segunda-feira, 6 de maio de 2013

O DESAPARECIMENTO DE UMA FIGURA SINISTRA

Morreu Giulio Andreotti, sete vezes primeiro-ministro de Itália

Ao longo de seis décadas de atividade política foi ministro do Interior, das Finanças, da Defesa e dos Negócios Estrangeiros. Personagem obscura, viu-se envolvido no escândalo Giuffrè (de fraude bancária), em irregularidades ligadas à construção do aeroporto de Fiumicino, em Roma, e em casos mal esclarecidos associados com lojas maçónicas. Enquanto tutelava a Defesa, em 1964, o diretor da polícia militar planeou o golpe de Estado "Piano Solo", que nunca veio a ocorrer. Andreotti ganharia a alcunha "Divo Giulio", referência à expressão latina por que era designado Júlio César, e que viria a dar o nome ao filme "Il Divo", sobre as ligações de Andreotti à Máfia (vencedor do Prémio do Júri no Festival de Cannes de 2008).
Investigado a respeito do assassínio do jornalista Mino Pecorelli, que o acusara de ser mafioso, em 1979, Andreotti foi absolvido após três anos de julgamento, viu a absolvição anulada num recurso em 2002 e confirmada em 2003. Quanto às ligações à Máfia, acabou ilibado por prescrição, tendo o tribunal afirmado que os laços com o crime organizado não só existiam como favoreceram a sua carreira política. Andreotti defendeu-se lembrando as medidas dos seus governos contra a Máfia.
EXPRESSO