
Pela intervenção do Governo português na libertação de Luaty Beirão/For the intervention of the Portuguese Government in the liberation of Luaty BeirãoPara: Exmº Ministro dos Negócios Estrangeiros, Rui Machete/ Exmº Embaixador português em Angola, João da Câmara
O cantor e activista político Henrique Luaty Beirão é angolano, mas é também um cidadão português ilegalmente detido no estrangeiro. Sabemos que está disposto a dar a vida por causas maiores, como a da liberdade e justiça. Também sabemos que a sua morte pode estar próxima, na sequência da sua longa greve de fome. É obrigação constitucional, ética e moral do Governo português não permitir que aconteça. Temos consciência das dificuldades e complexidade das relações diplomáticas entre Angola e Portugal. Porém, nenhum valor pode erguer-se acima da defesa dos Direitos Humanos. E este é um caso de Direitos Humanos. É imperativo que o Governo português tome uma posição e publicamente exija a imediata libertação de Henrique Luaty Beirão. É também obrigação do Governo português comunicar a sua posição a toda a CPLP bem como a toda a comunidade mundial empenhada na defesa dos princípios da liberdade e da igualdade. Portugal não pode persistir como testemunha silenciosa e passiva de um lento assassinato político sem se tornar seu cúmplice.
Post scriptum: desde que este texto foi escrito, Henrique Luaty Beirão renunciou publicamente do apoio das autoridades portuguesas. Luaty Beirão está em luta pelo povo angolano e deseja ser tratado como cidadão angolano. A sua posição é compreensível e louvável, prova da sua determinação, coragem e abnegação. Ainda assim, entendemos que as autoridades portuguesas não podem, sob pretexto algum, demitir-se das suas obrigações English version: Singer and political activist Henrique Luaty Beirão is Angolan, but he is also a Portuguese citizen illegally arrested abroad. We know he is willing to give his life for greater causes, such as those of liberty and justice. We also know that his death, after his long hunger strike, may come soon. It is the constitutional, ethical and moral obligation of the Portuguese Government to not allow that to happen. We are aware of the hardships and complexities of the Angolan-Portuguese diplomatic relations. Yet, no value can rise higher than that of the defense of Human Rights. And this is as matter of Human Rights. It is imperative that the Portuguese Government takes a stand and publicly demands the immediate liberation of Henrique Luaty Beirão. It is also the obligation of the Portuguese Government to communicate this stand to the all CPLP community as well as to the entire world community committed to the defense of the principles of liberty and equality. Portugal cannot persist as the silent and passive witness of a slow political murder without becoming its accomplice. Post scriptum: since this text was first written, Henrique Luaty Beirão has publicly renounced the support of Portuguese authorities. Luaty Beirão is fighting for the Angolan people and desires to be treated and judged as an Angolan citizen. This stand is understandable and praiseworthy as evidence of his determination, courage and abnegation. Even so, Portuguese authorities may not, under any pretext, resign their obligations Almeida Faria, escritor André E. Teodósio, actor e encenador António Pinto Ribeiro, ensaísta e programador cultural Bruno de Almeida, cineasta Catarina Martins, deputada, líder do Bloco de Esquerda Gus van Sant, realizador Inês de Medeiros, deputada e realizadora Jacques Rancière, filósofo Joaquim de Almeida, actor Jorge Silva Melo, encenador e realizador José Bragança de Miranda, ensaísta José Gil, filósofo Maria de Medeiros, actriz e realizadora Paulo Furtado, músico Pedro Costa, cineasta Rui Chafes, escultor Rui Tavares, historiador e político, líder do Livre Stan Douglas, artista plástico Vanessa Rato, jornalista Víctor Erice, cineasta |