terça-feira, 31 de março de 2026
OS SUBSÍDIOS, OS IMIGRANTES E OS "ALDRABANTES"
Portugueses passam mais tempo a receber subsídio de desemprego que os imigrantes
Estudo do Banco de Portugal estima que os imigrantes estão a receber subsídio de desemprego e outras prestações sociais em menos de 5% do tempo da sua permanência no país.
Público
segunda-feira, 30 de março de 2026
domingo, 29 de março de 2026
sábado, 28 de março de 2026
ÓDIO
PJ realiza buscas na Câmara de Albufeira. Rui Cristina é visado por incitamento ao ódio
SOLIDARIEDADE FASCISTA
A 24 de março de 1976, um golpe na Argentina criou o regime mais sanguinário da região, com requintes de perversidades únicas, como desaparecimento de pessoas, voos da morte e roubo de bebés. A reação da sociedade civil também foi a mais veemente, com uma rede de organismos de direitos humanos. Passado meio século, o governo de Javier Milei bloqueia o acesso aos arquivos, desmantela políticas públicas que permitem justiça e promove uma reinterpretação dos factos, mas há quem resista ao apagar da memória
Expresso
sexta-feira, 27 de março de 2026
ISTO NÃO É UM PAÍS SÉRIO (OU MORRAM OS DOENTES, VIVA A CONTABILIDADE!)
Falta de medicamentos em hospitais. IPO pede fármacos emprestados quase diariamente
Faltam medicamentos em alguns hospitais de Lisboa, levando a que estejam a ser pedidos a outros hospitais do Porto, Faro ou Évora para garantirem o tratamento de doentes. No caso do IPO a lista é extensa e vai desde o paracetamol a fármacos para o cancro.
"Resultado histórico". Contas públicas completaram 2025 com excedente de 0,7% do PIB
De acordo com os resultados provisórios do INE, as Administrações Públicas tiveram um saldo positivo de 2 058,6 milhões de euros em 2025, o que correspondeu a 0,7% do PIB. O valor está acima das previsões do Governo, que previa um excedente de 0,3% do PIB. O Executivo fala num "resultado histórico" que "permite olhar para 2026 com confiança". (RTP)
O ESPINHOSO LARANJAL E A VENTUROSA POCILGA
Ventura anuncia novos nomes para órgãos externos e reitera acordo com PSD
Além do juiz Luís Brites Lameiras para o Tribunal Constitucional, o líder do Chega diz ter acordo com PSD para colocar a votação, para outros órgãos, nomes como Rui Gomes da Silva ou Fernando Silva.
Público
quinta-feira, 26 de março de 2026
ESPINHOSOS SEGREDOS
Spinumviva. Montenegro terá ocultado informações
Luís Montenegro terá ocultado informações a serviços do Estado aos quais pediu pareceres sobre o caso Spinumviva.
DEUS, PÁTRIA, FAMÍLIA, MONSTRUOSIDADE
Prisão preventiva para ex-candidato do Chega suspeito de pedofilia
Ficou em prisão preventiva um ex-candidato autárquico do Chega de Fafe. É suspeito de crimes de abuso sexual da própria filha. (RTPN)
quarta-feira, 25 de março de 2026
LARANJADA OU TUTTI FRUTTI?
Rede do ‘Tutti Frutti’ toma conta do PSD
Carlos Eduardo Reis ganhou a distrital de Braga. Bruno Ventura, apanhado em escutas, substituiu Ângelo Pereira, outro arguido do processo cuja instrução está a terminar.
CM
OS CRIADOS DO PUTIN
Ministro húngaro admite falar com russos (e não só) antes e após reuniões da União Europeia
terça-feira, 24 de março de 2026
A POCILGA PRECISA DE UMA LIMPEZA
Candidato do Chega detido por abuso sexual de menor
Inspetores encontraram computadores e discos com centenas de ficheiros. Homem é ainda acusado de filmar uma mulher, sem autorização, em momentos íntimos. Vítimas têm ligações familiares ao suspeito.
