«O silêncio dos intelectuais possui o formato de uma capitulação, sem paralelo na nossa história. O perigo do desabar da democracia não é despiciendo. Os bárbaros estão às portas de Bizâncio, e há quem continue a assobiar para o lado ou a discutir o sexo dos anjos.»
Baptista-Bastos
DN
quarta-feira, 9 de julho de 2014
terça-feira, 8 de julho de 2014
segunda-feira, 7 de julho de 2014
OUTROS FUTEBÓIS
É um futebolista do Uruguai, chama-se Luis Suarez e é um artista com a bola nos pés. Mas tem um problema com a bola que transporta entre as orelhas: naquele imenso vazio passam, de quando em vez, umas ideias dignas de pastor alemão não domesticado e vá de morder nos adversários.
Nada de grave. Uns castigos, uma vacina contra a raiva e um bom açaime resolvem a coisa.
Mas há mais e mais grave: o rapazola gosta de insultar os adversários com ditos racistas, o que deixa profundamente indignada a sua avó, senhora de juízo, vergonha e memória, que lhe lembrou "Luisito, não te esqueças que o teu avô era negrito...". Ora, aqui, já temos matéria para intervenção de um psicanalista.
E se este não conseguir bons resultados, então, só há uma solução: encerrar a criatura numa pocilga e chamar o veterinário.
Nada de grave. Uns castigos, uma vacina contra a raiva e um bom açaime resolvem a coisa.
Mas há mais e mais grave: o rapazola gosta de insultar os adversários com ditos racistas, o que deixa profundamente indignada a sua avó, senhora de juízo, vergonha e memória, que lhe lembrou "Luisito, não te esqueças que o teu avô era negrito...". Ora, aqui, já temos matéria para intervenção de um psicanalista.
E se este não conseguir bons resultados, então, só há uma solução: encerrar a criatura numa pocilga e chamar o veterinário.
domingo, 6 de julho de 2014
COZINHADOS
Restaurante do Parque Eduardo VII foi entregue pela câmara a uma empresa sem actividade
Concessão daquele que veio a ser o restaurante Eleven foi ganha em 2001 por uma empresa que se registou nas Finanças na véspera do concurso. Empresa pertencia a dois filhos de um ex-ministro e ex-grão mestre da Maçonaria. Concorrentes preteridos eram dois grandes empresários de restauração.
Normal é o único qualificativo que não se pode aplicar à forma como decorreu o processo através do qual a Câmara de Lisboa concessionou o direito de construir o restaurante de luxo inaugurado em 2004 no Jardim do Alto do Parque Eduardo VII. Se o programa da hasta pública lançada em 1999 pelo executivo de João Soares tivesse sido respeitado, a empresa vencedora nem sequer teria sido admitida a concurso. Mas mesmo que preenchesse os requisitos para concorrer e tudo tivesse sido normal no procedimento, a sua proposta não teria ganho.
A sociedade a quem foi atribuída a concessão, a Estalagem de Monsaraz Ldª (EM Ldª) — depois adquirida pelos proprietários do Eleven — nunca tinha tido qualquer actividade, pelo que não podia satisfazer parte das condições exigidas para participar na hasta pública. Além disso, o simples facto de não ter experiência no sector da restauração, apesar de ter declarado o contrário, e praticamente não ter apresentado garantias, devia tê-la empurrado para segundo ou terceiro lugar.
Os documentos oficiais que terá apresentado para concorrer, mas cuja obtenção não poderia conseguir em circunstâncias normais por nunca ter tido actividade, desapareceram dos processos camarários.
João Alberto Correia, o arquitecto que três dias antes da realização da hasta pública de 1999 fora nomeado gerente da EM Ldª, firma pertencente a dois dos seus irmãos, era filho de João Rosado Correia, antigo ministro socialista e ex-Grão-mestre do Grande Oriente Lusitano, falecido em 2002.
O arquitecto, também ele destacado maçon, ocupou até Fevereiro deste ano o lugar de director-geral de Infra-estruturas e Equipamentos do Ministério da Administração Interna, nomeado pelo anterior governo, e encontra-se preso desde o início de Maio, por suspeitas de corrupção relacionadas com o cargo de que se demitiu há quatro meses.
