D. Rosa, regressada à aldeia depois de uma brilhante carreira internacional no sector da prostituição (Casino de Monte Carlo numa primeira e ascendente fase, Cais do Sodré na fase madura e em cura de desgosto de amor, Intendente na fase da irremediável decadência das carnes) passa agora o seu tempo a alimentar um porquito que adoptou e a tentar ensiná-lo a andar de bicicleta. Nos tempos livres deixados pela sua nobre actividade, frequenta a taberna do tio Raminhos onde decilitra uns bagacitos e desfia as suas gloriosas memórias. E, se aconselhada a desistir da sua meritória obra de treinadora de ciclismo, por infrutífera e potencial causadora de traumas psicológicos ao animal, responde com rispidez que desde que viu, num circo, no Mónaco, um porco a fazer de estadista, passou a acreditar em tudo.