sábado, 7 de janeiro de 2017
HERÓIS DOS BANCOS, POBRE POVO, NAÇÃO GEMENTE
"Acho que é chegada a altura de assumir que, finalmente, acertámos no grande desígnio de Portugal: somos uma nação que salva bancos. O primeiro país a abolir a pena de morte e a ter uma complacência infinita para com os banqueiros. Merecíamos um Luís de Camões capaz de narrar esta nova epopeia. Vistas bem as coisas, já gastámos mais dinheiro a salvar bancos que nos Descobrimentos."
João Quadros
Jornal de Negócios
UM QUEIJO LIMIANO COM ORELHAS DE BURRO
Via do Infante. Deputado do BE ameaça chumbar Orçamento
O Orçamento do Estado para 2018 ainda está longe, mas já há um deputado do BE que o ameaça chumbar. A declaração é feita por João Vasconcelos que, enquanto ativista, aprovou e assinou uma moção da Comissão de Utentes da Via do Infante que, na prática, recomenda a si próprio o voto contra o próximo Orçamento caso não sejam eliminadas as portagens naquela estrada algarvia.
"I"
(O Orçamento do Estado em vigor tem sete dias de vida, mas há um deputado do BE que já ameaça votar o OE do próximo ano "à queijo limiano" ao contrário. Será que o homem é só apressado ou também será lorpa?)
O Orçamento do Estado para 2018 ainda está longe, mas já há um deputado do BE que o ameaça chumbar. A declaração é feita por João Vasconcelos que, enquanto ativista, aprovou e assinou uma moção da Comissão de Utentes da Via do Infante que, na prática, recomenda a si próprio o voto contra o próximo Orçamento caso não sejam eliminadas as portagens naquela estrada algarvia.
"I"
(O Orçamento do Estado em vigor tem sete dias de vida, mas há um deputado do BE que já ameaça votar o OE do próximo ano "à queijo limiano" ao contrário. Será que o homem é só apressado ou também será lorpa?)
sexta-feira, 6 de janeiro de 2017
BOAS NOTÍCIAS
Pacheco Pereira lança site baseado no seu arquivo pessoal
O politólogo e cronista da SÁBADO, Pacheco Pereira lançou o site Ephemera, um complemento do blogue com o mesmo nome, que pretende ajudar a difundir "o arquivo privado mais público de Portugal". Na nova plataforma, aparece uma história do arquivo, as suas raízes na biblioteca da família Pacheco Pereira, uma descrição dos principais fundos e colecções, eventos, trabalhos de investigação, exposições e publicações.
A criação do novo site é, segundo o colunista da SÁBADO, mais uma etapa para alcançar o objectivo final: "constituir uma Associação Cultural Ephemera, com o objectivo de explorar os fundos existentes e as oportunidades de investigação, publicações e exposições, com um enquadramento institucional de uma associação sem fins lucrativos". " O passo seguinte, dependendo das mudanças na lei das Fundações, de modo a adapta-la a pequena e médias Fundações e não só às grandes, ao modelo do que já existe noutros países, é constituir uma Fundação e tornar público o património do arquivo/biblioteca", explicou o antigo deputado do PSD.
O arquivo de Pacheco Pereira tem 5 quilómetros e inclui detalhes sobre a vida do País e dos seus protagonistas nos últimos 50 anos - todos guardados na casa do político na Marmeleira. (Sábado)
https://ephemerajpp.com/2016/12/23/novo-site-do-ephemera/
quinta-feira, 5 de janeiro de 2017
ORA PORRA
José Vítor Malheiros, jornalista fundador do 'Público' e seu colunista nos últimos dezasseis anos, anunciou o fim da colaboração no jornal.
Devo dizer que há uma certa lógica em tudo isto. Com efeito, nas páginas de um periódico financiado pelas mercearias 'Continente', dirigido por um neocon, ex-assessor de Durão Barroso e ex-director do jornal de extrema-direita 'Observador', com uma linha editorial que se pode resumir, em português trumpista, a "There is no alternative", as crónicas contra-corrente assinadas por José Vítor Malheiros desafinavam. Com a sua saída, o 'Público' fica mais coerente.
