quarta-feira, 15 de outubro de 2008

UM IMPERDÍVEL DISCURSO

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Descansem as mentes perversas. Este 'post' não vem a propósito da crise dos mercados nem das intervenções públicas para defesa dos interesses privados.
Acontece, simplesmente, que no decorrer de mais uma (espero que seja a penúltima) arrumação de livros reencontrei o Alberto Pimenta e o seu «Discurso Sobre o Filho-da-Puta» (2ª edição - 'Regra do Jogo', 1979). Julgo que o livro, com mais uma ou duas edições, está esgotado, o que é absolutamente lamentável.
Para quem não leu, aqui fica um pequeno extracto para abrir o apetite:

«os filhos-da-puta (e esse é ainda outro traço seu, o terceiro traço distintivo) conhecem-se bem uns aos outros, pelos lugares que ocupam e só podem ser ocupados por eles; deste modo é fácil associarem-se para fazer as coisas mencionadas e outras, muitas outras, públicas e particulares. Por vezes, negoceiam particularmente o bem público; se isto porém é dito publicamente, ofendem-se porque consideram que se trata de uma ingerência na sua vida particular. Todo o filho-da-puta é altamente cioso da sua vida particular, porque a vida particular dos filhos-da-puta é quase sempre, de uma ou outra maneira, pública. Todo o filho-da-puta tem sempre um motivo público para os seus actos particulares e um motivo particular para os seus actos públicos. Todo o filho-da-puta se sente público, dado que se ocupa e preocupa tanto com os outros; no entanto, o grande desejo dele, do filho-da-puta, é alcançar um modo particular de ser público, um modo quase sempre tão particular que é frequente não se saber onde termina o filho-da-puta público e começa o particular e vice-versa, como é óbvio.»

PM

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