segunda-feira, 20 de outubro de 2008

ATACAR À MÁ-FILA

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Quando um jornal noticia a prisão de um jovem por posse de 6 gramas de haxixe, por norma, não inclui na notícia o nome do pai do detido. Infelizmente, há excepções: o 'Correio da Manhã' e o blogue 'Cibertúlia' acharam por bem associar o nome de Durão Barroso à detenção do seu filho pela prática de um delito menor.

Atacar (politicamente, claro) Durão Barroso é muito fácil. Basta ser frontal e 'pegar' na Cimeira dos Açores e no seu papel de porteiro ou falar da sua vergonhosa deserção do governo para tratar da 'vidinha' em Bruxelas. Aproveitar a leviandade de um filho para o fazer é baixo, é feio, é cobarde.

PM

7 comentários:

Miguel Marujo disse...

não, meu caro, não é um delito menor, quando se defendem determinadas políticas (by the way, a notícia original não é do CM) e mais ainda não é menor quando se tem tráfico de muitas 6 gramas de haxixe (curioso, não falei de quantidades, o Pedro sim) à porta de casa e somos torpedeados pela alegada incapacidade da polícia e pela suposta menoridade do delito. o sr. Pedro viveria bem assim?, claro que não, mas como é junto da casa de outros interessa-lhe pouco...

ah, quanto à frontalidade sobre os ataques políticos, espreite os arquivos desta casa, ou escreva na pesquisa a palavra "Durão": vai ver que aqui falei muitas vezes do que moralmente me tenta impingir como "alto, bonito e corajoso

Miguel Marujo disse...

três exemplos sobre os tais delitos menores:
um durante o Governo Durão-Portas:
- http://cibertulia.blogs.sapo.pt/156374.html,

outros dois já na actual legislatura, para não se acusar de crítica fácil:
- http://cibertulia.blogs.sapo.pt/564046.html
- http://cibertulia.blogs.sapo.pt/1166912.html

Eduardo Aleixo disse...

Sem entrar em profundidades ( que pretensões, Eduardo ! ), lembrei-me de António Sérgio: guerra às ideias e paz aos homens ( a ideia é esta ). Uma sociedade madura, evoluída, como a entento, deve saber distinguir entre crítica política ( guerra à ideias ) e o resto, em que é fácil espezinharmos as pessoas ( sejam de direita ou de esquerda ) dando satisfação aos nossos egos ( já não estamos na Ciência Política, mas sim na Psicologia Individual - freudiana ). Isto que digo não me leva a criticar uma notícia que fale do rapaz ( da droga ), falando também do nome do pai. O nome do pai - pessoa famosa - pode ser uma referência, enfim, um ingrediente da notícia: leiam-me! Em si, é uma notícia, que não envolve o pai. Assim, o mal, o vício, não está na notícia, em si, mas no seu aproveitamento por parte dos leitores, das suas mentes. Alguém poderá dizer: mas os jornalistas fizeram isso, porque sabiam que ao usarem o nome do pai, os ódios dos leitores relativamente ao pai ...etc...Enfim, tema interessante sobre a necessidade de sermos imparciais em certas profissões ( eu sei qe isso da imparcialidade é complexo ). Mas, em última análise, acho que o Pedro se estribava nesta distinção essencial, estrutural, que deveria ser transversal à Esquerda e à Direita, e que consiste em não utilizar a ideologia ( ela mesmo já um conjunto de ideias utilizadas mas não pensadas por ninguém, a despeito de instrumento de mudança social e até de revolução...) para não deixarem as pessoas...SIMPLESMENTE VER certos problemas que atingem tanto os filhos dos Durões como podem também atingir os nossos filhos...
Desculpem lá a prosa avantajada, lamento se prolixa, bem intencionada foi...Como sempre. Mas costuma dizer-se que de boas intençõs está o inferno cheio.
Um abraço para todos.
Eduardo

Carla disse...

o que eu acho é que desta forma o cerne da notícia deixou de ser alguém que foi apanhado com 6 gramas de haxixe, mas sim o facto do filho do Durão Barroso ter sido apanhado com essa droga.
Os seja o fait-divers é que se tornou a notícia...a razão disto acontecer parece óbvia

Anónimo disse...

Enfim... O discurso do contraditório é por si só a confirmação da qualidade do jornalismo subjacente àquela construção de notícia...
Dulce

Anónimo disse...

Enfim... O discurso do contraditório é, por si só, a confirmação do jornalismo subjacente àquela construção da notícia.
Dulce

Miguel Marujo disse...

Gostava que a Dulce me explicasse essa ideia feita. Enfim, mas o jornalismo tem as costas largas, sempre...