Culto e talentoso, o rapaz prometia. A direita apreciava-lhe as prosas jornalísticas, chegando mesmo o gangue do 'Tutti-frutti' a encomendar-lhe artigalhadas de promoção, o que levou o géniozinho a julgar-se um Goebbels cá da paróquia. As tias do chá das cinco, no eixo Lapa-Cascais, as lilis caneças e equiparadas, de todos os escalões etários, babavam-se e sonhavam com um 'mais-que-tudo', um neto ou um sobrinho tão apessoado e bem-falante como o jovem Sebastião Bugalho, quando o viam e ouviam no comentariado televisivo. Cristas, a Assunção que liderou o CDS, ofereceu-lhe, até, um lugarzito nas listas do partido, embora sem resultados práticos - a fraca votação na agremiação, já então em decadência, deixou o mancebo à porta do Parlamento.
O mancebo, porém, soube esperar e não deixou de lutar por um lugar ao sol no universo das grandes vedetas. E eis que, vindo do céu, no colo lhe caiu o prémio 'EuroDreams' (vinte mil euros pagos todos os meses), não o da Santa Casa da Misericórdia, mas um outro vindo das proximidades do casino de Espinho: Montenegro, tacanho de ideias e rude de letras, promoveu o Sebastião a deputado europeu, numa primeira fase, e depois a vice-presidente do PPD, partido que, abusivamente, teima em intitular-se PSD.
Para o convencido e arrogante Bugalho foi o delírio, para a claque do 'piqueno' foi uma festa, para o comentariado foi um desastre: o moço transformou-se num vulgar mercenário que defende, hoje, abertamente e com afinco, a mediocridade montenegrina, com o mesmo entusiasmo com que promovera, em tempos idos e camufladamente, a ambiciosa e insaciável rapaziada do 'Tutti-frutti', enquanto espera o momento oportuno para atacar a presidência da tribo do laranjal, etapa necessária para a candidatura à almejada Presidência do Conselho de Ministros.
A esta fulgurante ascensão, seguir-se-á a inevitável fase cadente de uma estrela da constelação do 'pobre Portugalório'. Não, não é palpite nem decreto de bruxaria - é coisa comum e vem nos livros. É só esperar para ver.

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