sábado, 21 de março de 2026

A BANALIZAÇÃO DO NACIONAL-PORQUISMO

 


A normalização do racismo e da xenofobia nunca se fica pela bolha políticaComeça no Parlamento, continua na rua, nos cafés e nos transportes públicos, segue para as instituições e para o Estado, instala-se nas políticas públicas e acaba, quando se transformam em senso comum, a ser ensinados a adolescentes como valores da comunidade. Hannah Arendt explicou como as maiores ignomínias só foram possíveis quando o impensável foi banalizado. É a isso que estamos a assistir. Uma geração educada pelas redes e ensinada a aceitar o racismo como um mero ponto de vista oferecer-nos-á as tragédias do futuro.

Daniel Oliveira  (Expresso)

sexta-feira, 20 de março de 2026

OS PASSOS DO COELHO


 "Seria bom que Passos desse passos para entrar a todo o vapor na política partidária de uma forma mais transparente do que o alimento cínico do sebastianismo.

Passos Coelho deixou uma herança maldita no PSD, mais funda do que se pensa: o abandono da identidade social-democrata, que mal ou bem tinha sobrevivido até Cavaco Silva. O Governo Passos-Portas-troika foi mais do que um Governo de “necessidade” imposta, foi uma experiência de engenharia social que só não foi mais longe devido às limitações que o Tribunal Constitucional colocou à governação e ao falhanço da tentativa de mudar o programa do PSD que foi entregue à direita radical. Foi isso que significou “ir além da troika”.

Muitas das ideias que hoje estão encarnadas no Chega e na Iniciativa Liberal foram aplicadas pela governação de Passos, em particular a colocação como alvo da austeridade da classe média que tinha ascendido da pobreza pela acção do Estado. Este processo de elevador social era um elemento fundamental do pensamento de Sá Carneiro, e correspondia à tradição social-democrata e à doutrina social da Igreja, a de que o funcionamento do capitalismo e do mercado não eram eficazes no combate à exclusão e à injustiça social, que devia ser uma função garantida por um Estado com um programa que olhasse para a desigualdade e para as suas raízes. O último momento em que o PSD fez uma séria tentativa de aplicar este programa social-democrata foi o Plano de Erradicação das Barracas, com Cavaco Silva.

Mas, como sempre acontece, Passos deslocou o PSD para uma direita radical, atacando a função pública, colocando os “jovens” contra os seus pais e avós com a ideia de uma “justiça geracional”, atacando os sindicatos e retirando direitos aos trabalhadores, privatizando tudo o que pôde, parando apenas quando o travaram, como aconteceu com a Caixa Geral de Depósitos, e fazendo pagar a austeridade aos sectores da sociedade que tinham recentemente saído da pobreza, num processo que tenho classificado como o de “pai lavrador – filha professora primária – neto universitário”. O bloqueio do elevador social em Portugal, como noutros países da Europa, foi um dos factores do ascenso do populismo e da extrema-direita após a crise financeira da banca, que acabou por ser paga por aqueles que nenhuma culpa tinham da ganância que a motivou. Schäuble, um dos seus autores, reconheceu que errou e pediu desculpa, cá nada disso aconteceu.

Mas as políticas moldam os partidos e o PSD nunca mais foi igual. Os discípulos de Passos que não foram para o Chega nem para a Iniciativa Liberal – e muitos foram – estão hoje à frente do PSD, da direcção do partido ao grupo parlamentar. Mas são, de facto, menos “reformistas” no sentido de Passos (e, diga-se de passagem, do Chega), porque são mais tacticistas e perceberam o desgaste eleitoral do Governo Passos-Portas-troika na base eleitoral do PSD, perdendo a juventude para a Iniciativa Liberal e os mais velhos ou para a abstenção, ou para o Chega.

Porém, com ou sem “linhas vermelhas” e “não é não”, é à direita que hoje o PSD está confrontado com a diluição das suas fronteiras sociais-democratas. Essas fronteiras já tinham soçobrado em vários momentos, nas regiões autónomas e na competição com o Chega no mais perigoso tema da imigração. Embora a questão da imigração seja real e tenha havido muitos erros na governação socialista e na incapacidade de reconhecer que havia aqui um “problema”, o modo como Montenegro e o Governo a defrontaram significou um upgrade do discurso do Chega que, a partir daí, dominou a agenda política, e foi o melhor serviço que foi prestado ao Chega. A combinação de uma declaração solene do primeiro-ministro em horário nobre com a rusga hipermediática na Rua do Benformoso, o complemento da declaração dramática de Montenegro, foi sem dúvida o factor mais relevante na ascensão do Chega, que viu a sua visão estrutural da imigração impor-se pela acção do Governo.

