quarta-feira, 5 de outubro de 2016

SUGESTÃO


1 comentário:

Daniel Nobre Mendes disse...

Óssip Mandelstam, in "FOGO ERRANTE", "Relógio d’ Água", 2001(Poeta Russo exterminado por Estaline em 1936)


Vivemos sem sentir o país sob os pés,

Nem a dez passos ouvimos o que se diz,

E quando chegamos enfim á meia fala

O montanheiro do Kremlin lá vem à baila.

Dedos gordurosos como vérmina gorda,

As palavras certas como pesos de arroba.

Riem-se-lhe os bigodes de barata,

Reluzem-lhe os canos da bota alta.






À volta a escumalha – guias de fino pescoço –

Nas vénias da semigente ele brinca com gozo.

Um assobia, o outro geme, aquele mia,

Só ele trata por tu, escolhe companhia.

Como ferraduras, lei ‘trás de lei ele oferta,

Em cheio na virilha, olho e sobrolho e testa.

Cada morte que faz – crime malino

E o peitaço tem amplo, ossetino.