sexta-feira, 23 de março de 2018

GUERRA COLONIAL - O CRIME CONTINUADO

De 1961 a 1967 o Estado português só pagava a ida e o regresso aos militares vivos, não o dos mortos. Quem queria trazer os seus familiares tinha de pagar e quanto mais longe morria o militar mais caro: a trasladação de corpos de Angola custava à família 10 mil escudos (o que equivaleria a cerca de 4000 euros aos preços de hoje); trazer um corpo de Moçambique era ainda mais caro, 12 mil escudos; da Guiné, ficava um pouco mais barato, 7500 escudos, lembra o livro de Aniceto Afonso e Carlos Matos Gomes, Os Anos da Guerra Colonial 1961 — 1975 (QuidNovi).
As famílias dos mais pobres, por norma soldados e cabos, eram as que não tinham dinheiro para mandar trazer os corpos. Por isso, os que permanecem enterrados até hoje em Angola, Guiné-Bissau e Moçambique são sobretudo soldados e cabos. 
Público