGO AO DESEMBARGADOR
"Aparentemente, segundo Neto de Moura, a dor e a humilhação manifestam-se mais quado lhe beliscam o ego do que quando agridem a soco o tímpano de uma mulher".
Bruno Nogueira
"Estamos mesmo arrependidos de só ter feito este. Para a semana fazemos mais"
João Quadros
"Um juiz machista que coloca em causa a segurança das mulheres não deixa de ser um juiz machista que coloca em causa a segurança das mulheres só porque se ofende que digam que é um juiz machista que coloca em causa a segurança das mulheres"
Mariana Mortágua
"Eu acho que o juiz Neto de Moura vai ter de processar a maioria do país, porque neste país as pessoas sabem que a violência doméstica é um crime e as sentenças do juiz Neto de Moura tentam legitimar e atenuar a violência doméstica, humilhando mulheres, e isso é inaceitável."
"O que grave é que alguém como Neto Moura continue a ser um juiz. Eu acho que, com todo o respeito pela separação de poderes, a magistratura tem de olhar para este caso, porque Neto Moura continuar a produzir as sentenças que tem produzido é um insulto a todos os magistrados deste século"
Catarina Martins
"Ele tem o direito de se sentir ofendido, eu tenho o direito de dizer coisas que potencialmente o ofendem. Há pessoas que acham que têm o direito a não ser ofendidas. É impossível não ofender pessoas. Ele ofende-me com as considerações que faz nos acórdãos. E tem todo o direito de se sentir ofendido com o que eu digo."
Ricardo Araújo Pereira
“Tenho uma ideia para o juiz Neto de Moura: era fazer uma lista de quem não disse mal dele. Tenho a certeza de que há alguém. Pelo menos a familia e a associação sindical dos juízes. E processa todo o resto do país. É pedir as listas de eleitores e vai por ali fora”
Fernanda Câncio
Do Expresso
Bruno Nogueira
"Estamos mesmo arrependidos de só ter feito este. Para a semana fazemos mais"
João Quadros
"Um juiz machista que coloca em causa a segurança das mulheres não deixa de ser um juiz machista que coloca em causa a segurança das mulheres só porque se ofende que digam que é um juiz machista que coloca em causa a segurança das mulheres"
Mariana Mortágua
"Eu acho que o juiz Neto de Moura vai ter de processar a maioria do país, porque neste país as pessoas sabem que a violência doméstica é um crime e as sentenças do juiz Neto de Moura tentam legitimar e atenuar a violência doméstica, humilhando mulheres, e isso é inaceitável."
"O que grave é que alguém como Neto Moura continue a ser um juiz. Eu acho que, com todo o respeito pela separação de poderes, a magistratura tem de olhar para este caso, porque Neto Moura continuar a produzir as sentenças que tem produzido é um insulto a todos os magistrados deste século"
Catarina Martins
"Ele tem o direito de se sentir ofendido, eu tenho o direito de dizer coisas que potencialmente o ofendem. Há pessoas que acham que têm o direito a não ser ofendidas. É impossível não ofender pessoas. Ele ofende-me com as considerações que faz nos acórdãos. E tem todo o direito de se sentir ofendido com o que eu digo."
Ricardo Araújo Pereira
“Tenho uma ideia para o juiz Neto de Moura: era fazer uma lista de quem não disse mal dele. Tenho a certeza de que há alguém. Pelo menos a familia e a associação sindical dos juízes. E processa todo o resto do país. É pedir as listas de eleitores e vai por ali fora”
Fernanda Câncio
Do Expresso
E QUE TAL EMBARGAR A OBRA DO MOURA DESEMBARGADOR?
Ficou provado no processo que, desde 2013 até meados de 2017, pelo menos uma vez por semana, após o consumo excessivo de bebidas alcoólicas, o arguido dizia, aos gritos, que a mulher era “uma puta, uma vaca, que só tinha amantes, porca e que ela não valia nada” e, por vezes, também berrava: “eu mato-te!”. Ficou igualmente provado que, durante o referido período, em momentos não concretamente apurados, o arguido agrediu fisicamente a mulher mediante bofetadas, que a atingiam na cabeça e membros superiores, ao mesmo tempo que a insultava, resultando para a mulher hematomas, edemas, escoriações e dores. Ficaram também provadas as ameaças com um objecto – eventualmente uma pistola -, os murros que perfuraram o tímpano da mulher e as ameaças com uma catana.
Para Neto de Moura, contudo, a única situação, devidamente concretizada de violência física foi aquela em que o arguido desferiu vários socos na mulher atingindo-a nas diferentes zonas da cabeça, incluindo os ouvidos, provocando-lhe perfuração do tímpano esquerdo. E acrescenta, lapidar: "todas as outras situações são de ofensas verbais e ameaças”. As bofetadas, ao longo dos anos, terão sido verbais? E os hematomas, edemas, escoriações e dores, terão sido o resultado das ofensas verbais ou das ameaças?
