sexta-feira, 28 de abril de 2017

OS MOÇOS DE FRETES

"Depois de uma era de jornalistas e diretores de jornais cheios de ambições políticas, os Portas ou Rebelos de Sousa, em Portugal as administrações começaram a promover os jornalistas de pequenas ambições, mais de natureza económica. Como acontece no resto da sociedade, também na imprensa a componente política teve de se subordinar aos interesses financeiros. Os diretores deixaram de ser personagens políticas e começaram, em muitos casos, a ser "funcionários de carreira jornalística" à espera de chegar a um cargo num grupo empresarial ou numa fundação e que, pelo caminho, vão colocando as fake news necessárias.
(...)
Em Portugal, no - à época - principal jornal económico do país, assisti a um diretor que entrava pela redação e mandava os jornalistas a recibo verde fugir pelas escadas de incêndio, porque estava a entrar no edifício uma inspeção de trabalho. O mesmo diretor, que mais tarde foi trabalhar para a PT, sempre que uma pequena revista do mesmo grupo escrevia um artigo crítico sobre a PT aparecia, esbaforido, a dizer que assim não dava, que íamos ter problemas. E os problemas vieram: a pequena mas rentável revista foi fechada e todos os jornalistas despedidos. Ricardo Espírito Santo Salgado queixara-se à administração por a revista retratar os banqueiros "como se fôssemos vigaristas". E que, se a revista continuasse, tirava a publicidade aos outros jornais do grupo. O jornalismo crítico vende pouco em Portugal."

Miguel Szymanski
DN

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