Este é o Governo onde tantos ministros sabem tão pouco. A antecessora de Luís Neves não sabia “o que correu mal” na resposta à calamidade, porque simplesmente desconhecia o que deveria ter corrido bem.
A ministra da Saúde, que folga as costas quando outros estão debaixo de fogo, não sabe explicar por que razão todos os indicadores do SNS se degradam, incluindo o dos gastos (a área “está num caminho de insustentabilidade financeira”, vaticinou ontem o oráculo Passos Coelho).
O ministro da Agricultura, mais um em tournée nacional para mostrar que o Governo “está no terreno”, chega a Coimbra para um encontro com autarcas e desata a perorar para a comunicação social, sem dizer água-vai aos presidentes de Câmara que o esperavam. Se não sabe o básico, haja alguém que o ensine. Foi o que fez Ana Abrunhosa com uma descompostura em público como nunca se viu um autarca dar a um ministro. Carregadinha de razão, como o próprio ministro admitiria.
O ministro dos Negócios Estrangeiros, cuja única ambição parece ser receber o prémio de funcionário do mês da Casa Branca, garante que o acordo das Lajes não diz o que o acordo das Lajes diz. Lê-se no papel, preto no branco, que “qualquer utilização pelos EUA das instalações” das Lajes que não cumpra determinados requisitos “deverá ser objeto de autorização prévia”. Que requisitos? No essencial, utilizar a base no âmbito de missões ou operações militares aprovadas pela NATO ou por “outras organizações internacionais de que ambas as partes sejam membros”. E o que diz o Dr. Rangel quando os EUA utilizam as Lajes para um eventual ataque ao Irão sem qualquer mandato internacional? Que Trump pode fazer nas Lajes o que lhe aprouver.
Filipe Santos Costa
CNNP
.png)