quinta-feira, 24 de novembro de 2016

DIVULGAÇÃO


2 comentários:

Daniel Nobre Mendes disse...

O CANTE DA MINHA PÁTRIA- Texto já divulgado em "A DITA E O BALDE"

Morna, lenta, profunda, polifónica, a voz da terra fala de antanho em suaves melodias mansas, únicas, numa mistura longínqua grega- árabe-cristã melismática e, depois, hodierna, amanhada no olho das eras.
É o plangor arrastado das gentes mourejantes, debruçadas na planura, que comem a terra com passos de cadência- são requebros de corpos e almas, lado a lado, de braços apertados, vagidos, brados, rufares, clamores, aflições e gritos profundos rasgando as entranhas vermelhas de velho sangue quente de ganhões amorenados, ainda residentes ou agora migrantes.
É o cante, a carne, expressão dos longes, que penetra sentimentos de raiz de origem quase animal, o óvulo e o sémen que me geraram.
Esse cantar, dependurado dos meus olhos enxutos de escutar as distâncias sozinhas, calmosas de ouro, traduz uma das pátrias de todos os universos humanos que em mim se dão e acontecem em girândolas incendidas no mais fundo do meu ser telúrico abrangente, afectivo e cultural.
É a voz dos meus pais mais antigos e a dos meus manos mais jovens que se escuta, cá dentro, no respeitoso silêncio da nossa Alma Colectiva Alentejana, ferrada por sóis, nos horizontes de fogo.
É a moda do meu doce catre transtagano, ninho menino, a lição da minha escola de sempre:
Essa moda embala-me no tempo distante de hoje quando digo até amanhã ao dia que volta logo mais cedo porque é a minha mãe viva dentro das minhas entranhas de gente!

Novembro 2014 Daniel Nobre Mendes


Daniel Nobre Mendes disse...

O CANTE DA MINHA PÁTRIA- Texto já divulgado em "A DITA E O BALDE"

Morna, lenta, profunda, polifónica, a voz da terra fala de antanho em suaves melodias mansas, únicas, numa mistura longínqua grega- árabe-cristã melismática e, depois, hodierna, amanhada no olho das eras.
É o plangor arrastado das gentes mourejantes, debruçadas na planura, que comem a terra com passos de cadência- são requebros de corpos e almas, lado a lado, de braços apertados, vagidos, brados, rufares, clamores, aflições e gritos profundos rasgando as entranhas vermelhas de velho sangue quente de ganhões amorenados, ainda residentes ou agora migrantes.
É o cante, a carne, expressão dos longes, que penetra sentimentos de raiz de origem quase animal, o óvulo e o sémen que me geraram.
Esse cantar, dependurado dos meus olhos enxutos de escutar as distâncias sozinhas, calmosas de ouro, traduz uma das pátrias de todos os universos humanos que em mim se dão e acontecem em girândolas incendidas no mais fundo do meu ser telúrico abrangente, afectivo e cultural.
É a voz dos meus pais mais antigos e a dos meus manos mais jovens que se escuta, cá dentro, no respeitoso silêncio da nossa Alma Colectiva Alentejana, ferrada por sóis, nos horizontes de fogo.
É a moda do meu doce catre transtagano, ninho menino, a lição da minha escola de sempre:
Essa moda embala-me no tempo distante de hoje quando digo até amanhã ao dia que volta logo mais cedo porque é a minha mãe viva dentro das minhas entranhas de gente!

Novembro 2014 Daniel Nobre Mendes