sábado, 28 de março de 2026
ÓDIO
SOLIDARIEDADE FASCISTA
A 24 de março de 1976, um golpe na Argentina criou o regime mais sanguinário da região, com requintes de perversidades únicas, como desaparecimento de pessoas, voos da morte e roubo de bebés. A reação da sociedade civil também foi a mais veemente, com uma rede de organismos de direitos humanos. Passado meio século, o governo de Javier Milei bloqueia o acesso aos arquivos, desmantela políticas públicas que permitem justiça e promove uma reinterpretação dos factos, mas há quem resista ao apagar da memória
Expresso
sexta-feira, 27 de março de 2026
ISTO NÃO É UM PAÍS SÉRIO (OU MORRAM OS DOENTES, VIVA A CONTABILIDADE!)
Falta de medicamentos em hospitais. IPO pede fármacos emprestados quase diariamente
Faltam medicamentos em alguns hospitais de Lisboa, levando a que estejam a ser pedidos a outros hospitais do Porto, Faro ou Évora para garantirem o tratamento de doentes. No caso do IPO a lista é extensa e vai desde o paracetamol a fármacos para o cancro.
"Resultado histórico". Contas públicas completaram 2025 com excedente de 0,7% do PIB
De acordo com os resultados provisórios do INE, as Administrações Públicas tiveram um saldo positivo de 2 058,6 milhões de euros em 2025, o que correspondeu a 0,7% do PIB. O valor está acima das previsões do Governo, que previa um excedente de 0,3% do PIB. O Executivo fala num "resultado histórico" que "permite olhar para 2026 com confiança". (RTP)
O ESPINHOSO LARANJAL E A VENTUROSA POCILGA
Ventura anuncia novos nomes para órgãos externos e reitera acordo com PSD
Além do juiz Luís Brites Lameiras para o Tribunal Constitucional, o líder do Chega diz ter acordo com PSD para colocar a votação, para outros órgãos, nomes como Rui Gomes da Silva ou Fernando Silva.
Público
quinta-feira, 26 de março de 2026
ESPINHOSOS SEGREDOS
Spinumviva. Montenegro terá ocultado informações
Luís Montenegro terá ocultado informações a serviços do Estado aos quais pediu pareceres sobre o caso Spinumviva.
DEUS, PÁTRIA, FAMÍLIA, MONSTRUOSIDADE
Prisão preventiva para ex-candidato do Chega suspeito de pedofilia
Ficou em prisão preventiva um ex-candidato autárquico do Chega de Fafe. É suspeito de crimes de abuso sexual da própria filha. (RTPN)
quarta-feira, 25 de março de 2026
LARANJADA OU TUTTI FRUTTI?
Rede do ‘Tutti Frutti’ toma conta do PSD
Carlos Eduardo Reis ganhou a distrital de Braga. Bruno Ventura, apanhado em escutas, substituiu Ângelo Pereira, outro arguido do processo cuja instrução está a terminar.
CM
OS CRIADOS DO PUTIN
Ministro húngaro admite falar com russos (e não só) antes e após reuniões da União Europeia
terça-feira, 24 de março de 2026
A POCILGA PRECISA DE UMA LIMPEZA
Candidato do Chega detido por abuso sexual de menor
Inspetores encontraram computadores e discos com centenas de ficheiros. Homem é ainda acusado de filmar uma mulher, sem autorização, em momentos íntimos. Vítimas têm ligações familiares ao suspeito.
Ler mais: https://www.cmjornal.pt/portugal/detalhe/candidato-do-chega-detido-por-abuso-sexual-de-menor
O HITLER DEMENTE
"Mais perigoso do que um Hitler americano é um Hitler demente": psiquiatra diz que Trump é "narcisista maligno"
segunda-feira, 23 de março de 2026
domingo, 22 de março de 2026
sábado, 21 de março de 2026
A BANALIZAÇÃO DO NACIONAL-PORQUISMO
A normalização do racismo e da xenofobia nunca se fica pela bolha política. Começa no Parlamento, continua na rua, nos cafés e nos transportes públicos, segue para as instituições e para o Estado, instala-se nas políticas públicas e acaba, quando se transformam em senso comum, a ser ensinados a adolescentes como valores da comunidade. Hannah Arendt explicou como as maiores ignomínias só foram possíveis quando o impensável foi banalizado. É a isso que estamos a assistir. Uma geração educada pelas redes e ensinada a aceitar o racismo como um mero ponto de vista oferecer-nos-á as tragédias do futuro.
Daniel Oliveira (Expresso)
sexta-feira, 20 de março de 2026
OS PASSOS DO COELHO
"Seria bom que Passos desse passos para entrar a todo o vapor na política partidária de uma forma mais transparente do que o alimento cínico do sebastianismo.
Passos Coelho deixou uma herança maldita no PSD, mais funda do que se pensa: o abandono da identidade social-democrata, que mal ou bem tinha sobrevivido até Cavaco Silva. O Governo Passos-Portas-troika foi mais do que um Governo de “necessidade” imposta, foi uma experiência de engenharia social que só não foi mais longe devido às limitações que o Tribunal Constitucional colocou à governação e ao falhanço da tentativa de mudar o programa do PSD que foi entregue à direita radical. Foi isso que significou “ir além da troika”.
