domingo, 5 de maio de 2013

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Ana Leal suspensa na TVI: Ataque ao jornalismo


Os poderosos da TVI aproveitaram o momento. Sem ter cometido qualquer falha ética, deontológica ou de lealdade, Ana Leal foi objecto de um inquérito, de que resultou a a abertura de um processo disciplinar, a suspensão e proibição de trabalhar. Esta decisão da administração da TVI é não só injusta como totalmente desproporcionada.
A proprietária da TVI, espanhola, bem como Paes do Amaral, defendem uma informação "institucional", que nunca ponha em causa os principais poderes do país e a sua relação com eles. Embora com excessos formais, a informação no tempo de Moniz e Moura Guedes era livre e irreverente. Atacada pelo governo Sócrates, a TVI cedeu, afastou--os e substituiu-os por José Alberto Carvalho, que é, digamos assim, um respeitador do poder que estiver no momento, e por Judite Sousa, que já formara equipa com ele na TV do Estado.
Carvalho e Sousa encontraram uma redacção com rotinas de liberdade de escolha de temas e empenho no jornalismo de investigação, o qual está precisamente vocacionado para descobrir podres do sistema, como fez aquela reportagem. Essa liberdade de parte da redacção contrariava o tipo de autoridade que a direcção pretende sobre a redacção e os seus critérios editoriais – mais ao género de entrevistar poderosos do que na revelação de podres. No procedimento desproporcional, vexatório e autoritário contra Leal, coincidiram os interesses da dupla Carvalho-Sousa e da administração em domesticar e intimidar a redacção e em fazer um jornalismo ainda mais institucional, com mais fait-divers e reportagens que, digamos assim, não levantem "problemas", nem a eles, nem aos poderosos.
Eduardo Cintra Torres
CM