E, a propósito, como não podia deixar de ser, lá vem novamente o Álvaro de Campos com o seu grito de alerta e versos certeiros:
Ora porra!
Então a imprensa portuguesa é
que é a imprensa portuguesa?
Então é esta merda que temos
que beber com os olhos?
Filhos da puta! Não, que nem
há puta que os parisse.
quarta-feira, 4 de janeiro de 2017
MOMENTO DE POESIA
Faz-se Luz
Faz-se luz pelo processo
de eliminação de sombras
Ora as sombras existem
as sombras têm exaustiva vida própria
não dum e doutro lado da luz mas no próprio seio dela
intensamente amantes loucamente amadas
e espalham pelo chão braços de luz cinzenta
que se introduzem pelo bico nos olhos do homem
Por outro lado a sombra dita a luz
não ilumina realmente os objectos
os objectos vivem às escuras
numa perpétua aurora surrealista
com a qual não podemos contactar
senão como amantes
de olhos fechados
e lâmpadas nos dedos e na boca
Mário Cesariny, in "Pena Capital"
de eliminação de sombras
Ora as sombras existem
as sombras têm exaustiva vida própria
não dum e doutro lado da luz mas no próprio seio dela
intensamente amantes loucamente amadas
e espalham pelo chão braços de luz cinzenta
que se introduzem pelo bico nos olhos do homem
Por outro lado a sombra dita a luz
não ilumina realmente os objectos
os objectos vivem às escuras
numa perpétua aurora surrealista
com a qual não podemos contactar
senão como amantes
de olhos fechados
e lâmpadas nos dedos e na boca
Mário Cesariny, in "Pena Capital"
terça-feira, 3 de janeiro de 2017
BOAS NOTÍCIAS
Eduardo Galeano com novas edições em português
A Antígona vai iniciar a publicação das obras do uruguaio Eduardo Galeano. O famoso ensaio "As Veias Abertas da América Latina", uma das novidades da editora para 2017, sai já em fevereiro.
segunda-feira, 2 de janeiro de 2017
SOBRE IGNORÂNCIA
A ascensão da nova ignorância
Nada é mais significativo e deprimente do que ver pessoas que estão juntas, mas que quase não se falam, e estão atentas ao telemóvel.
Entre os temas tabu dos nossos dias está a ignorância. Parece que falar da ignorância coloca logo quem o faz numa situação de arrogância intelectual, o que inibe muita gente de a nomear. Mas não há muita razão para se enfiar essa carapuça, tanto mais que o problema é enorme e está agravar-se e a assumir novas formas, socialmente agressivas. Acompanha outro tipo de fenómenos como o populismo, a chamada “pós-verdade”, a circulação indiferenciada de notícias falsas, e, o que é mais grave, a indiferença sobre a sua verificação. Não explica, nem é a causa de nenhum destes fenómenos, mas é sua parente próxima e faz parte da mesma família. É, repetindo uma fórmula que já usei, como se de repente se deixasse de ir ao médico, e se passasse a ir ao curandeiro.
(...)
A antiga ignorância era vista como um problema da sociedade e a nova é vista como um “progresso”, ou como uma tendência contra a qual é inútil lutar. Isso tem muito que ver com uma ideologia corrente face às novas tecnologias, em particular aquelas que têm imediatos efeitos sociais como os telemóveis, as redes sociais, e certos modos de usar os videojogos, a realidade virtual e mesmo o computador e a televisão.