Ler mais: https://www.cmjornal.pt/portugal/detalhe/candidato-do-chega-detido-por-abuso-sexual-de-menor
O HITLER DEMENTE
"Mais perigoso do que um Hitler americano é um Hitler demente": psiquiatra diz que Trump é "narcisista maligno"
segunda-feira, 23 de março de 2026
domingo, 22 de março de 2026
sábado, 21 de março de 2026
A BANALIZAÇÃO DO NACIONAL-PORQUISMO
A normalização do racismo e da xenofobia nunca se fica pela bolha política. Começa no Parlamento, continua na rua, nos cafés e nos transportes públicos, segue para as instituições e para o Estado, instala-se nas políticas públicas e acaba, quando se transformam em senso comum, a ser ensinados a adolescentes como valores da comunidade. Hannah Arendt explicou como as maiores ignomínias só foram possíveis quando o impensável foi banalizado. É a isso que estamos a assistir. Uma geração educada pelas redes e ensinada a aceitar o racismo como um mero ponto de vista oferecer-nos-á as tragédias do futuro.
Daniel Oliveira (Expresso)
sexta-feira, 20 de março de 2026
OS PASSOS DO COELHO
"Seria bom que Passos desse passos para entrar a todo o vapor na política partidária de uma forma mais transparente do que o alimento cínico do sebastianismo.
Passos Coelho deixou uma herança maldita no PSD, mais funda do que se pensa: o abandono da identidade social-democrata, que mal ou bem tinha sobrevivido até Cavaco Silva. O Governo Passos-Portas-troika foi mais do que um Governo de “necessidade” imposta, foi uma experiência de engenharia social que só não foi mais longe devido às limitações que o Tribunal Constitucional colocou à governação e ao falhanço da tentativa de mudar o programa do PSD que foi entregue à direita radical. Foi isso que significou “ir além da troika”.
Muitas das ideias que hoje estão encarnadas no Chega e na Iniciativa Liberal foram aplicadas pela governação de Passos, em particular a colocação como alvo da austeridade da classe média que tinha ascendido da pobreza pela acção do Estado. Este processo de elevador social era um elemento fundamental do pensamento de Sá Carneiro, e correspondia à tradição social-democrata e à doutrina social da Igreja, a de que o funcionamento do capitalismo e do mercado não eram eficazes no combate à exclusão e à injustiça social, que devia ser uma função garantida por um Estado com um programa que olhasse para a desigualdade e para as suas raízes. O último momento em que o PSD fez uma séria tentativa de aplicar este programa social-democrata foi o Plano de Erradicação das Barracas, com Cavaco Silva.
Mas, como sempre acontece, Passos deslocou o PSD para uma direita radical, atacando a função pública, colocando os “jovens” contra os seus pais e avós com a ideia de uma “justiça geracional”, atacando os sindicatos e retirando direitos aos trabalhadores, privatizando tudo o que pôde, parando apenas quando o travaram, como aconteceu com a Caixa Geral de Depósitos, e fazendo pagar a austeridade aos sectores da sociedade que tinham recentemente saído da pobreza, num processo que tenho classificado como o de “pai lavrador – filha professora primária – neto universitário”. O bloqueio do elevador social em Portugal, como noutros países da Europa, foi um dos factores do ascenso do populismo e da extrema-direita após a crise financeira da banca, que acabou por ser paga por aqueles que nenhuma culpa tinham da ganância que a motivou. Schäuble, um dos seus autores, reconheceu que errou e pediu desculpa, cá nada disso aconteceu.
Mas as políticas moldam os partidos e o PSD nunca mais foi igual. Os discípulos de Passos que não foram para o Chega nem para a Iniciativa Liberal – e muitos foram – estão hoje à frente do PSD, da direcção do partido ao grupo parlamentar. Mas são, de facto, menos “reformistas” no sentido de Passos (e, diga-se de passagem, do Chega), porque são mais tacticistas e perceberam o desgaste eleitoral do Governo Passos-Portas-troika na base eleitoral do PSD, perdendo a juventude para a Iniciativa Liberal e os mais velhos ou para a abstenção, ou para o Chega.
Porém, com ou sem “linhas vermelhas” e “não é não”, é à direita que hoje o PSD está confrontado com a diluição das suas fronteiras sociais-democratas. Essas fronteiras já tinham soçobrado em vários momentos, nas regiões autónomas e na competição com o Chega no mais perigoso tema da imigração. Embora a questão da imigração seja real e tenha havido muitos erros na governação socialista e na incapacidade de reconhecer que havia aqui um “problema”, o modo como Montenegro e o Governo a defrontaram significou um upgrade do discurso do Chega que, a partir daí, dominou a agenda política, e foi o melhor serviço que foi prestado ao Chega. A combinação de uma declaração solene do primeiro-ministro em horário nobre com a rusga hipermediática na Rua do Benformoso, o complemento da declaração dramática de Montenegro, foi sem dúvida o factor mais relevante na ascensão do Chega, que viu a sua visão estrutural da imigração impor-se pela acção do Governo.
