quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

UM IMENSO ADEUS


«Viemos também a este lugar sagrado para lembrar à América a grande urgência da hora presente. Não podemos continuar a dar-nos ao luxo de adiar ou tomar o tranquilizante que é o gradualismo. Chegou a hora de cumprir as promessas da democracia. Chegou a hora de sair do negro e árido vale da segregação para a estrada soalheira da justiça social. Chegou a hora de arrancar a nossa nação às areias movediças da injustiça racial e implantá-la no rochedo sólido da fraternidade. Chegou a hora de fazer da justiça uma realidade para todos os filhos de Deus.
Seria uma fatalidade se a nossa nação ignorasse a urgência do momento. Este Verão abrasador do legítimo descontentamento do Negro não vai acabar enquanto não chegar um Outono revigorante de liberdade e igualdade. Mil novecentos e sessenta e três não é um fim mas sim um princípio. Aqueles que pensam que o Negro só estava a precisar de expelir um bocado de vapor e agora vai ficar satisfeito vão ter um despertar agitado se o país voltar ao mesmo, como se nada tivesse acontecido.
Não haverá sossego nem tranquilidade na América enquanto o Negro não vir garantidos os seus direitos de cidadania. Os turbilhões da revolta irão continuar a abalar os alicerces da nossa nação até que nasça o dia radioso da justiça.»