
O CANTE DA MINHA PÁTRIA
MORNA, LENTA, PROFUNDA, POLIFÓNICA, A VOZ DA TERRA FALA DE ANTANHO EM SUAVES
MELODIAS MANSAS, ÚNICAS, NUMA MISTURA LONGÍNQUA GREGA- ÁRABE-CRISTÃ MELISMÁTICA E,
DEPOIS, HODIERNA, AMANHADA NO OLHO DAS ERAS.
É O PLANGOR ARRRASTADO DAS GENTES MOUREJANTES, DEBRUÇADAS NA PLANURA,
QUE COMEM A TERRA COM PASSOS DE CADÊNCIA, SÃO REQUEBROS DE CORPOS E ALMAS,
LADO A LADO, DE BRAÇOS APERTADOS, É UM VAGIDO, BRADO, RUFAR, CLAMOR, UMA AFLIÇÃO
E UM GRITO PROFUNDOS RASGANDO AS ENTRANHAS VERMELHAS DE VELHO SANGUE DE GANHÕES
AMORENADOS, AINDA RESIDENTES OU AGORA MIGRANTES.
É O CANTE, EXPRESSÃO DOS LONGES, QUE PENETRA SENTIMENTOS DE RAIZ DE ORIGEM QUASE
ANIMAL, É O ÓVULO E O SEMEN QUE ME GERARAM.
ESSE CANTAR, DEPENDURADO NOS MEUS OLHOS ENXUTOS DE ESCUTAR AS DISTÂNCIAS
SOZINHAS, CALMOSAS DE OURO, É UMA DAS PÁTRIAS DE TODOS OS UNIVERSOS HUMANOS QUE
EM MIM SE DÃO E ACONTECEM EM GIIRÂNDOLAS INCENDIDAS NO FUNDO DO MEU SER TELÚRICO
ABRANGENTE, AFECTIVO E CULTURAL.
É A VOZ DOS MEUS PAIS MAIS ANTIGOS E A DOS MEUS MANOS MAIS JOVENS- É A MODA DO MEU
BERÇO DE LEITE, A LIÇÃO DA MINHA ESCOLA DE SEMPRE: ESSA MODA EMBALA-ME QUANDO DIGO
ATÉ AMANHÃ AO DIA!...
Daniel Nobre Mendes
Novembro 2014
2 comentários:
TRANSCIÇÃO DE MAIL PARA O DIARIO DO ALENTEJO HOJE
Daniel Nobre Mendes
23:51 (há 1 hora)
para jornal
BOA NOITE-
VENHO, HUMILDE MAS ZANGADO, VENHO, FELIZ MAS ENFURECIDO- VENHO RECLAMAR DO ERRO GROSSEIRO QUE SOBRESSAI DA PUBLICAÇÃO DO MEU TEXTO SOB A EPIGRAFE DE "CARTAS AO DIRECTOR", QUE PARA MIM SE TORNA ÓBVIO MAS QUE PARA O LEITOR, SENDO UM TEXTO LITERÁRIO, É ALÉM DISSO, UMA "CARTA AO DIRECTOR!
ORA, ISSO NÃO É VERDADEIRO NEM DIGNO DA DEONTOLOGIA DOS JORNAIS!
NÃO ESCREVI QUALQUER CARTA AO DIRECTOR DO "DIÁRIO DO ALENTEJO" DE QUE, ALGURES, FUI COLABORADOR E NEM MORO EM BEJA, TODAVIA, CONSIDERAVA MAIS A PUBLICAÇÃO DO MEU TEXTO SE TIVESSEM TIDO A "ORIGINALIDADE" DE DIZEREM QUAL A PROVENIENCIA DAS LINHAS POR VÓS TORNADAS PÚBLICAS EM MEU NOME E EM RELAÇÃO ÀS QUAIS FAREI O DEVIDO REPARO SE O NÃO TIVERDES FEITO ANTES!