Passos está aqui em completa sintonia com a dinâmica do Chega e o Portugal que daqui sairia seria o da direita radical, do Vox a Trump, uma espécie de institucionalização de uma guerra civil como a que já hoje se passa nos EUA
A sombra e a motivação para o frenesim declaratório de Passos, que não tem outro sentido senão um regresso, não se sabe muito bem como, são o chamado “pacote laboral”, a “reforma” que está presente por detrás das suas declarações sobre o falhanço reformista do Governo. Não é por acaso que o “pacote laboral” é a motivação de Passos, embora o alcance da sua acção seja mais vasto. O primeiro passo de Passos é a pressão para um acordo parlamentar de fundo entre o PSD e o Chega e a Iniciativa Liberal, e qualquer acordo sobre a legislação laboral é sempre um acordo de fundo. Depois, esse acordo que daria a maioria às políticas da direita radical mostraria quem manda em Portugal, revelaria a irrelevância da esquerda, a começar pelo PS, e abriria caminho para outros acordos, a começar pelo Tribunal Constitucional e na revisão da própria Constituição. Passos está aqui em completa sintonia com a dinâmica do Chega, e o Portugal que daqui sairia seria o da direita radical, do Vox a Trump, uma espécie de institucionalização de uma guerra civil como a que já hoje se passa nos EUA.
Por isso, o pessimismo da inteligência deve ser nestes dias mais forte do que o optimismo da vontade. Se esse optimismo se dirigir para o combate duro a este caminho, será bem-vindo. É também por isso que seria bom que Passos desse passos para entrar a todo o vapor na política partidária de uma forma mais transparente do que o alimento cínico do sebastianismo."
José Pacheco Pereira (Público)
quinta-feira, 19 de março de 2026
quarta-feira, 18 de março de 2026
MARCELADAS (BALANÇO PROVISÓRIO)
O Presidente Marcelo, nem sequer aceitando a substituição do primeiro-ministro, fez tábua rasa da estabilidade que apregoava e da vontade expressa pouco antes por uma rara maioria absoluta de eleitores. Mas, pior: ele, o guardião do regular funcionamento das instituições democráticas, caucionou um autêntico golpe de Estado institucional da magistratura sobre o Governo democraticamente eleito. E com isso assegurou o regresso do seu PSD ao poder e, de caminho, a ascensão às nuvens da extrema-direita, que ora nos ameaça.
Miguel Sousa Tavares (Expresso)
terça-feira, 17 de março de 2026
OS PASSOS E AS MOEDAS DA EXTREMA-DIREITA


Carlos Moedas é um precursor. Foi-o na utilização intensiva de redes sociais para disfarçar a inexistência de trabalho e obra. Foi-o na política das perceções, que substitui o rigor das políticas públicas pela gestão de imagem. Foi-o na banalização da desinformação no debate político. Foi-o ao destruir todas as linhas vermelhas com a extrema-direita. E volta a sê-lo na cedência às mais caprichosas exigências do Chega. A relação tortuosa que mantém com a verdade, a ausência de convicções políticas e um oportunismo sem limites fazem dele o protagonista ideal de um casamento que já todos perceberam (a começar por ele) ser o futuro da direita. Como Passos Coelho, Moedas espera a sua vez.Daniel Oliveira (Expresso)
segunda-feira, 16 de março de 2026
ISTO NÃO É UM PAÍS SÉRIO
“Primeira-dama” não violou direitos
de autor, mas designers esperam
que vista português
O vestido que a mulher do Presidente da República, Margarida Maldonado Freitas, usou na tomada de posse continua a ser comentado, quer pelo valor da peça Valentino (perto de cinco mil euros), quer pelas alterações que fez ao modelo, retirando os botões originais para colocar uns de filigrana com corações de Viana. A “primeira-dama” — cargo não oficial — não infringiu os direitos de autor, explica a professora de Direito Lígia Carvalho Abreu, mas “pode haver uma ofensa à identidade criativa”
domingo, 15 de março de 2026
O PREÇO DO PETRÓLEO
Ataque a escola que matou quase 200 crianças feito pelos EUA, segundo AP
Trump admite que subida do preço dos combustíveis dá "muito dinheiro" aos EUA
SUGESTÃO
NÓS, FILHOS DE EICHMANN (1988) reúne duas cartas - a primeira escrita no rescaldo da leitura de Eichmann em Jerusalém, de Hannah Arendt, e a segunda nos anos 80 - dirigidas ao filho mais velho do infame responsável pela logística das deportações nazis. Günther Anders diz não pretender revisitar o passado recente, mas evitar a repetição da monstruosidade e falar ao presente, a uma humanidade que a todo o momento pode recair na barbárie. Porque o avassalador progresso técnico converteu o mundo numa máquina de tal forma complexa, que excede a compreensão dos que nela participam e oculta o carácter lesivo de acções quotidianas, abrindo o caminho para a falência moral que nos transformará a todos, peças da engrenagem, em filhos de Eichmann.
