"Omitindo que a história de Ronaldo é a da excepção elevada a regra, do talento singular que triunfa num contexto que pouco fez para o reter, o discurso introduz uma deslocação subtil, mas decisiva. Se o país não avança, talvez falte atitude. Talvez falte querer. Talvez falte acordar mais cedo, ter mais visão, treinar mais horas, acreditar com mais força, com mais fome. A política recolhe-se educadamente a um canto e deixa a moral ocupar o centro da sala. E, claro, o fracasso colectivo passa a ser explicado como um défice de carácter, e não como resultado de escolhas, estruturas, incentivos ou da sua ausência. É uma operação elegante, porque absolve o poder com a mesma rapidez com que responsabiliza os governados."
Maria Castello Branco (Expresso)