terça-feira, 31 de janeiro de 2017

NÃO AOS RATOS DE ESGOTO



Petição contra visita oficial de Trump ao Reino Unido ultrapassa um milhão de assinaturas



Deputados britânicos pedem que Trump não discurse no parlamento na visita ao Reino Unido
Expresso

2 comentários:

Daniel Nobre Mendes disse...

para trump e cia só regados com gasolina!

Os Ratos

Viviam sempre contentes,
No seu buraco metidos,
Quatro ratinhos valentes,
Quatro ratos destemidos.
Despertaram certo dia
Com vontade de comer,
E logo à mercearia
Dirigiram-se a correr.
O primeiro, o mais ladino,
A uma salsicha saltou,
E um bocado pequenino
Dessa salsicha papou.
Eu choro do rato a sina,
Que a tal salsicha matou,
Por causa da anilina
Com que alguém a colorou.
O segundo, coitadinho,
À farinha se deitou,
E comeu um bocadinho,
Um bocadinho bastou.
Após comer a farinha
Teve ele a mesma sorte,
Pois o alúmen que ela tinha
Conduziu-o assim à morte.
O terceiro, pra seu mal,
Gotas de leite sorveu,
Mas o leite tinha cal;
Foi por isto que ele morreu.
O quarto, desmiolado,
A negra morte buscou,
E julgou tê-la encontrado,
Quando o veneno encontrou.
E sorvendo sublimado,
Enquanto este gastava,
(Agora invejo-lhe o fado),
O feliz rato engordava.
É só cá neste terreno,
Que caso assim é passado —
Até o próprio veneno
Já fora falsificado!

Fernando Pessoa

Daniel Nobre Mendes disse...

para trump e cia só regados com gasolina!

Os Ratos

Viviam sempre contentes,
No seu buraco metidos,
Quatro ratinhos valentes,
Quatro ratos destemidos.
Despertaram certo dia
Com vontade de comer,
E logo à mercearia
Dirigiram-se a correr.
O primeiro, o mais ladino,
A uma salsicha saltou,
E um bocado pequenino
Dessa salsicha papou.
Eu choro do rato a sina,
Que a tal salsicha matou,
Por causa da anilina
Com que alguém a colorou.
O segundo, coitadinho,
À farinha se deitou,
E comeu um bocadinho,
Um bocadinho bastou.
Após comer a farinha
Teve ele a mesma sorte,
Pois o alúmen que ela tinha
Conduziu-o assim à morte.
O terceiro, pra seu mal,
Gotas de leite sorveu,
Mas o leite tinha cal;
Foi por isto que ele morreu.
O quarto, desmiolado,
A negra morte buscou,
E julgou tê-la encontrado,
Quando o veneno encontrou.
E sorvendo sublimado,
Enquanto este gastava,
(Agora invejo-lhe o fado),
O feliz rato engordava.
É só cá neste terreno,
Que caso assim é passado —
Até o próprio veneno
Já fora falsificado!

Fernando Pessoa