sábado, 14 de março de 2026
JUVENTUDE NACIONAL-PORQUISTA
Instituto de Ciências Sociais pede intervenção da Futurália no stand do Chega contra "retórica racista"
NOTAS & MOEDAS
Carlos Moedas decidiu nomear a namorada do vereador do Chega Bruno Mascarenhas para um cargo numa entidade municipal. Tem de nos explicar como chegou ao nome de Mafalda Livermore para um cargo público. E tem de o explicar porque o contexto político em que essa nomeação aconteceu, depois de votos decisivos do Chega para aprovar o regimento da Câmara e o orçamento municipal, deixa evidente que, nem na distribuição de tachos em troca de favores políticos, cumpriu os mínimos.
Daniel Oliveira
Expresso
REVELADORAS AMIZADES
Estátua de Trump e Epstein agarrados como na cena de 'Titanic' colocada perto do Capitólio em Washington
Escultura com cerca de 3,5 metros de altura e pintada a dourado mostra o presidente dos EUA e o pedófilo já falecido.
CM
sexta-feira, 13 de março de 2026
A POCILGA PRECISA DE UMA LIMPEZA
Polémica na Câmara de Lisboa: militante do Chega com império clandestino
Nomeada por Moedas para os Serviços Sociais da câmara arrenda casas com condições indignas a imigrantes ilegais. É namorada do vereador do Chega.
quinta-feira, 12 de março de 2026
O DIREITOLAS DAS SELFIES
A légua final dos dez anos de Marcelo na Presidência foi marcada por circunstâncias que fizeram dele uma sombra do que era. 1) o caso das gémeas tinha acabado de vez com o seu estado de graça; 2) anos a palrar de tudo e de nada tinham desbaratado o valor da sua palavra; 3) o comboio de dissoluções parlamentares (seriam, no total, três na Assembleia da República e mais duas nas regiões autónomas) recomendava maior contenção no uso desse instrumento de desestabilização política; 4) o regresso do PSD ao poder dava a Marcelo a possibilidade de se reconciliar com o seu partido de sempre, que o olhava com a desconfiança reservada aos “enfants terribles”. Este foi, talvez, o desiderato mais evidente do seu final de mandato. Reconciliar-se com a sua família política, o que poderá justificar a condescendência com que tratou sempre o Governo de Montenegro. Houve casos de incompetência atroz, com consequências trágicas, que nunca mereceram do PR a exigência de demissão que tinha feito no passado: por muito indecente e má figura que fizessem as duas ministras da Administração Interna, nunca o Presidente exigiu um “novo ciclo”, com a exigência de demissão que levou Constança Urbano de Sousa. Por muito evidente que seja o estado calamitoso em que está o SNS, com sucessivas falhas no INEM, clamorosa incapacidade de gerir recursos, e agora até a recomendação de contenção cega de custos, nunca Marcelo disse o que se impunha sobre uma ministra em cujo ministério acontecem coisas bastante mais graves do que a zaragata do assessor de João Galamba. Marcelo chutou sempre para canto, encolheu os ombros, falou por eufemismos, flauteou a voz. Como na canção, simplesmente não era o Marcelo that we used to know.
