sábado, 6 de junho de 2026

SUGESTÃO

 


O essencial já foi dito, mas decerto ainda é preciso escrever mais um pouco, só mais um pouco.

De regresso ao romance e ao universo de Fernando Pessoa, Pedro Eiras segue o poeta português, qual detective no seu encalço, pelos cerrados anos de António Ferro e Salazar nos primeiros avanços do Estado Novo. Tempos de metafórico e espesso nevoeiro, em que talvez se possam reconhecer outras nuvens, bastante mais recentes: «Que resta dizer? Talvez apenas isto: que não se escreve uma investigação sobre o passado sem se ser movido pelo presente. E que não há uma única página desta narrativa – ambientada nos primeiros anos do Estado Novo – que não seja tingida pela sombra dos dias de hoje.