O primeiro efeito nefasto dessa ideologia é a crença de que são as novas tecnologias que estão a mudar a sociedade. É o contrário. É a mudança da sociedade que potencia o uso de determinadas tecnologias, que depois acentuam os efeitos de partida. Muitas tecnologias de “contacto” — como programas de “presentificação”, que fazem as pessoas olharem para os seus telemóveis centenas de vezes por dia, e os adolescentes, na vanguarda desta nova ignorância juntamente com os seus jovens pais adultos, passarem o dia a enviarem mensagens sem qualquer conteúdo — só têm sucesso porque se deu uma deterioração acentuada das formas de sociabilidade interpessoais, substituídas por um Ersatz de presença e companhia tão efémero que tem de estar sempre a ser repetido. Sociedades sem relações humanas de vizinhança, de companhia e amizade, sem interacções de grupo, sem movimentos colectivo de interesse comum dependem de formas artificiais e, insisto, pobres, de relacionamento que se tornam aditivas como a droga.
(...)
Ainda há-de alguém convencer-me que este comportamento lá por usar tecnologias modernas representa uma vantagem e não uma patologia. Faz parte de sociedades em que deixou de haver silêncio, tempo para pensar, curiosidade de olhar para fora, gosto por actividades lentas como ler, ou ver com olhos de ver. E se olharmos para os produtos de tanta página de Facebook, de tanta mensagem, de tanto comentário não editado, de tanta “opinião” sobre tudo e todos, escritas num português macarrónico e cheio de erros, encontramos fenómenos de acantonamento, de tribalização, de radicalização, de cobardia anónima, de ajustes de contas, de bullying num mundo que tem de ser sempre excitado, assertivo e taxativo. Um dos maiores riscos para o mundo é ter um presidente dos EUA que governa pelo Twitter como um adolescente, com mensagens curtas, sem argumentação, que, para terem efeito, têm de ser excessivas e taxativas.
J. Pacheco Pereira
Público
domingo, 1 de janeiro de 2017
TERRORISMO
Duplo atentado provoca pelo menos 25 mortos em Bagdad
Os atentados aconteceram num dos mais movimentados mercados da capital iraquiana.
PÚBLICO
sábado, 31 de dezembro de 2016
PROMOVAM O BEATO DAS NEVES A 'SÃOTINHO', JÁ!
Em 2017 [sic] Portugal era governado pela extrema-esquerda e vivia uma das maiores crises da sua história. Foi então que na serra de Aire, no meio do país mais profundo e atrasado, aconteceu alguma coisa. Ninguém pode negar que ali, naquele canto perdido da nação rural, aconteceu alguma coisa. Nem sequer a elite intelectual, então no poder, que se negou a aceitar o sucedido, o consegue negar. O povo, que a extrema-esquerda tanto despreza como crédulo, boçal, supersticioso, acorreu em massa, junto com as classes abastadas, também desprezadas. Mas até a imprensa do regime divulgou o acontecimento extraordinário. Fátima aconteceu.
Passaram cem anos. Portugal é de novo governado pela extrema-esquerda e vive uma das maiores crises da sua história. O país já não é rural e atrasado, e a serra de Aire deixou de ser um canto perdido. É mesmo a maior atração internacional de uma economia onde o setor do turismo é dos poucos dinâmicos. Neste ano, em maio, de novo em Fátima, vai acontecer alguma coisa que ninguém, nem sequer a elite intelectual e a imprensa do regime, pode negar. Multidões de todo o mundo vão confluir para aquele cantinho da serra. São pessoas tão variadas que ninguém pode classificar como povo boçal ou classe abastada. Fátima persiste.
João César das Neves
DN
Passaram cem anos. Portugal é de novo governado pela extrema-esquerda e vive uma das maiores crises da sua história. O país já não é rural e atrasado, e a serra de Aire deixou de ser um canto perdido. É mesmo a maior atração internacional de uma economia onde o setor do turismo é dos poucos dinâmicos. Neste ano, em maio, de novo em Fátima, vai acontecer alguma coisa que ninguém, nem sequer a elite intelectual e a imprensa do regime, pode negar. Multidões de todo o mundo vão confluir para aquele cantinho da serra. São pessoas tão variadas que ninguém pode classificar como povo boçal ou classe abastada. Fátima persiste.
João César das Neves
DN
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