Filipe Santos Costa
CNN (P)
PORCARIAS
Cinco meses depois das autárquicas, Chega perdeu oito vereadores e substituiu três
A juntar à crise interna na Câmara de São Vicente, Chega já perdeu vereadores no Funchal, Gaia, Fundão, Marinha Grande, Lisboa, Coimbra e Mirandela. Em Ourém, Odemira e Azambuja, foram substituídos.
quarta-feira, 11 de março de 2026
PORCARIAS
Câmara de S. Vicente, na Madeira, à beira da implosão política. Presidente da autarquia - uma das três conquistadas pelo Chega nas últimas autárquicas - concentra agora todos os pelouros. PSD já se afirma preparado para eleições intercalares
Expresso
terça-feira, 10 de março de 2026
PASSE BEM
Chegaram ao fim os longuíííímos dez anos do reinado de Marcelo Rebelo de Sousa, o pior presidente da II República. Um decénio em que sempre foi difícil distinguir o Palácio de Belém do Coliseu dos Recreios; em que, com todas as manhas e disfarces, a esquerda foi afastada do poder, e uma Direita bimba e chica-esperta foi levada ao colo e depositada no Palácio de S. Bento; em que foram, objectivamente, oferecidos, com o precioso auxílio de um tal Costa, no papel de idiota útil ou de carreirista diplomado com distinção (ou nas duas condições), quarenta e oito deputados a uma agremiação de neofascistas.
Prometeu sua excelência retirar-se para a Califórnia. Pois que cumpra a promessa, vá e passe bem.
segunda-feira, 9 de março de 2026
OS PASSOS DO COELHO
Passos Coelho, um messias com a visão de um mecânico
Eleger o Chega como putativo parceiro de Governo é o primeiro passo para se suspeitar que, bem mais do que mudar o país, o que Pedro Passos Coelho quer, de facto, é mandar no país.
Manuel Carvalho
Público
domingo, 8 de março de 2026
ISTO NÃO É UM PAÍS SÉRIO
Ao lado da Espanha, porém, existe um país cujo MNE e o seu Governo, não só ofereceram livremente uma base aérea essencial no ataque ao Irão, como o ministro até conseguiu antecipar-se e ir ainda mais longe que a UE. Ele acusou o Irão de cobardia por ter atacado os vizinhos e não os Estados Unidos (a 12.000 km de distância, com mísseis que só alcançam 2500...) e por não ter atacado Israel — o que é redondamente falso, como toda a gente viu. Como falsa é a afirmação de que a base açoriana não foi utilizada em nenhuma acção de guerra (os aviões estariam em passeio...). As suas atrapalhadas explicações sobre a utilização das Lajes ao abrigo do Decreto-Lei 2/2017 ou do acordo luso-americano não conseguiram esconder a evidência de que nenhum deles foi respeitado. A “autorização tácita” ao abrigo do DL 2/2017 não é aplicável para a passagem ou estacionamento de armas, e a autorização abrigo do acordo, que ele diz que só foi dada mediante condições, não cumpriu logo a primeira delas: a de se tratar de resposta a um ataque do Irão (e que ataque foi esse?). Ouvi quem se atravessasse por ele, dizendo que Portugal não podia fazer nada mais do que aquilo que os Estados Unidos quiseram, sob pena de criar um incidente diplomático com eles. Talvez, mas então seria mais decente declarar logo que o acordo é uma fantochada e que tudo o que os EUA quiserem ou ordenarem, nós fazemos e obedecemos. Com Paulo Rangel, isso nem precisa de ser dito: este é o homem que passou dois anos em silêncio cúmplice com o genocídio de Gaza, que achou que o rapto do presidente da Venezuela foi uma acção “benigna”, que queria que Portugal integrasse o Conselho da Paz de Donald Trump, inventado para afundar de vez a ONU e num momento em que um português é seu secretário-geral, e o mesmo que foi a Madrid, a um comício eleitoral da direita espanhola, fazer uma patética figura aos gritos histéricos de “Espanha, no te mates!”, para apelar ao voto contra o partido no Governo, perante o espanto da própria audiência. E que agora tem o desplante de afirmar, para justificar a oferta das Lajes, que “não nos foi dito (pelos Estados Unidos) que ia haver uma operação militar”: com metade da Marinha e da Força Aérea americanas reunidas à volta do Irão, o nosso MNE pretende ter sido o único habitante do planeta Terra que não suspeitou que aquilo não seria para um simples desfile ou um passeio turístico! Paulo Rangel envergonha-nos.
Miguel Sousa Tavares (Expresso)
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