Garcia Pereira move queixa-crime contra envolvidos nos swaps
O advogado entregou nesta sexta-feira uma queixa-crime na Procuradoria-Geral da República contra cerca de 50 responsáveis, de governantes a gestores de empresas públicas.
António Garcia Pereira apresentou uma queixa-crime contra os envolvidos no caso dos contratos swap subscritos por empresas públicas entre 2003 e 2011. A acção foi entregue nesta sexta-feira na Procuradoria-Geral da República (PGR).
Em declarações ao PÚBLICO, o advogado afirmou que a participação criminal que apresentou “simboliza que os cidadãos deste país não estão mais dispostos a tolerar que coisas destas possam ser feitas e sair impunes”.
Garcia Pereira, que pretende constituir-se assistente caso a PGR decida abrir um processo com base na queixa apresentada nesta terça-feira, referiu-se aos contratos swaps como “negócios de casino financeiro”, sublinhando que “há uma responsabilidade dos gestores e dos responsáveis políticos” envolvidos nesta polémica.
A participação que entregou foi movida contra cerca de 50 pessoas, de entre as quais o antigo e o actual ministros das Finanças, Teixeira dos Santos e Vítor Gaspar, bem como presidentes de empresas públicas, como José Silva Rodrigues (que liderou a Carris e hoje é o responsável máximo do grupo Metro de Lisboa/Carris).
“O facto de haver muitos responsáveis não atenua a responsabilidade individual” de cada um, disse o advogado e dirigente do partido PCTP/MRPP. “Um homicídio cometido em matilha nem por isso deixa de ser homicídio”, frisou.
“Estamos aqui perante crimes de enorme gravidade, havendo indícios de crimes como gestão danosa, participação em negócio e até corrupção porque contratos com esta dimensão normalmente não são celebrados sem que impliquem contrapartidas patrimoniais de qualquer natureza para intermediários e decisores”, referiu.
Público
