O primeiro-ministro, figura de proa da 'geringonça', deu uma entrevista à RTP.
Imediatamente a seguir, a RTP3 abriu um espaço de comentário com os convidados: João Garcia, um conservador (estou a ser simpático) ex-Expresso e ex-Visão, José Manuel Fernandes, um trauliteiro, ex-diário das mercearias Continente e director do jornal de extrema-direita Observador, Helena Garrido, uma neoliberal, ex-Jornal de Negócios e colunista do jornal de extrema-direita Observador, David Dinis, um neocon, ex-assessor de Durão Barroso, ex-director do jornal de extrema-direita Observador e actual director do diário das mercearias Continente.
Como se verifica, foi grande a preocupação de pluralismo na constituição do painel. E os paineleiros, como seria de esperar, não deixaram os seus créditos por mãos alheias. Contudo, deixo um reparo: notou-se a falta daquele rapaz reaças, de caracóis, com ar de namorado da Heidi, o João Vieira Pereira, do Expresso, e, sobretudo, notou-se a falta desse brilhante reaccionário do século XIX, ex-colaborador do diário das mercearias Continente, actual opinador do jornal de extrema-direita Observador, o imperdível e inimputável Vasco Pulido Valente. Com eles, a coisa ficava mais compostinha. Não acha, Ana Lourenço?
terça-feira, 6 de dezembro de 2016
ELE HÁ DIAS DO DIABO
"É difícil recordar um momento em que um político português tenha sido incinerado assim, sem qualquer misericórdia. Passos Coelho foi removido da política nacional pelo que fez e pelo que ainda julga que pode fazer. As palavras de Marcelo (este feriado nunca deveria ter sido eliminado) e de Costa (houve quem menosprezasse esta data histórica) desnudam a falta de sensibilidade de um político que governou o país como se fosse um jogo de computador e que julga que poderá ressuscitar como salvador da pátria. Marcelo e Costa desfizeram Passos Coelho por uma razão que une os portugueses: o simbolismo do 1.º de Dezembro. Se o 5 de Outubro enche o peito dos republicanos e ensombra os sonhos dos monárquicos, sobre o dia em que se restaurou a independência há uma unanimidade total. Onde só não cabe Passos Coelho. Como se ele fosse insensível à independência de Portugal. E tenha colocado o 1.º de Dezembro numa casa de penhores só para agradar a Bruxelas e Berlim e aos que julgavam que menos feriados eram sinónimo de mais produtividade.
Não há memória de uma exéquia política assim, feita a frio, sem contemplações. Depois disto, Passos Coelho pode dizer tudo, mas já ninguém o levará a sério. Ficou na História como alguém que desprezou um símbolo maior de união dos portugueses e algo que, como a bandeira ou o hino, lhes lembra que são independentes. Apesar da dívida. Apesar do défice. Apesar da União Europeia. O 1.º de Dezembro é a alma dos portugueses. Eliminar essa data é sonhar erradamente que somos europeus e não portugueses, só subordinados devedores e não cidadãos. Passos fica agora só. Já nem terá o trunfo Pedro Santana Lopes. E terá de engolir Paulo Macedo na CGD. Há políticos que chegam assim ao fim. De forma muito triste."
Fernando Sobral
Jornal de Negócios
segunda-feira, 5 de dezembro de 2016
UM IMENSO ADEUS
CANTIGA PARA NÃO MORRER
Quando você for se embora,
moça branca como a neve,
me leve.
Se acaso você não possa
me carregar pela mão,
menina branca de neve,
me leve no coração.
Se no coração não possa
por acaso me levar,
moça de sonho e de neve,
me leve no seu lembrar.
E se aí também não possa
por tanta coisa que leve
já viva em seu pensamento,
menina branca de neve,
me leve no esquecimento.
Ferreira Gullar
moça branca como a neve,
me leve.
Se acaso você não possa
me carregar pela mão,
menina branca de neve,
me leve no coração.
Se no coração não possa
por acaso me levar,
moça de sonho e de neve,
me leve no seu lembrar.
E se aí também não possa
por tanta coisa que leve
já viva em seu pensamento,
menina branca de neve,
me leve no esquecimento.
domingo, 4 de dezembro de 2016
CARTA ABERTA PARA UM ORANGOTANGO PERIGOSO
Dear Mr. Trump,
This is not what greatness looks like.