Público
sexta-feira, 4 de julho de 2014
A CAVACAL 'GRANDEZA'
Ao contrário do que é habitual, o Grammy atribuído ao
fadista Carlos do Carmo não mereceu até agora os parabéns públicos de Belém
Já é uma tradição de Belém - sempre que um português
se distingue ou é galardoado com um prémio, sobretudo no plano internacional, a
Presidência envia uma mensagem de felicitações, da qual dá nota pública. Esta
semana a regra teve uma excepção. O anúncio chegou na segunda-feira: o fadista
Carlos do Carmo foi distinguido com um Grammy, o maior e mais prestigiado
prémio da indústria discográfica, nunca atribuído a um português. De Belém, nem
uma palavra.
O silêncio está longe de ser habitual. Olhando para as
últimas dez mensagens de felicitação da Presidência, todas elas foram feitas no
próprio dia ou na segunda-feira seguinte quando o evento/prémio foi conhecido a
um sábado ou a um domingo. Também foi assim há seis anos, quando Carlos do
Carmo ganhou o Prémio Goya para a Melhor Canção Original, atribuído ao
"Fado da Saudade". A distinção foi conhecida num domingo à noite e na
segunda-feira a Presidência da República felicitava o fadista, considerando que
o galardão "honra a música portuguesa".
CRÍTICO DE CAVACO Nos últimos anos, Carlos
do Carmo tem sido um acérrimo crítico de Cavaco Silva. Em entrevista à Rádio
Renascença, em 2011, dizia o fadista: "Toda esta desgraça começou com
Cavaco Silva. O erro está todo aí e a factura está aí." Críticas que foram
subindo de tom. Em Outubro de 2013, em entrevista ao programa "A
Propósito", na SIC, Carlos do Carmo responsabilizava directamente Cavaco
Silva pela situação do país. "Nós tivemos politicamente um azar dos Távoras.
Foi ter este Presidente da República como primeiro-ministro e como Presidente
da República. Este país regrediu muito. É só analisar. Foi mau demais para ser
verdade. Ficou para trás a educação, entrou-se num novo-riquismo, entrou-se
numa loucura de consumismo, provocado. Nunca pensei chegar à minha idade e ver
isto", afirmava então. Na mesma linha, em Dezembro de 2013, numa
intervenção proferida na Aula Magna, numa iniciativa promovida por Mário
Soares: "Nunca me passou pela cabeça, depois de 40 anos de salazarismo,
levar com este homem 20 anos. Um homem que é inseguro, inculto, medroso. E não
interpretem isto como uma questão pessoal, não sou dado a questões
pessoais."
«I»
ARQUIVO CONSELHEIRO ANTUNES - OS DOCENTES INDECENTES
Segundo a teoria do Conselheiro Antunes (de seu nome completo João-Lobo-Antunes-Conselheiro-de-Estado-e-Tudo-Nomeado-por-Aníbal-António-o-Cavaco), Dizer que havia uma opressão intelectual é injusto. Não é verdade.
Assim sendo, esta homenagem é injustificada, estes professores não foram oprimidos e demitidos e o Salazar foi um liberal subversivo.
Assim sendo, esta homenagem é injustificada, estes professores não foram oprimidos e demitidos e o Salazar foi um liberal subversivo.
BIBLIOTECA NACIONAL - ARQUIVO CONSELHEIRO ANTUNES
Segundo a teoria do Conselheiro Antunes (de seu nome completo João-Lobo-Antunes-Conselheiro-de-Estado-e-Tudo-Nomeado-por-Aníbal-António-o-Cavaco), Dizer que havia uma opressão intelectual é injusto. Não é verdade.
Assim sendo, este documento é falso, Herberto Helder não foi um intelectual vigiado e oprimido e a P.I.D.E. nunca existiu.
Assim sendo, este documento é falso, Herberto Helder não foi um intelectual vigiado e oprimido e a P.I.D.E. nunca existiu.
quinta-feira, 3 de julho de 2014
DE OUTROS
«Mas o auge da decomposição foi protagonizado pelo discurso do Presidente da República, perante o homólogo alemão, ao afirmar que "Portugal aprendeu a lição". A letal combinação do dito e da sua circunstância deveria ser considerada como um perigo para a saúde pública.»
