Quanto a Portugal, o primeiro-ministro do atual Governo e sobretudo o ministro das Finanças, Vítor Gaspar, é quem manda, são partidários fanáticos do neoliberalismo e, portanto, fiéis às políticas de austeridade. A troika funciona para o nosso ministro das Finanças como um super-Governo perante o qual os atuais dirigentes portugueses obedecem com total subserviência. Contudo, a esmagadora maioria dos portugueses está desesperada e é totalmente hostil ao Governo. Muitos de-sempregados emigram (como, de resto, o primeiro-ministro aconselhou fazer às melhores cabeças) e manifestam-se nas ruas e salas de conferência, ruidosa e criticamente, contra o Governo. É certo que o Governo está paralisado, não sabe o que fazer e os ministros não se entendem entre si. Não podem sair à rua sem serem vaiados. Não têm, nem nunca tiveram, uma ideia coerente do que fazer e do que esperam vir a fazer. Mas estão agarrados ao poder - não se demitem apesar da hostilidade geral - haja o que houver. Por medo do que lhes possa acontecer?
A verdade é que este Governo moribundo, com o líder do outro partido da Coligação, Portas, a ameaçar demitir-se, o que fazia cair o Governo, continua a arruinar o País, a vender tudo o que pode de importante, por qualquer preço, sem que diga ao País por que preço e para onde vai o dinheiro. Já apresentaram, por duas vezes, Orçamentos do Estado que o Tribunal Constitucional rejeitou, em parte. Para o Governo isso não tem a menor importância, porque não se importa com a Constituição da República e não sabe o que seja um Estado de Direito. Está a arruinar as nossas excelentes universidades e os institutos científicos. A classe média está a desaparecer, com os cortes, bem como os funcionários públicos e as pequenas e médias empresas. Mas o Presidente da República apoia-o. O Povo está desesperado e a manifestar-se cada vez com mais força, o que é muito perigoso.
Mário Soares
DN