Passos está aqui em completa sintonia com a dinâmica do Chega e o Portugal que daqui sairia seria o da direita radical, do Vox a Trump, uma espécie de institucionalização de uma guerra civil como a que já hoje se passa nos EUA

A sombra e a motivação para o frenesim declaratório de Passos, que não tem outro sentido senão um regresso, não se sabe muito bem como, são o chamado “pacote laboral”, a “reforma” que está presente por detrás das suas declarações sobre o falhanço reformista do Governo. Não é por acaso que o “pacote laboral” é a motivação de Passos, embora o alcance da sua acção seja mais vasto. O primeiro passo de Passos é a pressão para um acordo parlamentar de fundo entre o PSD e o Chega e a Iniciativa Liberal, e qualquer acordo sobre a legislação laboral é sempre um acordo de fundo. Depois, esse acordo que daria a maioria às políticas da direita radical mostraria quem manda em Portugal, revelaria a irrelevância da esquerda, a começar pelo PS, e abriria caminho para outros acordos, a começar pelo Tribunal Constitucional e na revisão da própria Constituição. Passos está aqui em completa sintonia com a dinâmica do Chega, e o Portugal que daqui sairia seria o da direita radical, do Vox a Trump, uma espécie de institucionalização de uma guerra civil como a que já hoje se passa nos EUA.

Por isso, o pessimismo da inteligência deve ser nestes dias mais forte do que o optimismo da vontade. Se esse optimismo se dirigir para o combate duro a este caminho, será bem-vindo. É também por isso que seria bom que Passos desse passos para entrar a todo o vapor na política partidária de uma forma mais transparente do que o alimento cínico do sebastianismo."

José Pacheco Pereira  (Público)

quinta-feira, 19 de março de 2026

A PROMOÇÃO DA SUINICULTURA

 

"Dê-me o controle dos media e farei de qualquer país uma vara de porcos."

quarta-feira, 18 de março de 2026

ISTO NÃO É UM PAÍS SÉRIO

 



Sócrates com três advogados num só dia de julgamento da Operação Marquês

MARCELADAS (BALANÇO PROVISÓRIO)

 

O Presidente Marcelo, nem sequer aceitando a substituição do primeiro-ministro, fez tábua rasa da estabilidade que apregoava e da vontade expressa pouco antes por uma rara maioria absoluta de eleitores. Mas, pior: ele, o guardião do regular funcionamento das instituições democráticas, caucionou um autêntico golpe de Estado institucional da magistratura sobre o Governo democraticamente eleito. E com isso assegurou o regresso do seu PSD ao poder e, de caminho, a ascensão às nuvens da extrema-direita, que ora nos ameaça.

Miguel Sousa Tavares  (Expresso)

segunda-feira, 16 de março de 2026

ISTO NÃO É UM PAÍS SÉRIO

 


“Primeira-dama” não violou direitos

 de autor, mas designers esperam

 que vista português

“Primeira-dama” não violou direitos de autor, mas designers esperam que vista português
O vestido que a mulher do Presidente da República, Margarida Maldonado Freitas, usou na tomada de posse continua a ser comentado, quer pelo valor da peça Valentino (perto de cinco mil euros), quer pelas alterações que fez ao modelo, retirando os botões originais para colocar uns de filigrana com corações de Viana. A “primeira-dama” — cargo não oficial — não infringiu os direitos de autor, explica a professora de Direito Lígia Carvalho Abreu, mas “pode haver uma ofensa à identidade criativa”


Público

PORCARIAS

 

Chega contra Chega: Rita Matias pede demissão de vereador Bruno Mascarenhas

Público

domingo, 15 de março de 2026

O PREÇO DO PETRÓLEO

 

Ataque a escola que matou quase 200 crianças feito pelos EUA, segundo AP

RTPN

Trump admite que subida do preço dos combustíveis dá "muito dinheiro" aos EUA

SICN

SUGESTÃO

 



NÓS, FILHOS DE EICHMANN (1988) reúne duas cartas - a primeira escrita no rescaldo da leitura de Eichmann em Jerusalém, de Hannah Arendt, e a segunda nos anos 80 - dirigidas ao filho mais velho do infame responsável pela logística das deportações nazis. Günther Anders diz não pretender revisitar o passado recente, mas evitar a repetição da monstruosidade e falar ao presente, a uma humanidade que a todo o momento pode recair na barbárie. Porque o avassalador progresso técnico converteu o mundo numa máquina de tal forma complexa, que excede a compreensão dos que nela participam e oculta o carácter lesivo de acções quotidianas, abrindo o caminho para a falência moral que nos transformará a todos, peças da engrenagem, em filhos de Eichmann.

sábado, 14 de março de 2026

JUVENTUDE NACIONAL-PORQUISTA

 

Instituto de Ciências Sociais pede intervenção da Futurália no stand do Chega contra "retórica racista"

"Isto não é mesmo o Bangladesh (mas parece)" ou "Sorria, estamos a ser substituídos", numa referência à "teoria da Grande Substituição", são algumas das frases mais visíveis.

