terça-feira, 21 de março de 2017

'BOTAS', O PATRIOTA

Exilados de Portugal

Todo um conjunto de criadores e pensadores simplesmente lançados ao mar por Salazar, o que não o impede de ainda ser um “patriota” na imaginação de alguns em 2017.
1. Salazar foi aquele espécime que em 1940 negou nacionalidade a Vieira da Silva-Arpad Szenes quando eles fugiam dos nazis, ao mesmo tempo que inaugurava em Belém uma grandiosa exibição do “Mundo Português”, com as suas “províncias ultramarinas”. A guerra devorava a Europa e quem acolheu Vieira e Arpad foi a primeira das ex-colónias portuguesas: o Brasil. Sete anos durou esse exílio, quase matando Vieira. Agora, uma exposição com vários inéditos dá uma ideia do que os dois artistas criaram durante a temporada brasileira, apesar de tudo.

2. Ela portuguesa, ele judeu húngaro, Vieira e Arpad tinham-se conhecido no meio das Belas Artes em Paris, estavam casados havia uma década. E “acordaram apátridas numa manhã veranil, quando se encontravam de férias com amigos na Ilha de Ré, em França”, escreve Marina Bairrão Ruivo, directora do Museu Arpad Szenes-Vieira da Silva, em Lisboa, curadora desta mostra. Mesmo com ameaça nazi, a ditadura portuguesa determinou que Arpad não ganhasse cidadania e Vieira a perdesse. “Fugidos de França e recusados em Portugal”, aterraram no Rio de Janeiro trazendo toda uma sombra.

Alexandra Lucas Coelho
Público

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