
«Isto bateu no fundo», disse eu quando Guterres desertou. Repeti quando Barroso desertou, quando Lopes foi nomeado primeiro-ministro e quando Sócrates lhe sucedeu.
Abandonei-a por repetição cansativa e por reconhecer a minha precipitação.
Agora, prefiro dizer "isto não tem fundo".
De facto, com Sócrates, chegámos ao cúmulo de ter, simultâneamente, uma crise financeira, económica, social, moral e a ameaça de uma grave crise política. É obra!
Um país com um déficit orçamental de 9,3% e uma taxa de desemprego de 10,4% dá-se ao luxo de se divertir com "dramatizações" de 80 milhões de euros em nome de um "rigor" orçamental que reserva 600 milhões para os escritórios de advogados e 'esconde' 500 milhões para submarinos.
É certo que a quadra carnavalesca incentiva estas cenas, mas um pouco de decoro não faria mal a ninguém.
Mas não tenhamos dúvidas, enquanto as "elites" políticas integrarem jardins, sócrates e quejandos vamos ter de gritar muitas vezes: "ISTO NÃO TEM FUNDO!".