The world rejects your fear, hate-mongering, and bigotry. We reject your support for torture, your calls for murdering civilians, and your general encouragement of violence. We reject your denigration of women, Muslims, Mexicans, and millions of others who don’t look like you, talk like you, or pray to the same god as you.
Facing your fear we choose compassion. Hearing your despair we choose hope. Seeing your ignorance we choose understanding.
As citizens of the world, we stand united against your brand of division.
Sincerely,
[Add your name : https://secure.avaaz.org/campaign/en/president_trump_letter_loc/?tjOdlhb&v=500257858&cl=11086546896&_checksum=efc3c10d43447a82c9328d4ccd5862bd36b8ae9feb7b5512a3911746fee99734
DO FIDELISMO JAZENTE AO TRUMPISMO NASCENTE
Anda toda a reaccionaria portuga muito entretida com a académica discussão sobre o Fidel. Dizem uns que ele foi um ditador e ponto e outros dizem que ele foi um ditador, mas...
Acontece que o Fidel está, literalmente, reduzido a cinzas, e a noventa milhas de Havana está um orangotango com acesso ao arsenal nuclear americano que pode reduzir-nos a cinzas.
Os luso-reaças bem podem tentar sossegar-me dizendo que um orangotango presidente será diferente de um orangotango candidato. Eu é que não me fio muito no bom senso de certos primatas e por isso ando preocupado.
BOAS PERSPECTIVAS PARA LAVANDARIAS E BANCOS PORTUGUESES
Barclays recusa fortunas angolanas
O Barclays está a fechar as portas às fortunas dos angolanos. Depois do fim do vínculo de dois bancos alemães, o Deutsche Bank e o Commerzbank, que asseguravam a importação de moeda estrangeira para Angola, este é o terceiro grande banco internacional a virar as costas a este país num curto espaço de tempo, devido às dúvidas quanto à proveniência do dinheiro.
EXPRESSO
sábado, 3 de dezembro de 2016
Peço-Vos, Senhor, humildemente, que ilumineis o meu espírito, para que conheça os meus pecados e defeitos em que nele caí, e fazei-me conceber contra eles um horror tão grande que não volte a cometê-los
P. Gonçalo Portocarrero de Almada
Observador
Tem razão o padreca Almada. Os regimes são como as religiões: não se medem pelas suas belezas retóricas, mas pelas suas obras. Veja-se o sonho católico que foi um terrível pesadelo para os portugueses (para só falar dos acontecimentos a oeste de Badajoz) mas que não o exime das atrocidades perpetradas pela Inquisição e pelo fascismo salazarento que a Santa Madre sempre benzeu e apoiou.
Oremos, pois, pelas belezas retóricas e pelo fim dos pesadelos, de todos os pesadelos.
POIS, POIS, SÃO AS VANTAGENS DA GESTÃO PRIVADA
TAP investigada em Espanha por aterragem com combustível abaixo do mínimo
Fonte oficial da TAP garante que a aeronave aterrou com combustível para 29 minutos de viagem.
A TAP está a ser investigada em Espanha por ter pedido prioridade na aterragem em Santiago de Compostela por emergência de combustível, num voo Funchal-Porto, mas a companhia garante que nunca esteve em causa a segurança da operação.
Público
sexta-feira, 2 de dezembro de 2016
COERÊNCIA NA ABJECÇÃO


O PSD, capturado por esse grupelho neo-liberal (eufemismo modernaço para designar o neo-fascista), não se fez representar nas cerimónias oficiais de comemoração do 1º de dezembro, o que está a motivar a indignação de muita gente.
Pois bem, eu, que estou muito longe de poder ser considerado um nacionaleiro, louvo a atitude de PaSSos e seus apóstolos pela coerência demonstrada. De facto, quem protagonizou, ainda recentemente, a mais abjecta sujeição de Portugal a um país estrangeiro não deve exibir sinais exteriores de contentamento pela Restauração da Independência Nacional. Houve, há e haverá sempre uns miguéis de vasconcelos que cultivam a coerência na traição. É só isso.
quinta-feira, 1 de dezembro de 2016
FIDEL
"Dizer de Fidel Castro, após a sua morte, em artigos de jornal que pretendem (e deveriam) ser de balanço, de avaliação ou de análise da sua vida, que era um ditador e ficar-se por aí é quase a mesma coisa que fazer uma entrada de enciclopédia sobre Einstein dizendo que era um tipo de cabeleira branca e ficar-se por aí."
José Vítor Malheiros
Público
quarta-feira, 30 de novembro de 2016
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