E para terminar o tema André Ventura, e uma vez terminado também este ciclo infernal de quatro eleições em nove meses, é de esperar que as televisões agora nos dêem tréguas do homem, deixando de o acompanhar todos os dias, de manhã à noite, e correspondendo, sem falhar, a todos os pretextos e oportunidades que ele cria para ser notícia. De facto, nem recuando ao salazarismo tenho memória de algum político com tanto tempo de atenção mediática: no Estado Novo, tínhamos Salazar ou Américo Thomaz quase diariamente; agora, temos Ventura, infalivelmente, todos os santos dias. Não desfazendo nos seus méritos de tribuno, de populista e de demagogo, ele deve muito, muito mesmo, à infatigável presença de câmaras à sua volta, desde as saídas da missa até aos seus esforços a fingir que apaga incêndios.
Miguel Sousa Tavares
Expresso
