quarta-feira, 9 de novembro de 2011

NÃO APAGUEM A MEMÓRIA

Cinquenta anos depois do desvio de um avião que visava derrubar Salazar, alguns destes "piratas do ar" reúnem-se para assinalar a efeméride e tentar impedir que a sociedade esqueça a sua luta contra a ditadura.

O célebre desvio do Super-Constellation da TAP 'Mouzinho de Albuquerque' (10 de Novembro de 1961) foi feito por meia dúzia de "resistentes", para quem era preciso fazer algo "em grande" que abrisse caminho à liberdade que não existia com Salazar no poder, como contaram à Lusa alguns dos autores do golpe.

Meio século depois, a iniciativa de tentar impedir que este episódio da história portuguesa seja esquecido é da Associação Promotora do Livre Pensamento (APLP).

O presidente da APLP, Luís Vaz, explicou à Agência Lusa os propósitos deste encontro, que decorrerá quinta-feira num restaurante em Lisboa: "Passar à juventude uma mensagem pedagógica sobre a importância deste acontecimento histórico".

"Sendo a APLP uma associação que pretende manter a memória viva sobre os acontecimentos históricos, não podíamos deixar de recordar este episódio e inseri-lo no contexto da luta anti-fascista", disse o historiador, autor de vários livros sobre o anti-fascista Hermínio da Palma Inácio.

O desvio foi protagonizado por Hermínio da Palma Inácio, um resistente que na altura era conhecido e perseguido pela polícia política.

DN

(O avião sobrevoou, em voo rasante e no preciso momento do início do intervalo para almoço, o Liceu de Beja e lançou panfletos que caíram no campo de futebol. Apesar do histerismo do reitor- o 'Batatana'- de alguns professores e de alguns contínuos que tentavam manter os alunos afastados, enquanto os recolhiam, consegui apanhar um. Desconfiado, meti-o no bolso e desapareci. Em casa, entreguei-o ao meu pai que o leu e guardou. Não sei, até hoje, o que dizia, mas desconfio...)