domingo, 19 de fevereiro de 2017

O TRUMPISMO EXPLICADO AOS LUSO-TRUMPISTAS


"Mas o facto é que, nos tempos que correm - e mais nos que aí vêm -, não nos podemos dar ao luxo de ser esquisitos com aqueles que mais se aproximam dos nossos ideais, que os representam ou que menos se afastam deles. Podem não ser, e às vezes não são, as mais estimáveis criaturas do globo, nem as mais próximas dos padrões de respeitabilidade cristã e cívica; serão até seres básicos, contraditórios, com vidas ou passados complicados, só que as escolhas em política são quase sempre escolhas entre dois inconvenientes. É daqui que vem a história do "mal menor", que foi, é e será a triste sina da direita portuguesa - e de outras direitas europeias, condenadas durante muitos anos a opções que vão enfraquecendo a sociedade e o país no seu vagaroso mas inexorável caminho para a decadência.
Ora a eleição de Trump - como antes o brexit - representa uma reacção, talvez não muito estruturada, e com certeza pouco sofisticada, mas apesar de tudo uma reacção contra essa decadência, contra a rendição sem batalha e em nome dos incertos dogmas de duvidosa origem que vieram com o celebrado "fim da história". É uma reacção encabeçada por alguém de quem não se esperaria tal, um multimilionário de Queens, sem formação política ou ideológica, uma "celebridade" com fortuna oriunda do imobiliário e da hotelaria. Difícil de engolir para intelectuais e académicos, mesmo de direita."
Jaime Nogueira Pinto
DN

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