Ou ainda: a certa altura, o desembargador Neto de Moura afirma que se, em tempos, a violência doméstica era desvalorizada, actualmente “têm-se acentuado os sinais de uma tendência de sentido contrário, em que a mais banal discussão ou desavença (dentro do casal) é logo considerada violência doméstica”. Para demonstrar esta tendência acrescenta Neto de Moura: “Repare-se que, neste caso, está descrito como um acto de violência doméstica sobre a mulher o facto de o arguido, na presença dela, se queimar com cigarros e cortar-se “para demonstrar que não tinha medo de morrer”. Isto é, para Neto de Moura o facto de alguém se cortar e se queimar com cigarros perante o companheiro para demonstrar que não tem medo de morrer, faz parte de uma banal discussão ou desavença dentro do casal.
Francisco Teixeira da Mota
Público
Para Neto de Moura, contudo, a única situação, devidamente concretizada de violência física foi aquela em que o arguido desferiu vários socos na mulher atingindo-a nas diferentes zonas da cabeça, incluindo os ouvidos, provocando-lhe perfuração do tímpano esquerdo. E acrescenta, lapidar: "todas as outras situações são de ofensas verbais e ameaças”. As bofetadas, ao longo dos anos, terão sido verbais? E os hematomas, edemas, escoriações e dores, terão sido o resultado das ofensas verbais ou das ameaças?
Ou ainda: a certa altura, o desembargador Neto de Moura afirma que se, em tempos, a violência doméstica era desvalorizada, actualmente “têm-se acentuado os sinais de uma tendência de sentido contrário, em que a mais banal discussão ou desavença (dentro do casal) é logo considerada violência doméstica”. Para demonstrar esta tendência acrescenta Neto de Moura: “Repare-se que, neste caso, está descrito como um acto de violência doméstica sobre a mulher o facto de o arguido, na presença dela, se queimar com cigarros e cortar-se “para demonstrar que não tinha medo de morrer”. Isto é, para Neto de Moura o facto de alguém se cortar e se queimar com cigarros perante o companheiro para demonstrar que não tem medo de morrer, faz parte de uma banal discussão ou desavença dentro do casal.
Francisco Teixeira da Mota
Público
sábado, 2 de março de 2019
sexta-feira, 1 de março de 2019
A RALAÇÃO
- Tá lá? É da Ralação do Porto? É só para avisar que a Ana Plácido e o Camilo Castelo Branco já cumpriram as penas e até já morreram. É que estamos em 2019... Como o tempo passa depressa, não é?
Não têm calendário por causa dos cortes do Centeno? Eh pá, vão à Internet! O quê? Não sabem o que é a Internet? Ah, pois, já me esquecia, vocês ainda estão no século XIX.
quinta-feira, 28 de fevereiro de 2019
OS QUE INVESTEM
Equipa de gestão e fundo Atena compram LeYa à Trilantic Capital Partners
Três gestores da LeYa e o fundo de investimento Atena compraram o grupo editorial aos ingleses da Trilantic Capital Partners, accionista desde 2010 e que desde Julho de 2018 detinha a totalidade do capital da editora (Público)
Quando leio notícias sobre 'investidores' para quem livros, cebolas ou alheiras de Mirandela são apenas produtos que podem dar lucro, lembro-me sempre do Vespeira, Marcelino Vespeira, pintor surrealista e tudo, e de uma conversa que testemunhei.
Um engenheiro das obras, inteligente como um tijolo burro e culto como uma marreta, estava a ver a vida a correr para trás. A construção estava parada e a bolsa de valores estava num caos, depois do Cavaco Silva ter avisado os transeuntes para não comprarem gato por lebre.
E foi aí que entrou um 'especialista' para recomendar ao engenheiro das obras, inteligente como um tijolo burro e culto como uma marreta, um 'investimento' seguro - arte. Avançou mesmo um nome muito bem 'cotado', Vespeira, e prontificou-se para arranjar um encontro. E o encontro deu-se. Na minha presença, graças a Deus, como dizem os crentes agradecidos. Foi assim a conversa:
Engenheiro (inteligente como um tijolo burro e culto como uma marreta) - Senhor Vespeira, não conheço a sua obra, mas disseram-me que os seus quadros estão muito bem cotados e eu quero investir.
Vespeira - Pois se não conhece a minha obra e quer investir, pode ir investir para o Campo Pequeno. Boa tarde.
O Vespeira saiu disparado e o candidato a investidor ficou, durante dez minutos, a mugir e a dizer palavrões, como se acometido por uma crise de coprolalia, tal e qual como um touro bravo no curro à espera de ordem de soltura e de uma oportunidade para investir.
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