O que deveria debater-se urgentemente em Portugal é a ausência de uma classe docente com consciência do que significa ser-se educador no quadro mental de hoje. A guerra, a competição, a tirania do dinheiro, o ódio, o individualismo, a boçalidade, a agressividade, a sexualização das relações amorosas, a redução de tudo à mera dimensão do mercado, o tecnofascismo, a pobreza espiritual e material, a diluição das democracias, a ascensão dos totalitarismos – tudo isso a escola, o educador, a universidade,
Ao professor deve exigir-se hoje que seja muito mais do que o zeloso e obediente funcionário ao serviço do sistema, diligente serventuário do que emana da tutela. Estado deviam pensar.
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É que os estudantes são seres vivos, portadores de uma expectativa em relação à vida e o professor digno desse nome deverá compreender que as gerações mais novas, vítimas da ditadura dos ecrãs, reféns da boçalidade e do ódio que grassam na nossa sociedade, estão hoje vivendo a escola e a universidade sem quaisquer curiosidade, empenho e gosto.
Defendem alguns ministros e ex-ministros que o digital é crucial para preparar os jovens para o mundo tecnológico de hoje e de amanhã. Não concordo. Ao tumulto da excitação permanente das redes sociais que tem como face da mesma moeda a alienação que todos vemos, defendo uma educação com simpatia, uma educação que recusa a formatação e a ideia de que as escolas são a antecâmara do mundo competitivo. E recuso porque, no limite, o que vemos de indisciplina, de desconhecimento, de inconsciência e de violência na educação atual é fruto da perda da espiritualidade quer na formação de professores, quer na prática docente.
António Carlos Cortez )Visão)