Na maior feira nacional sobre educação, que se realiza em Lisboa e recebe milhares de alunos e jovens de todo o país, a Juventude Chega montou um stand com mensagens que se aproximam de uma "retórica racista", alertou o Instituto de Ciências Sociais (ICS) da Universidade de Lisboa.

Sábado


NOTAS & MOEDAS

 

Carlos Moedas decidiu nomear a namorada do vereador do Chega Bruno Mascarenhas para um cargo numa entidade municipal. Tem de nos explicar como chegou ao nome de Mafalda Livermore para um cargo público. E tem de o explicar porque o contexto político em que essa nomeação aconteceu, depois de votos decisivos do Chega para aprovar o regimento da Câmara e o orçamento municipal, deixa evidente que, nem na distribuição de tachos em troca de favores políticos, cumpriu os mínimos.

Daniel Oliveira

Expresso

REVELADORAS AMIZADES

 

Estátua de Trump e Epstein agarrados como na cena de 'Titanic' colocada perto do Capitólio em Washington

Escultura com cerca de 3,5 metros de altura e pintada a dourado mostra o presidente dos EUA e o pedófilo já falecido.

CM

sexta-feira, 13 de março de 2026

UM IMENSO ADEUS

 



Morreu o escritor e jornalista Mário Zambujal

A POCILGA PRECISA DE UMA LIMPEZA

 

Polémica na Câmara de Lisboa: militante do Chega com império clandestino

Nomeada por Moedas para os Serviços Sociais da câmara arrenda casas com condições indignas a imigrantes ilegais. É namorada do vereador do Chega.


Ler mais: https://www.cmjornal.pt/politica/detalhe/polemica-na-camara-de-lisboa-militante-do-chega-com-imperio-clandestino

quinta-feira, 12 de março de 2026

O DIREITOLAS DAS SELFIES

 


A légua final dos dez anos de Marcelo na Presidência foi marcada por circunstâncias que fizeram dele uma sombra do que era. 1) o caso das gémeas tinha acabado de vez com o seu estado de graça; 2) anos a palrar de tudo e de nada tinham desbaratado o valor da sua palavra; 3) o comboio de dissoluções parlamentares (seriam, no total, três na Assembleia da República e mais duas nas regiões autónomas) recomendava maior contenção no uso desse instrumento de desestabilização política; 4) o regresso do PSD ao poder dava a Marcelo a possibilidade de se reconciliar com o seu partido de sempre, que o olhava com a desconfiança reservada aos “enfants terribles”. Este foi, talvez, o desiderato mais evidente do seu final de mandato. Reconciliar-se com a sua família política, o que poderá justificar a condescendência com que tratou sempre o Governo de Montenegro. Houve casos de incompetência atroz, com consequências trágicas, que nunca mereceram do PR a exigência de demissão que tinha feito no passado: por muito indecente e má figura que fizessem as duas ministras da Administração Interna, nunca o Presidente exigiu um “novo ciclo”, com a exigência de demissão que levou Constança Urbano de Sousa. Por muito evidente que seja o estado calamitoso em que está o SNS, com sucessivas falhas no INEM, clamorosa incapacidade de gerir recursos, e agora até a recomendação de contenção cega de custos, nunca Marcelo disse o que se impunha sobre uma ministra em cujo ministério acontecem coisas bastante mais graves do que a zaragata do assessor de João Galamba. Marcelo chutou sempre para canto, encolheu os ombros, falou por eufemismos, flauteou a voz. Como na canção, simplesmente não era o Marcelo that we used to know. 

Filipe Santos Costa

CNN (P)

PORCARIAS


 Cinco meses depois das autárquicas, Chega perdeu oito vereadores e substituiu três

A juntar à crise interna na Câmara de São Vicente, Chega já perdeu vereadores no Funchal, Gaia, Fundão, Marinha Grande, Lisboa, Coimbra e Mirandela. Em Ourém, Odemira e Azambuja, foram substituídos.

quarta-feira, 11 de março de 2026

PORCARIAS

 

Câmara de S. Vicente, na Madeira, à beira da implosão política. Presidente da autarquia - uma das três conquistadas pelo Chega nas últimas autárquicas - concentra agora todos os pelouros. PSD já se afirma preparado para eleições intercalares

Expresso

terça-feira, 10 de março de 2026

PASSE BEM

 

Chegaram ao fim os longuíííímos dez anos do reinado de Marcelo Rebelo de Sousa, o pior presidente da II República. Um decénio em que sempre foi difícil distinguir o Palácio de Belém do Coliseu dos Recreios; em que, com todas as manhas e disfarces, a esquerda foi afastada do poder, e uma Direita bimba e chica-esperta foi levada ao colo e depositada no Palácio de S. Bento; em que foram, objectivamente, oferecidos, com o precioso auxílio de um tal Costa, no papel de idiota útil ou de carreirista diplomado com distinção (ou nas duas condições), quarenta e oito deputados a uma agremiação de neofascistas.

Prometeu sua excelência retirar-se para a Califórnia. Pois que cumpra a promessa, vá e passe bem.