segunda-feira, 14 de março de 2016

UM CASTELO NA LAPA

Foi lá pelos idos de 1968/ 69. Salazar estava balhelhas - o porradão na cabeça, quando caiu da cadeira, deixara mossas irreversíveis. Sem seu consentimento ou sequer conhecimento, 'clandestinamente', pois, o Cabeça de Abóbora tinha-o substituído pelo Marcelo (o outro Marcelo, não este que está na moda) na chefia do governo. Numa espécie de argumento para o filme 'Good-bye, Lenine', foi erguido uma muro de protecção à volta do hortelão de Santa Comba, cuja vigilância estava a cargo de uns maduros da PIDE com a governanta, D. Maria, a fazer de chefe de brigada.
Hermeticamente separado de tudo o que se passava no país, incluindo as peripécias que iam acontecendo no galinheiro do palácio de S. Bento e que sempre acompanhara de perto, o velhinho, com as botas de elástico que lhe aqueciam os pés e coberto de mantas que lhe aqueciam o tronco e os braços, vivia na ilusão de que ainda era presidente do conselho de ministros. E os 'ministros' ajudavam e lá iam 'a despacho' com o velho ditador. 
Com o PaSSos Coelho passa-se algo de muito parecido. Não estou a dizer que ele está tão balhelhas como o Salazar ou que tenho notícia que o 'ministro' Relvas, o 'ministro' Crato ou o 'secretário de Estado' Francisco José Viegas continuam a 'despachar' com ele, embora conste que a 'ministra' Maria Luís lhe pediu parecer, antes de aceitar a ignóbil tachada na Arrow Global. Mas o homezinho apresenta sinais exteriores e tem tiques de quem está convencido que continua a chefiar o governo: ele é o pin nacionaleiro, ele é a inauguração da escola, ele é o discurso 'de Estado'.
Provavelmente, há uma explicação para isto. É que a criatura, que governou o protectorado com a mesma autonomia com que os de Vichy governaram a França, ainda não se apercebeu que a sede do pêpêdê não fica no castelo de Sigmaringen.
Por caridade, apenas por caridade, haja alguém que lhe diga que a senhora Merkel tem mais que fazer e não tem tempo para se preocupar com o futuro dos seus ex-mordomos.