ATENCIOSAMENTE SOU,
DANIEL NOBRE MENDES
05-12-2014 9:43:54
O cante
da minha pátria
Daniel Nobre Mendes Beja
Morna, lenta, profunda, polifónica, a voz da terra fala de antanho em suaves melodias mansas, únicas, numa mistura longínqua grega- árabe-cristã melismática e, depois, hodierna, amanhada no olho das eras. É o plangor arrrastado das gentes mourejantes, debruçadas na planura, que comem a terra com passos de cadência, são requebros de corpos e almas, lado a lado, de braços apertados, é um vagido, brado, rufar, clamor, uma aflição e um grito profundos rasgando as entranhas vermelhas de velho sangue de ganhões amorenados, ainda residentes ou agora migrantes.
É o cante, expressão dos longes, que penetra sentimentos de raiz de origem quase animal, é o óvulo e o semen que me geraram. Esse cantar, dependurado nos meus olhos enxutos de escutar as distâncias sozinhas, calmosas de ouro, é uma das pátrias de todos os universos humanos que em mim se dão e acontecem em girândolas incendidas no fundo do meu ser telúrico abrangente, afetivo e cultural.
É a voz dos meus pais mais antigos e a dos meus manos mais jovens. É a moda do meu berço de leite, a lição da minha escola de sempre: essa moda embala-me quando digo até amanhã ao dia!...
TRANSCIÇÃO DE MAIL PARA O DIARIO DO ALENTEJO HOJE
Daniel Nobre Mendes
23:51 (há 1 hora)
para jornal
BOA NOITE-
VENHO, HUMILDE MAS ZANGADO, VENHO, FELIZ MAS ENFURECIDO- VENHO RECLAMAR DO ERRO GROSSEIRO QUE SOBRESSAI DA PUBLICAÇÃO DO MEU TEXTO SOB A EPIGRAFE DE "CARTAS AO DIRECTOR", QUE PARA MIM SE TORNA ÓBVIO MAS QUE PARA O LEITOR, SENDO UM TEXTO LITERÁRIO, É ALÉM DISSO, UMA "CARTA AO DIRECTOR!
ORA, ISSO NÃO É VERDADEIRO NEM DIGNO DA DEONTOLOGIA DOS JORNAIS!
NÃO ESCREVI QUALQUER CARTA AO DIRECTOR DO "DIÁRIO DO ALENTEJO" DE QUE, ALGURES, FUI COLABORADOR E NEM MORO EM BEJA, TODAVIA, CONSIDERAVA MAIS A PUBLICAÇÃO DO MEU TEXTO SE TIVESSEM TIDO A "ORIGINALIDADE" DE DIZEREM QUAL A PROVENIENCIA DAS LINHAS POR VÓS TORNADAS PÚBLICAS EM MEU NOME E EM RELAÇÃO ÀS QUAIS FAREI O DEVIDO REPARO SE O NÃO TIVERDES FEITO ANTES!
ATENCIOSAMENTE SOU,
DANIEL NOBRE MENDES
05-12-2014 9:43:54
O cante
da minha pátria
Daniel Nobre Mendes Beja
Morna, lenta, profunda, polifónica, a voz da terra fala de antanho em suaves melodias mansas, únicas, numa mistura longínqua grega- árabe-cristã melismática e, depois, hodierna, amanhada no olho das eras. É o plangor arrrastado das gentes mourejantes, debruçadas na planura, que comem a terra com passos de cadência, são requebros de corpos e almas, lado a lado, de braços apertados, é um vagido, brado, rufar, clamor, uma aflição e um grito profundos rasgando as entranhas vermelhas de velho sangue de ganhões amorenados, ainda residentes ou agora migrantes.
É o cante, expressão dos longes, que penetra sentimentos de raiz de origem quase animal, é o óvulo e o semen que me geraram. Esse cantar, dependurado nos meus olhos enxutos de escutar as distâncias sozinhas, calmosas de ouro, é uma das pátrias de todos os universos humanos que em mim se dão e acontecem em girândolas incendidas no fundo do meu ser telúrico abrangente, afetivo e cultural.
É a voz dos meus pais mais antigos e a dos meus manos mais jovens. É a moda do meu berço de leite, a lição da minha escola de sempre: essa moda embala-me quando digo até amanhã ao dia!...
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