Mas o que estes dias também trouxeram ao de cima, sem prejuízo dos factos aqui descritos, foi, mais uma vez, a verdadeira natureza do político profissional Cavaco Silva: vingativo e egocêntrico.
Depois da cooperação estratégica e da magistratura ativa, estamos agora em modo de magistratura de vingança. Ou seja, ao rejeitar o acordo "sólido e abrangente" que lhe foi proposto - por mais inacreditável que assim fosse -, Cavaco Silva vislumbrou a oportunidade, não só de reagir às últimas afrontas mas, sobretudo, de ajustar contas muito antigas com um incómodo ex-líder da JSD e com um desagradável ex-diretor de jornal que nunca se lhe vergaram nos tempos em que foi primeiro-ministro, já lá vão mais de 20 anos. Cavaco, é sabido, não esquece e não perdoa. E, mais uma vez, mostrou que pensa sempre em si próprio e no seu interesse pessoal em primeiro lugar.
Nuno Saraiva
DN
