quinta-feira, 28 de outubro de 2010

O TIRIRICA PORTUGUÊS

O fenómeno 'Tiririca' dá para rir, mas é um assunto sério. Por trás da figura simpática do palhaço esconde-se gente pouco recomendável, desde beneficiários do 'mensalão', esse generoso rendimento mínimo garantido pelo partido do camarada Lula, a saudosistas da ditadura militar, passando por 'gangsters' diversos de origem e com fins indefinidos.
O 'slogan' "Pior do que tá não fica" funcionou como denúncia da imoralidade reinante nos corredores do poder brasileiro e garantiu ao 'clown' mais de um milhão de votos.
Perigoso, muito perigoso.
Como perigosa, muito perigosa, está a ficar a vida política portuguesa com os espectáculos trágico-cómicos proporcionados pelos artistas que dominam a cena política nacional: a cavacal figura alimentou durante meses um tabu ridículo e risível com a pequena história da sua recandidatura e condiciona toda a sua acção política ao seu pessoal sucesso eleitoral ; o 'challenger' Alegre gagueja, com a sua voz que já foi tonitruante, refém que está do apoio socretino, pelo qual esperou durante meses e que saudou particularmente nas pessoas de Almeida Santos e Sócrates (gente fina!); Sócrates, depois de ter transformado o país num esgoto a céu aberto, passa a vida a esgueirar-se das chuvadas que vão caindo um pouco por todo o lado - casinhas e lixeiras das beiras, licenciaturas independentes e domingueiras, freeports, tvis, lixos siderúrgicos, faces ocultas e outras trampolinices; Coelho, o Passos, com um brilhante curriculo como gestor de lixeiras, neoliberal à transmontana, pretende resolver o cancro do desemprego com uma revisão constitucional que facilite os despedimentos, apoia os PECs socretinos e pede desculpa aos portugueses, dança o tango macabro e grita quando, nas viragens à direita, acaba por ser pisado, descobriu as virtudes do tabu e utiliza-o na novela da viabilização do OE, como se não fosse conhecido o desfecho final; a Assembleia da República merece o respeito devido a qualquer instituição que albergue e consinta no seu seio ricardos - o da acção directa e o faminto.
É em terrenos lavrados e adubados por esta gentalha que nascem e crescem os tiriricas.
Que ninguém se admire, pois, se, brevemente, aparecer alguém, com fatinhos de marca ou roupa de palhaço pobre a gritar "Pior do que tá não fica. Vota em mim que sou o português Tiririca" a candidatar-se, com sucesso, a deputado, a Primeiro-Ministro ou a Presidente da República.
É que os portugueses, que já não têm pão, vão querer, certamente, manter o espectáculo do circo. E o espectáculo é mais genuíno se feito por actores sem disfarces.

3 comentários:

Anónimo disse...

Clap! clap! clap!
Palmas plasmaticas mas sentidas deste lado para um texto magnifico.
Well done Peter!
LG

Anónimo disse...

Cheguei a casa e agora tenho tempo para por este texto no fb.
LG

Eduardo Aleixo disse...

Aplaudo o teu texto, lúcido, e, como sempre, muito bem escrito. Desta vez, embora corrosivo, brilhante, apenas se lamenta que não subscreva outro tipo de realidade. Mas a realidade é esta: decrépita, de realejo roufenho, hipócrita, decadente, nauseabundo. Palco de figuras menores, mas perigosas, será que estas são merecedoras de prosa tão brilhante? Não, não merecem, mas as palavras servem para a denúncia do que cheira mal e para a preparação de um despertar, que, confesso, já tarda.Um abraço.