quarta-feira, 21 de setembro de 2016

DE OUTROS

Ao apresentar um livro que faz revelações não autorizadas e deontologicamente ilegítimas sobre vida privada de figuras públicas Passos Coelho não se limita a associar-se a um ato reprovável. Dá-lhe legitimidade pública. Porque a privacidade de Paulo Portas, Morais Sarmento, Pedro Santana Lopes e outros não vale menos do que a sua, Pedro Passos Coelho legitima a devassa futura da sua própria vida privada. Sem qualquer limite, como acontece no livro de José António Saraiva. O direito à privacidade e à intimidade fazem parte de valores fundamentais da vida em sociedade e em democracia e os atores políticos têm o dever de os proteger. Alguém que sanciona e participa numa violação descarada e abjeta destes valores é indigno de ocupar cargos políticos. Alguém que apresenta um livro onde se revelam pormenores da vida íntima e sexual de aliados e adversários seus não pode ter funções de responsabilidade pública. Passos Coelho tem de recusar o convite que aceitou. Se insistir, estreia uma nova forma de fazer política. E tem de ser responsabilizado por isso.

Daniel Oliveira

Expresso

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