terça-feira, 28 de outubro de 2014

PÁTRIA

A candidatura do cante alentejano a Património Cultural Imaterial da Humanidade recebeu um parecer positivo de uma comissão internacional de especialistas da UNESCO, revelou hoje à agência Lusa o responsável do processo, Paulo Lima.
“O parecer diz que a candidatura reúne todas as condições”, pelo que “temos fundadas esperanças de que o cante alentejano seja inscrito na lista representativa do Património Cultural Imaterial da Humanidade” pela Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO), declarou.

Segundo o mesmo responsável, também diretor da Casa do Cante, em Serpa, o parecer deste grupo de especialistas costuma ser “bastante vinculativo para a decisão final” do Comité Internacional da UNESCO, que se reúne entre os dias 24 e 28 de novembro, em Paris (França).
"I"

3 comentários:

Eduardo Aleixo disse...

Eis uma noticia boa.
O Alentejo merece.

Daniel Nobre Mendes disse...

MORNO,LENTO,PROFUNDO,POLIFÓNICO,A VOZ DA TERA FALA DE ANTANHO EM SUAVES MELODIAS MANSAS E ÚNICAS.

É A FALA DAS GENTES MOUREJANTES DEBRUÇADAS NA PLANURA A COMER A TERRA COM PASSOS DE CADÊNCIA E REQUEBROS DE CORPOS LADO A LADO,DE BRAÇOS APERTADOS,É UM BRADO, UM CLAMOR,UMA AFLIÇÃO E UM GRITO PROFUNDOS RASGANDO AS ENTRANHAS,É O CANTE EXPRESSÃO DOS LONGES QUE PENETRAM UM SENTIMENTO DE RAIZ DE ORIGEM QUASE ANIMAL,É O SEMEN E O ÓVULO QUE ME GERARAM--ESSE CANTAR É A PÁTRIA QUE PENDURO NOS OLHOS!...

Daniel Nobre Mendes disse...

GRUPO CORAL da CASA DO POVO
de ALBERNÔA

recolha de Pedro Jonas




ALENTEJO, ALENTEJO (Terra sagrada do pão)
Eu sou devedor à Terra
A Terra me 'stá devendo
Eu sou devedor à Terra
A Terra me 'stá devendo
A Terra paga-m'em vida
Eu pago à Terra em morrendo

Alentejo, Alentejo
Terra sagrada do pão
Eu hei-de ir ao Alentejo
Mesmo que seja no Verão
Ver o doirado do trigo
Na imensa solidão
Alentejo Alentejo
Terra sagrada do pão

Daqui para a minha terra
Tudo é caminho e chão
Daqui para a minha terra
Tudo é caminho e chão
Tudo são cravos e rosas
Dispostas por minhas mãos

Alentejo, Alentejo
Terra sagrada do pão
etc.




A ROUPA DE UM MARINHEIRO


A minha mãe coitadinha
Já está farta de chorar
Só por pensar que o seu filho
Vai p'ra vida militar

A roupa do marinheiro
Não é lavada no rio
É lavada no mar alto
À sombra do seu navio

À sombra do seu navio
À sombra do seu vapor
Não é lavada no rio
A roupa do meu amor

Adeus que me vou embora
Adeus que me quero ir
Dá-me os teus braços, amor
Que eu me quero despedir

A roupa do marinheiro
Não é lavada no rio
etc.




Pelo Toque da Viola


Ó luar da meia-noite
Não digas à minha amada
Que eu passei à rua dela
Às quatro da madrugada

Pelo toque da viola,
Já sei as horas que são.
Ainda não é meia-noite,
Já passei um bom serão!
Já passei um bom serão,
Vai dormir vai descansar,
Vai dormir vai descansar,
Amor do meu coração!

Suspirava por te ver,
Já matei a saudade,
Uma ausência custa muito,
A quem ama com verdade!

Pelo toque da viola,
Já sei as horas que são.
etc.





LINDO RAMO VERDE ESCURO
Cantavam dois passarinhos
Cantigas ao desafio
Um no tronco empoleirado
O outro nas margens do rio

Lindo ramo verde-escuro
Ó casa dos passarinhos
Onde cantam docemente
Poisados nesse raminho
Poisados nesse raminho
Cantam sempre ao ar puro
Ó casa dos passarinhos
Lindo ramo verde-escuro

Alentejo dos trigais
Suas vermelhas papoilas
Arrancadas com amor
Por lindas e belas moçoilas

Lindo ramo verde-escuro
Ó casa dos passarinhos
etc.




Ó ERVA CIDREIRA


Se eu tivesse amores
Que me têm dado
Tinha a casa cheia
Até ao telhado

Ó erva cidreira,
Que'stás no alpendre,
Quanto mais se rega,
Mais a folha pende.
Mais a folha pende,
Mais a rosa cheira,
Que'stás no alpendre,
Ó erva cidreira!

Algum dia eu era
Agora já não
Da tua roseira
O melhor botão

Ó erva cidreira,
Que'stás no alpendre,
etc.




Alentejo és Nossa Terra

Quando o melro assobia
Escondido no silvado
Quer de noite, quer de dia
É tão lindo o seu trinado.

Alentejo, que és nossa terra
Ai quem nos dera lá estarmos agora!
Para a mocidade,
Com saudade,
De ouvir cantar, como ouvia outrora!

Terra bela, tão desejada,
Casas singelas de branco caiadas,
Eu nunca esqueço,
Que fostes meu berço,
Lindo cantinho desta Pátria amada!

Quando eu não tinha
Desejava ter
Uma hora no dia
Meu bem p'ra te ver

Alentejo que és nossa terra
Ai quem nos dera lá estarmos agora
etc.