Muitas das ideias que hoje estão encarnadas no Chega e na Iniciativa Liberal foram aplicadas pela governação de Passos, em particular a colocação como alvo da austeridade da classe média que tinha ascendido da pobreza pela acção do Estado. Este processo de elevador social era um elemento fundamental do pensamento de Sá Carneiro, e correspondia à tradição social-democrata e à doutrina social da Igreja, a de que o funcionamento do capitalismo e do mercado não eram eficazes no combate à exclusão e à injustiça social, que devia ser uma função garantida por um Estado com um programa que olhasse para a desigualdade e para as suas raízes. O último momento em que o PSD fez uma séria tentativa de aplicar este programa social-democrata foi o Plano de Erradicação das Barracas, com Cavaco Silva.
Mas, como sempre acontece, Passos deslocou o PSD para uma direita radical, atacando a função pública, colocando os “jovens” contra os seus pais e avós com a ideia de uma “justiça geracional”, atacando os sindicatos e retirando direitos aos trabalhadores, privatizando tudo o que pôde, parando apenas quando o travaram, como aconteceu com a Caixa Geral de Depósitos, e fazendo pagar a austeridade aos sectores da sociedade que tinham recentemente saído da pobreza, num processo que tenho classificado como o de “pai lavrador – filha professora primária – neto universitário”. O bloqueio do elevador social em Portugal, como noutros países da Europa, foi um dos factores do ascenso do populismo e da extrema-direita após a crise financeira da banca, que acabou por ser paga por aqueles que nenhuma culpa tinham da ganância que a motivou. Schäuble, um dos seus autores, reconheceu que errou e pediu desculpa, cá nada disso aconteceu.
Mas as políticas moldam os partidos e o PSD nunca mais foi igual. Os discípulos de Passos que não foram para o Chega nem para a Iniciativa Liberal – e muitos foram – estão hoje à frente do PSD, da direcção do partido ao grupo parlamentar. Mas são, de facto, menos “reformistas” no sentido de Passos (e, diga-se de passagem, do Chega), porque são mais tacticistas e perceberam o desgaste eleitoral do Governo Passos-Portas-troika na base eleitoral do PSD, perdendo a juventude para a Iniciativa Liberal e os mais velhos ou para a abstenção, ou para o Chega.
Porém, com ou sem “linhas vermelhas” e “não é não”, é à direita que hoje o PSD está confrontado com a diluição das suas fronteiras sociais-democratas. Essas fronteiras já tinham soçobrado em vários momentos, nas regiões autónomas e na competição com o Chega no mais perigoso tema da imigração. Embora a questão da imigração seja real e tenha havido muitos erros na governação socialista e na incapacidade de reconhecer que havia aqui um “problema”, o modo como Montenegro e o Governo a defrontaram significou um upgrade do discurso do Chega que, a partir daí, dominou a agenda política, e foi o melhor serviço que foi prestado ao Chega. A combinação de uma declaração solene do primeiro-ministro em horário nobre com a rusga hipermediática na Rua do Benformoso, o complemento da declaração dramática de Montenegro, foi sem dúvida o factor mais relevante na ascensão do Chega, que viu a sua visão estrutural da imigração impor-se pela acção do Governo.
Passos está aqui em completa sintonia com a dinâmica do Chega e o Portugal que daqui sairia seria o da direita radical, do Vox a Trump, uma espécie de institucionalização de uma guerra civil como a que já hoje se passa nos EUA
A sombra e a motivação para o frenesim declaratório de Passos, que não tem outro sentido senão um regresso, não se sabe muito bem como, são o chamado “pacote laboral”, a “reforma” que está presente por detrás das suas declarações sobre o falhanço reformista do Governo. Não é por acaso que o “pacote laboral” é a motivação de Passos, embora o alcance da sua acção seja mais vasto. O primeiro passo de Passos é a pressão para um acordo parlamentar de fundo entre o PSD e o Chega e a Iniciativa Liberal, e qualquer acordo sobre a legislação laboral é sempre um acordo de fundo. Depois, esse acordo que daria a maioria às políticas da direita radical mostraria quem manda em Portugal, revelaria a irrelevância da esquerda, a começar pelo PS, e abriria caminho para outros acordos, a começar pelo Tribunal Constitucional e na revisão da própria Constituição. Passos está aqui em completa sintonia com a dinâmica do Chega, e o Portugal que daqui sairia seria o da direita radical, do Vox a Trump, uma espécie de institucionalização de uma guerra civil como a que já hoje se passa nos EUA.
Por isso, o pessimismo da inteligência deve ser nestes dias mais forte do que o optimismo da vontade. Se esse optimismo se dirigir para o combate duro a este caminho, será bem-vindo. É também por isso que seria bom que Passos desse passos para entrar a todo o vapor na política partidária de uma forma mais transparente do que o alimento cínico do sebastianismo."
José Pacheco Pereira (Público)
quinta-feira, 19 de março de 2026
quarta-feira, 18 de março de 2026
MARCELADAS (BALANÇO PROVISÓRIO)
O Presidente Marcelo, nem sequer aceitando a substituição do primeiro-ministro, fez tábua rasa da estabilidade que apregoava e da vontade expressa pouco antes por uma rara maioria absoluta de eleitores. Mas, pior: ele, o guardião do regular funcionamento das instituições democráticas, caucionou um autêntico golpe de Estado institucional da magistratura sobre o Governo democraticamente eleito. E com isso assegurou o regresso do seu PSD ao poder e, de caminho, a ascensão às nuvens da extrema-direita, que ora nos ameaça.
Miguel Sousa Tavares (Expresso)







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