Viriato Soromenho Marques
DN
RISCOS
DIZ O 'PÚBLICO':
Presidente sinaliza riscos de Portugal a médio prazo
E EU SINALIZO OS RISCOS DE PORTUGAL A CURTO, MÉDIO E LONGO PRAZO. EI-LOS:
SOPHIA
Acompanhei, pela televisão, a homenagem nacional a Sophia.
Gostei das palavras de D. Manuel Clemente ("Eu rezo com as palavras de Sophia"), na capela do Rato, onde Sophia participou nas vigílias contra a guerra colonial. Gostei das palavras inspiradas de José Manuel Santos ("Não é ela que precisa de nós, somos nós que precisamos dela"), no elogio fúnebre da poeta maior, já no Panteão. Não ouvi, por razões óbvias, os discursos de uma senhora loura e do outro.
(Ficou-me uma nota amarga: as pessoas de cultura andaram dramaticamente distraídas, durante dez anos. E o termo de sepultura ficará para a história com as assinaturas de Aníbal António, Esteves e Coelho. Sophia não merecia este castigo.)
Gostei das palavras de D. Manuel Clemente ("Eu rezo com as palavras de Sophia"), na capela do Rato, onde Sophia participou nas vigílias contra a guerra colonial. Gostei das palavras inspiradas de José Manuel Santos ("Não é ela que precisa de nós, somos nós que precisamos dela"), no elogio fúnebre da poeta maior, já no Panteão. Não ouvi, por razões óbvias, os discursos de uma senhora loura e do outro.
(Ficou-me uma nota amarga: as pessoas de cultura andaram dramaticamente distraídas, durante dez anos. E o termo de sepultura ficará para a história com as assinaturas de Aníbal António, Esteves e Coelho. Sophia não merecia este castigo.)
DISTÂNCIAS
«[ Luís Fontoura] não se escondia ao dizer que ele e o Dr. Cavaco estavam separados por "trinta quilómetros de livros". »
Baptista-Bastos
DN
quarta-feira, 2 de julho de 2014
10 ANOS
Pranto pelo Dia de HojeNunca choraremos bastante quando vemos
O gesto criador ser impedido
Nunca choraremos bastante quando vemos
Que quem ousa lutar é destruído
Por troças por insídias por venenos
E por outras maneiras que sabemos
Tão sábias tão subtis e tão peritas
Que nem podem sequer ser bem descritas
Sophia de Mello Breyner Andresen
MERKADOS
Isabel e ‘Kopelipa’ ajudam Salgado
Duas sociedades do chefe da Casa Militar do presidente angolano foram ao aumento de capital do BES. Numa delas Isabel dos Santos é sócia.
CM
terça-feira, 1 de julho de 2014
DE OUTROS
Só com os criminosos pobres é que não se pode comer à mesa
As informações sobre o que se está a passar no GES, como o que nos últimos anos se veio a saber do BCP, e, andando um pouco mais para trás, toda a história ainda em curso do BPP e do BPN, mostram alguma coisa de consistente no comportamento de uma parte importante da elite político-financeira portuguesa.
J. Pacheco Pereira
Público
As informações sobre o que se está a passar no GES, como o que nos últimos anos se veio a saber do BCP, e, andando um pouco mais para trás, toda a história ainda em curso do BPP e do BPN, mostram alguma coisa de consistente no comportamento de uma parte importante da elite político-financeira portuguesa.
J. Pacheco Pereira
Público
OS DIAS DIFÍCEIS DE NAPOLEÃO PINTAROLAS
Ex-Presidente francês Nicolas Sarkozy detido para interrogatório
AFP
Acção sem precedentes visa determinar se o antigo Presidente francês tentou obter acesso a informação sobre uma investigação judicial relativa a financiamento de campanha.
Público
TEMPO DE LEITURA
Vi o jogo Alemanha - Argélia. Foi o melhor jogo de futebol deste mundial. Ganhou a Alemanha, como podia ter ganho a Argélia.
Pena que o Bento das barracas, absorvido como está na leitura de "Origem do Drama Barroco Alemão", de Walter Benjamin, não tenha visto a jogatana. Tinha aprendido alguma coisa...
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